Quem eleger Kassab vai dar um cheque em branco, diz Marta

Candidata petista deixou transparecer que sua estratégia é tentar criar uma desconfiança com relação a Kassab

Carolina Ruhman, da Agência Estado

13 de outubro de 2008 | 18h01

A candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, voltou a enfatizar a necessidade dos eleitores conhecerem a biografia de seu adversário do DEM, o prefeito Gilberto Kassab, e partiu para o ataque: "Quem eleger Kassab vai estar dando um cheque em banco a quem não conhece".     Veja também: Blog: Leia os principais momentos do debate na Bandeirantes  'Eu prometo' traz as promessas de Marta e Kassab  Geografia do voto: Desempenho dos partidos nas cidades brasileiras  Confira o resultado eleitoral nas capitais do País As principais promessas dos candidatos     Durante sabatina promovida  pelo jornal Folha de S. Paulo, a petista alertou que a Capital pode estar prestes a cometer um erro semelhante à eleição do ex-prefeito Celso Pitta, na linha da candidata de associar Kassab ao ex-prefeito. "É importante que as pessoas conheçam todo esse DNA do Gilberto Kassab", afirmou, referindo-se à atuação do prefeito na gestão de Pitta, em que foi secretário de Planejamento.   Marta deixou transparecer que sua estratégia é tentar criar uma desconfiança com relação a Kassab. Em sua avaliação do debate  promovido pela TV Bandeirantes, ela se saiu vitoriosa: "Pude criar desconfiança na base do eleitorado (do adversário).   A candidata foi duramente questionada sobre a inserção publicitária na qual questiona se Kassab é casado e se tem filhos. O prefeito de 48 anos é solteiro e não tem filhos. Ela chegou a bater boca com seu entrevistadores e reclamou que foi alvo de forte invasão de privacidade. "Eu entro em um restaurante e vocês vêm perguntar quanto custa o que eu comi", protestou.   Ela disse que é contra baixar o nível da campanha, mas enfatizou todo o tempo que "trajetória e biografia é necessário que as pessoas conheçam". Diante da insistência dos jornalistas sobre a questão da inserção, Marta revidou: "Eu não estou aqui para discutir isso". Mas frisou: "É tudo político. Para mim, tanto importa ele ser viúvo casado ou solteiro", tentou minimizar depois.   Entretanto, Marta procurou eximir-se da responsabilidade sobre a peça publicitária e afirmou que não lhe compete a eventual decisão de tirá-la do ar. "A decisão está na mão do marqueteiro", afirmou, e chegou a dizer que não viu a inserção.   Questionada sobre declarações contidas em seu livro "Minha vida de prefeita", referentes à separação do senador Eduardo Suplicy, Marta reagiu duramente à possibilidade de ter sua própria privacidade invadida: "O que eu queria colocar a publico, não pela Folha, eu escrevi", afirmou e emendou: "Não admito que a Folha venha me perguntar da minha vida privada além do que já faz e já fez".   Marta manteve a estratégia de tentar desconstruir seu adversário em duas figuras: "de um lado, o prefeito real, e do outro, o prefeito da propaganda". Ela acusou Kassab de ser eleitoreiro, ao se referir sobre o (Centro de Ensino Unificado) CEU profissionalizante. Segundo ela, Kassab primeiro vetou o projeto e depois adotou a proposta, de olho na campanha. "Além desse DNA totalmente escondido, tem duas pessoas. É uma que veta, e outra que propõe."   Marta chegou a bater boca com a platéia. Em um determinado momento, foi questionada sobre sua propostas de isentar os profissionais autônomos do ISS. Ela acusou Kassab de ter criado uma taxa de 2% para taxistas e afirmou que ele copiou sua proposta de desoneração. Uma senhora na platéia reagiu e disse que foi a petista quem copiou o prefeito. De pronto, Marta revidou: "Por que ele não fez antes? Ele está lá há quatro anos. A senhora não acha que ele já poderia ter feito essa desoneração?"   Marta criticou as escolhas políticas de seu adversário. "Ele poderia ter escolhido qualquer partido, mas escolheu o PFL", apontou, e atacou: "É um partido que acabou porque simboliza o atraso do atraso do atraso".   A petista avaliou positivamente o primeiro turno da campanha, apesar de ter liderado a corrida desde o início e ter terminado a disputa depois de Kassab. Ela afirmou que foi alvo de todos os seus oponentes e destacou que nesta nova fase da disputa municipal tanto ela quando Kassab têm o mesmo tempo de horário eleitoral gratuito na televisão. Ela aproveitou para fazer um novo aceno ao eleitorado de Geraldo Alckmin (PSDB) e avaliou que para o tucano "pesou muito" não poder mostrar todos os seus projetos. E retomou a munição: "Agora os governos serão comparados, as biografias serão comparadas".

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