'Quem governa não pode ser dono da verdade', afirma Campos na TV

Inserções do PSB que vão ao ar hoje terão governador como estrela; filmetes vão ter discurso crítico e alfinetam estilo de Dilma

JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

11 Abril 2013 | 02h05

O PSB dá início hoje à série de inserções políticas do partido na TV e no rádio, tendo como estrela única o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, provável candidato à Presidência da República no ano que vem. Os filmetes vão exibir o governador no comando de um discurso crítico em relação ao governo da presidente Dilma Rousseff - numa das inserções, Campos insinua que uma centralização de poder sufocaria os aliados na hora das decisões. "Quem governa precisa saber decidir, mas não pode ser o dono da verdade. Como aliado do governo, temos o dever de propor, participar, apoiar, criticar até quando necessário, mas sempre com um objetivo: de fazer o País avançar."

Os programas que irão ao ar também nos dias 13, 16 e 18 exibem ainda o slogan da campanha de Campos, caso ele saia mesmo candidato: "É possível fazer mais". Serão dez inserções em cada um dos dias da exibição. No dia 25 será exibido o programa partidário de 10 minutos, também na TV e no rádio. Todo ele em torno de Campos.

Fica claro que o PSB já quer mostrar independência em relação ao governo Dilma e ao PT. O discurso dos filmetes é crítico à gestão Dilma, com várias indiretas à administração da economia que tem por base o consumo. "A hora é de resgatar a confiança na nossa economia e ter foco no consumo, mas principalmente na produção. A hora é de fazer o Brasil crescer e ganhar 2013."

Há também críticas sobre a carência de infraestrutura e logística no País. Um locutor dá a deixa: "Somos um dos maiores produtores de alimentos do mundo, mas falta infraestrutura para estocar e transportar nossa produção. Temos a matriz energética mais limpa do planeta, mas gastamos R$ 400 milhões por mês para manter termoelétricas poluidoras." Em seguida, Campos entra: "Temos um País que nos estimula, pelas conquistas e vitórias que ajudamos a construir. Mas dentro dele tem um País que nos pede para fazer muito mais." Campos é ainda apresentado como o governador mais bem avaliado do País, aprovado por 93% dos pernambucanos.

Projeto. O primeiro-secretário do PSB, Carlos Siqueira, disse que as bases, governadores, prefeitos e toda a direção da sigla querem que Campos seja candidato em 2014. "O partido tem um projeto de poder e quer chegar à Presidência. Tem uma liderança jovem e respeitada. Negar a candidatura é não ter a compreensão do papel do partido na disputa pelo poder na democracia."

Siqueira lembrou que na eleição do ano passado o PSB disputou com o PT em muitas capitais, a exemplo do Recife, Fortaleza e Belo Horizonte. Para ele, está na hora de levar essa disputa para a Presidência. "Em todas as eleições com dois turnos, vou defender que todos os partidos participem. No segundo turno é outra história. Aí podem ser feitas as alianças."

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