Questões estaduais e federais dominam debate tenso entre Haddad e Serra na TV

Em intensa troca de ataques, candidatos exploram atribuições da União e do Estado mais que responsabilidades diretas da Prefeitura

O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2012 | 03h05

Em um debate mais curto e em horário mais cedo que os demais, os candidatos Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB) travaram a disputa mais beligerante do 2.º turno, em encontro promovido ontem pelo SBT e UOL. Os ataques mútuos, no entanto, abordaram mais temas estaduais e federais do que áreas sob responsabilidade direta da Prefeitura.

Um dos momentos mais tensos ocorreu no segundo bloco, quando Serra falou sobre o julgamento do mensalão. Haddad colocou o dedo em riste para se defender da provocação.

"Tem a questão do mensalão, isso nem é suspeita. A cúpula do PT foi condenada, formação de quadrilha. Vão querer repetir mensalão aqui?", disse o tucano. Haddad apontou o dedo para Serra e elevou o tom de voz. "O teu desrespeito chega às raias da insanidade, trazer mensalão para cá. Do que você está falando?", afirmou. "Você me conhece o suficiente para saber que eu tenho 12 anos de vida pública, 30 anos de vida acadêmica, que tenho uma reputação ilibada, não há sequer uma suspeita à frente do Ministério da Educação, onde eu administrei um orçamento duas vezes maior que o da Prefeitura."

A cidade ficou em segundo plano em boa parte do embate - Haddad e Serra usaram os governos estadual e federal para se enfrentar. Logo na primeira pergunta, Haddad citou o aumento de 15% do número de homicídios em São Paulo, como prova da "escalada da violência" na capital paulista. O tucano rebateu afirmando que a segurança pública "não é de responsabilidade direta da Prefeitura".

Outro tema "forasteiro" que invadiu o debate foi a proposta do governador Geraldo Alckmin (PSDB) de cobrar pedágio em estradas por quilômetro rodado. "Isso não existe, foi especulação do seu partido", disse Serra. "Acho que o Haddad não é mentiroso, ele está sendo mal assessorado, ele não tem muito conhecimento a respeito da cidade. Ele confundiu Itaim-Bibi com Itaim Paulista." Um pouco mais tarde, Haddad disse, irônico: "Já o seu desconhecimento sobre São Paulo é grande. O desconhecimento sobre o Brasil eu já conhecia. Você chamou o Brasil de Estados Unidos do Brasil."

Parcerias. Até na questão da Cracolândia a atuação do governo federal entrou na pauta. Ao ser questionado sobre suas propostas para o combate ao crack, Haddad classificou como "desastrosa" a ação realizada pelo município na região central. Na réplica, Serra questionou a atuação da presidente Dilma no combate ao tráfico de drogas e contrabando. "É guerra ao crack, nós fizemos e vamos fazer mais", disse.

Na tréplica, Haddad aproveitou uma declaração de Serra à rádio CBN sobre monitoramento de jovens que estariam mais vulneráveis ao uso de drogas - o tucano alega ter sido mal interpretado - para atacar o adversário. "Vai fiscalizar só nas escolas públicas? É política só para pobre?", questionou. Serra pediu direito de resposta, mas não foi atendido.

Entre os temas da cidade, a terceirização da administração de hospitais em São Paulo foi explorada por Serra. "Está no programa de governo de Haddad o fim da parceria da Prefeitura com as organizações sociais", disse. "Isso é algo que tem se espalhado e é uma mentira", rebateu Haddad.

Durante discussão sobre enchentes, Serra aproveitou seu tempo para divulgar uma nova proposta - de ampliar em seis horas o período de uso do bilhete único. Haddad respondeu: "Serra, fiz uma pergunta sobre enchentes, você falou do Bilhete Amigão? Que é uma coisa que você inventou de última hora para enfrentar o debate sobre transporte na cidade." / RODRIGO BRANCATELLI, FERNANDO GALLO, JULIA DUAILIBI, VERA ROSA e DANIELLE VILLELA, ESPECIAL PARA O ESTADO

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