'Queremos obras controladas', diz presidente

Dilma mandou recado às empreiteiras e disse que, a partir de agora, governo vai acompanhar projetos e cobrar metas

ANGELA LACERDA , ENVIADA ESPECIAL / FLORESTA (PE) , O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2012 | 03h06

A presidente Dilma Rousseff se mostrou disposta ontem a enquadrar as empreiteiras e cobrar metas para que as obras da transposição do São Francisco paralisadas saiam do papel. "Queremos obras controladas. Não queremos saber que não deu certo no final do ano. Queremos saber antes porque isso permitirá que a gente faça a nossa parte", disse ela durante visita a canteiro de obras no município de Floresta, no sertão pernambucano.

Segundo Dilma, "o governo monitora obras através de mecanismos online" e, a partir de agora, vai "cobrar metas e resultados concretos". Em recado aos consórcios responsáveis por 14 dos 16 lotes da transposição - dois estão a cargo do Exército -, a presidente afirmou: "Nós não atrasamos pagamento, nós sempre pagamos, escutamos os pleitos, fizemos um processo de renegociação que é quase uma engenharia e a partir de agora nós vamos cobrar".

"Pretendo sistematicamente, a partir de agora, olhar detalhadamente os prazos, queremos que cumpram os prazos, teremos uma supervisão praticamente mensal", continuou.

'Vazio'. Na agrovila 6, em Floresta, onde a presidente iniciou sua inspeção em canteiros em Pernambuco e Ceará, um alojamento de operários se encontra abandonado e em cada uma de suas portas está escrito a palavra "vazio". Iniciada em agosto de 2007, a previsão inicial era de conclusão das obras da transposição em 2012. Os prazos, agora, se estendem para 2014 e 2015.

"Eu cobro do ministro (Fernando Bezerra Coelho, da Integração Nacional), o ministro cobra de todos os funcionários do ministério e nós todos vamos cobrar daqueles que estão executando em parceria conosco", reiterou a presidente Dilma.

A presidente prometeu analisar prazos e anunciou que voltará à região ainda neste ano.

"Aceitamos as negociações e agora queremos que a parte dos consórcios seja feita." Dilma estava acompanhada dos governadores Eduardo Campos (PE) e Cid Gomes (CE) e dos ministros Fernando Bezerra, Paulo Sérgio Passos (Transportes), e Eva Chiavon (interina do Planejamento).

Atraso. Em Mauriti, a presidente Dilma constatou e admitiu o atraso nas obras da transposição do São Francisco, mas garantiu que foi ao Ceará para levar soluções. Ela prometeu contratar novas empresas para acelerar o trabalho e corrigir setores que estão com problemas.

A petista assegurou que até o final deste ano a primeira fase da transposição, chamada de etapa piloto, estará concluída. E informou que a obra ficará pronta até o final de 2014.

"É óbvio que houve uma desmobilização em alguns momentos. Nós não estamos aqui para negar a realidade. Houve de fato uma desmobilização em alguns momentos. Por quê? Porque era necessário recompor as condições contratuais, principalmente porque eles (os contratos) foram feitos baseados em elementos que não eram o definitivos", afirmou a presidente Dilma. / COLABOROU CARMEN POMPEU, ENVIADA ESPECIAL A MAURITI

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