'Quem errou tem que ser punido', afirma Lula

No Ceará, ex-presidente fala sobre corrupção e defende punições; hoje ele participa de evento com Dirceu e Genoino

FERNANDO GALLO , ENVIADO ESPECIAL / FORTALEZA, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2013 | 02h05

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem a uma plateia petista que está disposto a fazer o debate sobre corrupção com a oposição. "Somos seres humanos. Alguns de nós podem cometer erros, e quando cometer, tem que ser julgado, como todos têm que ser julgados. Errou tem que ser punido", disse Lula.

Ele não citou nenhum caso em particular e nem fez referência ao episódio do mensalão. Foi contudo, uma de suas falas mais fortes sobre o tema corrupção desde o fim do julgamento no Supremo que condenou a antiga cúpula petista, em dezembro.

O discurso ocorreu em Fortaleza no primeiro seminário que o PT programou para fazer um balanço dos dez anos do partido à frente do governo federal.

Lula rechaçou, porém, a associação do PT à corrupção. "Não vamos aceitar que ninguém jogue em cima de nós a pecha que eles carregaram a vida inteira no jeito de fazer política."

Um pouco mais à frente, ao final de sua fala, disse que o PT "não nasceu para andar de cabeça baixa". "Se algum quer andar de cabeça baixa, por favor, procure outro partido." E arrematou: "Todos nós achamos que o PT tem defeito. Mas o dia que vocês conhecerem a política aí fora vocês vão dizer, p... vida, esse partido é do cacique".

O ex-presidente voltou a defender a reforma política, a ideia de elaboração de uma Constituinte exclusiva para o tema e o financiamento público de campanha. Ele sustentou que, vigorando este último, "pegar dinheiro de empresa privada deveria ser crime inafiançável".

Lula afirmou que o Brasil precisa "baratear os custos de fazer campanha" e brincou: "Se continuar assim, daqui alguns anos só vai poder ser candidato a vereador em Quixadá (CE) o representante do Itaú, o representante do Bradesco", disse o ex-presidente.

O petista afirmou duvidar que outro presidente brasileiro tenha "criado tantos instrumentos" de controle da corrupção quanto ele e sugeriu à plateia que perguntassem ao diretor-geral da Polícia Federal e aos chefes do Ministério Público Federal como estavam as suas instituições quando chegou ao poder, em 2003, e como estavam em 2010, quando ele deixou a Presidência.

Hoje, Lula vai abrir a reunião do Diretório Nacional do PT à qual devem comparecer o ex-ministro José Dirceu e os deputados José Genoíno (PT-SP) e João Paulo Cunha (PT-SP), todos condenados à prisão pelo Supremo. Além deles, deve participar a mulher do ex-tesoureiro petista Delúbio Soares, Mônica Valente. Os quatro são integrantes do diretório.

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