Gabriela Biló / Estadão
Gabriela Biló / Estadão

'Queremos ser uma opção à velha política, dos privilégios’, diz Amoêdo em sabatina

Em evento promovido pelo ‘Estado’ e Faap, candidato afirma que o Novo busca ser mais que legenda antipetista

Ana Beatriz Assam, Marianna Holanda, Gilberto Amendola e Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2018 | 22h16

Ao participar da série Estadão-Faap Sabatinas com os Presidenciáveis nesta terça-feira, 28, o candidato João Amoêdo (Novo) afirmou que seu partido busca ser mais do que uma legenda antipetista. “Queremos ser uma opção à velha política, dos privilégios, das alianças que são feitas para o processo eleitoral e não para o governo.”

Questionado sobre em quem votou na eleição de 1989, Amoêdo afirmou que optou pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello no segundo turno. Abaixo, os principais assuntos abordados pelo candidato nas eleições 2018 – que na mais recente pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo aparece com 1% das intenções de voto nos cenários com e sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Operação Lava Jato.

Velha política

Além de afirmar que o Novo quer ser “opção à velha política”, Amoêdo disse que seu partido busca “práticas e ideias diferentes”.

“Foi por isso que nos últimos oito anos entramos no mundo político. Nós não enxergamos, no cenário que tem aí, uma opção que gostaríamos de votar. Sempre votei no menos pior e cansei. Ao votar continuamente no menos pior, ele fica muito próximo do pior.”

O 'novo PSDB'

Amoêdo foi questionado se o Novo seria uma espécie de PSDB Personnalité (piada que tem sido viralizada nas redes sociais). Ele respondeu que o “raciocínio” da sigla é muito diferente. O candidato pontuou que o PSDB está se associando a nomes como Roberto Jefferson e Valdemar Costa Neto para ganhar poder – e que pretende se perpetuar no poder se aliando a quem era aliado da presidente cassada Dilma Rousseff.

“Nós queremos mudar o que está aí. Já o PSDB está aí há muito tempo e tem uma linha diferente da nossa. Não privilegiamos acordo por tempo de TV. Podemos dizer que os fins não justificam os meios.”

Antipetismo

Ao ser questionado sobre em quem votou nas eleições presidenciais de 1989, Amoêdo afirmou que no primeiro turno foi de Guilherme Afif Domingos. Já no segundo turno, o voto do candidato foi para o ex-presidente Fernando Collor de Mello. Para justificar, disse: “Sempre votei contra o PT”.

Bolsonaro

Questionado sobre se Jair Bolsonaro (PSL) já não seria o candidato protagonista no campo antipetista nas eleições 2018, Amoêdo disse: “Certamente muita gente que vota no Bolsonaro é aquela que não aguenta mais o PT, que tem um receio enorme que o PT permaneça. O Bolsonaro é visto como anti-PT, talvez não tenha alinhamento ideológico tão forte. Não sabemos muito qual a linha ideológica porque ele nunca fez, na prática, o que defende hoje”.

Centro

Sobre se a pulverização de candidaturas do centro não estaria beneficiando PT e Bolsonaro, Amoêdo advertiu: “Não me considero de centro”. O candidato diz que propõe uma política diferente, sem dinheiro público e inovando nos princípios e valores. “Eu não acredito em salvador da pátria. O salvador da pátria é cada um de nós”, ressaltou.

Liberal

Amoêdo defendeu um modelo liberal de gerir o Estado. Para o presidenciável, é necessário simplificar tributos, reorganizar a máquina pública com corte nos cargos comissionados do governo federal e reduzir a participação do Estado em serviços que não são essenciais. Amoêdo defendeu medidas como a privatização de estatais brasileiras como a Petrobrás e os bancos públicos. Ele disse que o Estado deve focar nas atividades essenciais e incluiu nesse rol a saúde e a educação.

Estatais

Ao defender as privatizações, Amoêdo disse: “Durante muitos anos ouvimos a conversa de que as estatais são estratégicas. São estratégicas para os políticos. Isso privilegia a troca de favores”. O candidato também defendeu a privatização dos bancos públicos. “A privatização trará mais concorrência. Queremos abrir o mercado para novos participantes.”

Educação

Amoêdo sugeriu a criação de um “vale-educação” para as famílias mais pobres colocarem seus filhos no ensino privado. “Está provado que o Brasil nas escolas públicas fica na posição número 63 e número 35 nas escolas privadas. Quem tem renda consegue colocar seu filho numa escola privada e dá a ele muito mais oportunidades”, disse.

Ao ser questionado se isso seria assumir a falência da educação pública, ele respondeu: “A educação tem três grandes problemas. Primeiro, temos prioridade invertida. Colocamos muito mais dinheiro no ensino superior do que no fundamental e no médio. Além disso, 50% dos diretores de escolas públicas são nomeações políticas. E tem o problema dos professores, porque estamos atraindo poucos profissionais”, afirmou o candidato do Novo.

Costumes

Amoêdo se declarou liberal nas questões comportamentais porque “respeita a opinião de cada um”. Ele se posicionou contra o aborto – exceto nos casos já previstos em lei. Ainda assim, afirmou que essa deve ser uma decisão do Congresso. “O Novo dá liberdade para as pessoas que saíram candidatos pelo partido terem posições distintas”, disse. Sobre a questão das drogas, Amoêdo afirmou estar acompanhando as experiências de descriminalização em outros países. “Mas não quero trazer mais uma variável, já temos problemas graves de segurança, na educação e economia.”

Mulheres

O candidato do partido Novo derrapou ao falar da função do Estado em defesa das minorias. Ao usar como exemplo as mulheres, que representam a maioria da população brasileira, as colocou junto com minorias. “Não gosto de transferir nossa responsabilidade para o Estado. Onde o indivíduo puder atuar, a gente deve fazê-lo. Tem várias condicionantes aí. A própria legislação trabalhista deveria ter uma flexibilidade maior, já que as mulheres têm uma dupla jornada.

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