Quimioterapia também pode prejudicar a fala

Tratamento contra tumor na laringe deve deixar sequelas, mas elas podem ser minimizadas com reabilitação fonoaudiológica, diz especialista

KARINA TOLEDO, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2011 | 03h04

Uma das maiores preocupações dos médicos ao tratar de um paciente com câncer na laringe é com as possíveis sequelas na voz. Embora no caso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha-se optado por evitar a cirurgia para minimizar as perdas vocais, especialistas ouvidos pelo Estado afirmam que a quimioterapia e a radioterapia também podem prejudicar a fala.

"A radioterapia causa um enrijecimento nos tecidos da região. E, quanto mais rígido fica o tecido, maior é da dificuldade para falar e para engolir", explica José Guilherme Vartanian, cirurgião de cabeça e pescoço do Hospital A. C. Camargo. Segundo ele, Lula provavelmente terá de se submeter também ao tratamento radioterápico, pois a quimioterapia não é suficiente para eliminar esse tipo de tumor.

"A quimioterapia potencializa os efeitos danosos da radioterapia para a fala. Além disso, a região da laringe afetada pelo tumor não se recupera mais", diz.

Vartanian explica que a gravidade das sequelas vai depender do tamanho do tumor e do tipo de radioterapia utilizado. Mas, continua, os grandes hospitais da capital - como o Sírio-Libanês onde o presidente fará seu tratamento - já contam com técnicas modernas que causam menos danos aos tecidos da região.

A presidente da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, Mara Behlau, explica que, após o tratamento contra câncer de laringe, é muito comum que os pacientes fiquem com a voz mais baixa e mais rouca. Esses efeitos, no entanto, são minimizados com a ajuda de exercícios vocais.

"Lula é um grande comunicador. Tem uma voz naturalmente rouca que é muito característica de sua personalidade. Tenho certeza de que, com a reabilitação fonoaudiológica, poderá recuperar quase totalmente sua assinatura vocal", avalia a especialista.

Mara cita como exemplo o caso do cantor britânico Elton John, que nos anos 1980 se submeteu a uma cirurgia na garganta e depois voltou a cantar normalmente.

Segundo informações do Instituto Nacional de Câncer (Inca), tumores na laringe estão associados ao tabagismo - maior fator de risco - e ao consumo de álcool. Pacientes que mantêm esses hábitos têm probabilidade de cura diminuída e aumento do risco de aparecimento de um segundo tumor.

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