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'Quem pediu plebiscito? Falta gestão', diz petista

Deputado Devanir Ribeiro explicita a falta de consenso da bancada do PT, partido da presidente, com proposta de consulta popular que ela encampa

VERA ROSA / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2013 | 02h11

O plebiscito proposto pela presidente Dilma Rousseff para mudar o sistema político divide até o PT. Embora a Executiva Nacional petista vá aprovar hoje um cronograma de mobilização, conclamando os militantes a se engajarem na campanha em defesa do plebiscito, a consulta popular não tem apoio unânime nem mesmo na bancada do PT na Câmara.

Em meio à polêmica, o coro do "Volta, Lula" agora é ensaiado por uma ala do partido que faz críticas contundentes à articulação política do governo Dilma. "Já está na hora de o Lula voltar", afirmou o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP). Autor da proposta de terceiro mandato para o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Devanir disse que os protestos nas ruas tiveram outra motivação. "Quem pediu plebiscito? O que falta no governo Dilma é gestão. As pessoas querem transporte de qualidade, saúde e educação. Dinheiro tem. É só investir."

Para Devanir, a presidente continuará enfrentando problemas na base aliada, e não só com o PMDB, enquanto não der autonomia aos ministros para fazer a articulação política. "A Ideli (Salvatti), coitada, é como um elefante numa loja de cristais", definiu o deputado, numa referência à ministra das Relações Institucionais, responsável por negociar com o Congresso.

Amigo de Lula há mais de 30 anos, Devanir afirmou que a reforma política é assunto para "outro departamento". A proposta enviada por Dilma ao Congresso prevê que a população seja consultada sobre cinco pontos: financiamento de campanha, sistema de votação, término dos suplentes no Senado, voto secreto no Parlamento e fim das coligações partidárias.

"Eu sou contra esse plebiscito, mas voto com o governo. Agora, querer jogar para o povo uma coisa que não conseguimos resolver há mais de dez anos não vai dar certo", insistiu Devanir. "Essa reforma é para salvar os partidos, não é de interesse da sociedade." Na sua avaliação, a convocação de Constituinte exclusiva para votar a reforma seria mais apropriada. A sugestão chegou a ser feita por Dilma, mas ela recuou diante de críticas de políticos e juristas.

Na tentativa de amenizar a crise, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse ontem que as discordâncias em relação ao plebiscito são "naturais". A bancada do PMDB na Câmara fechou questão contra a realização do plebiscito neste ano e, a portas fechadas, considerou a iniciativa "manobra".

"O PT também tem divergências, o PSB, o PDT... Isso faz parte", desconversou Carvalho. Mesmo assim, o ministro observou que será "uma decepção" se as mudanças não valerem para as eleições de 2014. "Se é verdade que queremos acabar com a corrupção, é importante que façamos uma reforma estrutural na política, que trabalhe primeiro o financiamento público de campanha."

O deputado José Genoino (PT-SP) encaminhou à bancada proposta de emenda constitucional prevendo que a população autorize parlamentares eleitos em 2014 a revisar os artigos da Constituição que tratam do sistema eleitoral e partidário. A reforma passaria, então, por uma Assembleia Revisora e seria submetida a um referendo popular./ COLABORARAM TÂNIA MONTEIRO e RAFAEL MORAES MOURA

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