Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência da República Foto: Wilton Junior/Estadão
Em seu sétimo mandato consecutivo, o deputado federal bateuFernando Haddad por uma margem de 55% dos votos válidos. A vitória quebra a hegemonia de vitórias doPT ePSDB nas urnas, partidos que desde 1994 dominavam as eleições para o Palácio do Planalto.
Campanha vitoriosa
Com 13 candidatos, a campanha deste ano começou com uma pulverização dos votos, mas as pesquisas mantinham Bolsonaro à frente nos cenários sem o ex-presidenteLuiz Inácio Lula da Silva, preso e condenado pelaLava Jato em Curitiba.
Galeria: presidentes do Brasil, de Deodoro a Bolsonaro
Presidentes do Brasil: de Deodoro a Bolsonaro
1 | 45 Acervo Estadão relembra a história das sucessões presidenciais e todas as eleições desde 1891. Confira Foto: Marcos Arcoverde/Estadão ▲
2 | 45 O marechal Deodoro da Fonseca proclamou a República e chefiou o governo provisório até janeiro de 1891, quando foi eleito indiretamente o primeiro Presidente do Brasil. Foto: Acervo/Estadão ▲
3 | 45 O marechal Floriano Peixoto assumiu a Presidência após a renúncia do marechal Deodoro da Fonseca. Foto: Acervo/Estadão ▲
5 | 45 Ex-governador de São Paulo, Campos Sales teve seu mandato marcado pelo combate à inflação e à desvalorização da moeda. Sob o seu governo aconteceu o reescalonamento da dívida brasileira. Foto: Acervo/Estadão ▲
6 | 45 Governo do paulista Rodrigues Alves foi marcado pelo plano de valorização do café e pelo plano de reurbanização e saneamento da capital da República. Foto: Acervo/Estadão ▲
8 | 45 Com a morte de Afonso Pena, seu vice Nilo Peçanha assume o governo e completando o mandato em meio à campanha sucessória entre São Paulo e Minas Gerais. Foto: Acervo/Estadão ▲
9 | 45 O gaúcho, marechal Hermes da Fonseca foi o primeiro militar a chegar à Presidência pelo voto direto. Foto: Acervo/Estadão ▲
11 | 45 O paulista Rodrigues Alves teria sido o primeiro presidente a voltar ao posto, pois chegou a ser eleito para um novo mandato. Mas morreu antes de tomar posse, vitimado pela gripe espanhola. Foi substituído pelo vice Delfim Moreira. Foto: Acervo/Estadão ▲
12 | 45 Eleito vice-presidente nas eleições de 1918, o advogado mineiro, Delfim Moreira, assumiu a Presidência, como interino, devido à enfermidade do presidente eleito, Rodrigues Alves. Com a morte de Rodrigues Alves, Moreira assumiu o cargo até a realização de novas eleições em abril de 1919. Foto: Acervo/Estadão ▲
14 | 45 O mineiro Artur Bernardes enfrentou as revoltas tenentistas e o movimento operário e reprimiu violentamente sua oposição e governou os quatro anos de seu mandato sob estado de sítio. Foto: Acervo/Estadão ▲
15 | 45 Washington Luís, candidato único nas eleições de 1926, foi último presidente da chamada República Velha. Foto: Acervo/Estadão ▲
16 | 45 Após vencer uma eleição marcada por fraudes, Júlio Prestes não chega a tomar posse. A Revolução de 1930 depõe Washington Luís da Presidência e dá início ao período histórico conhecido como Segunda República Brasileira. Foto: Acervo/Estadão ▲
17 | 45 Durante a Revolução de 1930, o general Mena Barreto, juntamente com o general Tasso Fragoso e almirante José Isaías de Noronha, formam a junta militar governativa provisória que assumiu o Poder Executivo por 10 dias até a posse de Getúlio Vargas como chefe do governo provisório. Foto: Acervo/Estadão ▲
18 | 45 Getúlio Vargas assume o governo. Acusado de ser contra a ordem constitucional, enfrenta oposição de paulistas durante a Revolução Constitucionalista de 1932. A revolta paulista é derrotada, mas Vargas assume o compromisso de promulgar uma nova constituição e convoca uma constituinte para 1934. É, então, eleito presidente indiretamente pelo Congresso para o quatriênio de 1934 a 1938. Foto: Acervo/Estadão ▲
19 | 45 Em 1937, sob a alegação de um plano comunista para tomar o poder, o Congresso decretaa Estado de Guerra e suspender direitos constitucionais.Getúlio Vargas dá um golpe de estado, dissolve o Senado e a Câmara Federal e outorga uma nova constituição. Autoritária e centralizadora, a carta concedia largo poder ao executivo, era o início da ditadura do Estado Novo. Sob o comamndo de Vargas o País entra na Segunda Guerra Mundial, desenvolve sua indústria siderúrgica e amplia sua legislação trabalhista com a criação da CLT. Foto: Acervo/Estadão ▲
21 | 45 O marechal Eurico Gaspar Dutra foi o único presidente mato-grossense. Seu governo representou a consolidação dos políticos conservadores. Ele instituiu a democracia representativa por meio da Constituição de 1946 e, já no contexto da Guerra Fria, aproximou o País dos Estados Unidos e colocou o PCB na ilegalidade. Foto: Acervo/Estadão ▲
22 | 45 Getúlio Vargas retorna à Presidência pelo voto direto. Seu governo foi marcado por investimentos na industrialização, combate à inflação e por turbulências econômicas, sociais e políticas. Vargas perde apoio político e, após o atentado fracassado contra Carlos Lacerda, seu maior opositor. Recebe ultimato das Forças Armadas que pedem sua renúncia e se suicida com um tiro no peito nos seus aposentos no Palácio do Catete. Foto: Acervo/Estadão ▲
23 | 45 Vice de Getúlio Vargas, Café Filho assumiu a Presidência após o suicídio de Getúlio Vargas, durante um período de grande comoção e instabilidade. Em meio à turbulência política provocada pela vitória de JK nas eleições de 1955, sofre um enfarte que o afastou do poder. Foto: Acervo/Estadão ▲
24 | 45 Carlos Luz,então presidente da Câmara dos Deputados, assumiu a Presidência após o enfarte de Café Filho. Foi impedido de governar após o 11 de novembro, movimento legalista cujo objetivo era assegurar a posse de Juscelino Kubitschek e João Goulart, presidente e vice-presidente eleitos nas eleições de 1955. Foto: Acervo/Estadão ▲
25 | 45 Na qualidade de 1º vice-presidente do Senado Federal, Nereu Ramos assume a Presidência após o impeachment de Carlos Luz e durante o afastamento de Café Filho. Até a posse de JK, Ramos governa sob estado de sítio convocado pelo Congresso, a pedido dos ministros militares. Foto: Acervo/Estadão ▲
26 | 45 Vencedor nas eleições de 1955, Juscelino Kubitschek governou num período de estabilidade política. Ancorado no Plano de Metas, JK conduziu importantes reformas sociais, criou a Sudene, construiu Brasília, abriu o País para o capital estrangeiro e investiu no setor automobilístico. O progresso e prosperidade vivenciados no período vieram a um alto custo, com o aumento da dívida externa. A economia sofreu com uma crise financeira provocada por elevadas taxas de juros, desvalorização da moeda e alta da inflação. Foto: Acervo/Estadão ▲
27 | 45 Eleito em 1960, com uma plataforma que prometia varrer a corrupção do País, Jânio Quadros conduziu um governo marcado pelo conservadorismo dos costumes e pela guinada na diplomacia brasileira, marcada pela aproximação com países socialistas no contexto da Guerra Fria. Em agosto de 1961, com o apoio político reduzido e declarando-se perseguido, Jânio renuncia. Foto: Acervo/Estadão ▲
28 | 45 Na ausência do vice-presidente João Goulart, o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, assume a Presidência interinamente após a renúncia de Jânio Quadros. Os ministros militares tentam impedir a posse de Jango, mas o movimento pela legalidade ganha força no País. O Congresso, então, instituiu o parlamentarismo, cuja manutenção seria definida por meio de plebiscito antes do final do mandato de Goulart. Foto: Acervo/Estadão ▲
30 | 45 Com o golpe militar e a deposiçã João Goulart, Ranieri Mazzilli assumiu mais uma vez a Presidência. Uma junta militar formada pelos três ministros militares detém o comando do País. Tem início o período da ditadura militar que duraria 21 anos.. Foto: Acervo/Estadão ▲
31 | 45 O marechal Humberto Castelo Branco foi o primeiro presidente da ditatura militar. Escolhido pelos militares, o Castelo Branco teve seu nome referendado pelo Congresso. Durante o mandato foi criado o Serviço Nacional de Informações, foram extinguidos os partidos políticos, editados os Atos Institucionais número 2, 3 e 4 e uma nova Constituição foi promulgada. Foto: Acervo/Estadão ▲
32 | 45 O marechal Artur da Costa e Silva deu início ao período linha-dura do regime, com violenta repressão às manifestações estudantis e operárias e a aprovação do AI-5, que autorizava o fechamento do Congresso Nacional, a cassação de mandatos políticos e a censura. Nesse período se intensifica a repressão e a tortura de pessoas contrárias à ditadura. Em 1969, Costa e Silva sofre um derrame e é afastado do governo. Foto: Acervo/Estadão ▲
33 | 45 Os ministros do Exército Aurélio Lyra Tavares, da Marinha Augusto Rademaker e da Aeronáutica Márcio de Souza Mello assumiram o poder após o derrame de Costa e Silva. Nos dois meses que ficaram no poder, baixaram diversos atos institucionais, tiveram que administrar o sequestro do embaixador dos EUA por guerrilheiros e instituíram nova Lei de Segurança Nacional. Foto: Acervo/Estadão ▲
34 | 45 O general Emílio Garrastazu Médici foi indicado pelo Alto Comando das Forças Armadas para suceder Costa e Silva. Sob seu governo a ditadura endureceu, foi instituíada a censura prévia a livros e periódicos e delegada aos DOI-CODI a tarefa de perseguir os que se opunham ao regime. Durante seu mandato, a prática da tortura, ainda que condenada em público, aumentou. Foto: Acervo/Estadão ▲
36 | 45 O governo do general João Baptista Figueiredo encerrou o período da ditadura militar no Brasil. Figueiredo conduziu o processo de abertura política. Decretou a anistia aos punidos pelos atos de exceção do regime militar, efetivamente libertando presos políticos e permitindo o retorno de exilados. Realizou a reforma partidária que acabou com o bipartidarismo e enfrentou uma série de atentados - o principal deles, no Riocentro - que ameaçaram o processo. Foto: Plínio Santos/ Estadão ▲
38 | 45 Indicado pelo Colégio Eleitoral como vice, José Sarney assumiu a Presidência interinamente durante a convalescença de Tancredo Neves e em definitivo após sua morte. Seu governo foi marcado pelo respeito às liberdades democráticas. Símbolo maior desse esforço foi a promulgação da Constituição de 1988. O período também foi marcado por casos de violência no campo, alta da inflação e denúncias de corrupção. Foto: Joveci de freitas/ Estadão ▲
39 | 45 Fernando Collor de Mello foi o presidente mais jovem do País e o primeiro a ser eleito pelo voto direto depois da ditadura militar. Seu mandato por controversos planos econômicos que envolveram o confisco das cadernetas de poupança e a mudança da moeda. Na política externa, capitaneou a criação do Mercosul e abriu o País para as importações. O escândalo de corrupção envolvendo seu tesoureiro de campanaha PC Farias fizeram seu apoio político ruir, culminando no seu processo de impeachment e em sua renúncia. Foto: Agliberto Lima/ Estadão ▲
40 | 45 O mineiro Itamar Franco foi eleito para a vice-presidente em 1989, com o impeachment de Collor, assume o posto mais alto da República. Itamar promoveu ajustes fiscais e privatizações para aliviar as despesas da máquina, estabeleceu políticas para estabilizar a inflação e lançou o Plano Real, que deu início a um novo ciclo de desenvolvimento econômico. Foto: Carlão limeira/ Estadão ▲
41 | 45 Eleito na esteira do sucesso do Plano Real, Fernando Henrique Cardoso fez um primeiro mandato focado no combate à inflação e na consolidação da estabilidade da economia. Instituiu programas de transferência de renda e de combate à fome, avanço nos processo de privatização de estatais e realizou a uma série de reformas do Estado. Conseguiu aprovar a Lei da Reeleição e venceu a eleição de 1998. No segundo mandato, FHC viu sua popularidade cair pouco depois da posse, desgastada pela deterioração da economia, por escândalos envolvendo a base aliada e por uma crise energética. Entre os avanços estão a criação dos medicamentos genéricos e a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal. Foto: José Paulo Lacerda/Estadão ▲
42 | 45 Com um discurso centrado no combate à miséria, Lula foi eleito presidente em 2002. No início do seu primeiro mandato lançou o Programa Fome Zero, criado para garantir a segurança alimentar de milhões de brasileiros e o Bolsa Família que ajuda milhares de famílias de baixa renda. Com alta popularidade, resistiu a escândalos de corrupção em seu governo, como o mensalão, enfrentou o "apagão aéreo" e a cisão interna do PT. Durante sua Presidência o Brasil vivenciou um período de prosperidade e crescimento econômico. Em seu segundo mandato, manteve a política econômica vigente e lançou o PAC - cuja administradora mais visível tornou-se sua sucessora, Dilma Roussef. Foto: Ed Ferreira/Estadão ▲
43 | 45 Dilma Rousseff foi a primeira mulher eleita presidente do Brasil. Seu governo, o quarto do Partido dos Trabalhadores no comando do Executivo, centrou esforços em torno dos programas sociais e de infraestrutura como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). No seu primeiro mandato, Dilma retirou de sua administração figurars envolvidas em casos de corrupção e enfrentou as conturbações sociais produzidas pelas manifestações de junho de 2013. Foi reeleita. Mas viu a base de apoio de seu governo minguar diante da crise econômica e das revelações da Operação Lava-Jato, que apontaram o envolvimento do PT no esquema de corrupção investigado. Acusada de realizar manobras no Tesouro para engordar contas públicas, sofreu impeachment por crime de responsabilidade, mas não perdeu seus direitos políticos. Candidatou-se ao Senado em 2018. Foto: Wilton Júrinor/ Estadão ▲
44 | 45 Com o impeachment de Dilma Rousseff, Michel Temer assume a Presidência da República e chega ao Planalto com a promessa de tocar uma agenda reformista e voltada para cortes dos gastos públicos. Com maioria no Congresso, consegue a aprovação da PEC do Teto, que limita o crescimento dos gastos públicos à variação da inflação, aprova a reforma Trabalhista e leva à pauta a da Previdência. No decorrer da Operação Lava- Jato, importantes ministros e políticos da base aliada são atingidos por escândalos. Em maio de 2017, a crise atinge em cheio o governo com a divulgação de áudio onde Temer é implicado em caso de obstrução de justiça e corrupção. Sua popularidade despencou. No mesmo, ano o governo Temer registra um dos mais baixos níveis de aprovação. Foto: Gabriela Biló/ Estadão ▲
45 | 45 O deputado Jair Bolsonaro (PSL ) vence Fernando Haddad (PT) e se torna o presidente eleito do País nas eleições de 2018. Clique aqui para conhecer a história de Jair Bolsonaro nas páginas do jornal. Foto: Marcos Arcoverde/Estadão ▲
Após a decisão doTribunal Superior Eleitoral (TSE) que negou o registro da candidatura do líder petista, Bolsonaro assumiu a primeira posição corrida presidencial. Os escassos oito segundos de tempo de televisão não foram um problema para o deputado. Nem mesmo os ataques constantes de Geraldo Alckmin (PSDB) por meio de seus mais de cinco minutos de propagandas na TV conseguiram atingir a estratégia bem planejada do capitão reformado na internet. Bolsonaro liderou as intenções de voto de ponta a ponta.
Jair Bolsonaro no Hospital Albert Einstein. Foto: Flavio Bolsonaro/Twitter
Biografia e trajetória no Exército
Nascido no dia 21 de março de 1955 na cidade de Glicério - município do interior de São Paulo com 4,8 mil habitantes - e registrado em Campinas (SP), Bolsonaro tem seis irmãos e é filho de Olinda Bonturi e Percy Geraldo Bolsonaro. O nome de batismo Jair é uma homenagem ao jogador Jair da Rosa Pinto, meia que atuou pelo Palmeiras e pela seleção brasileira nos anos 50.
O presidente eleito entrou na carreira militar ao passar no concurso da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em Resende (RJ), no ano de 1974, com 19 anos. Depois da formação como oficial, Bolsonaro fez o curso de paraquedismo militar e deixou a Academia.
De lá, foi para o Rio de Janeiro, onde fez o curso de formação em educação física do Exército e participou do 8º Grupo de Artilharia de Campanha Paraquedista, entre 1983 e 1986.
Foi nesta época que o futuro político de Bolsonaro começou a se desenhar. Em 86, o então capitão protestou contra o valor dos salários dos cadetes da Aman em um artigo na revista Veja. A publicação do artigo levou o militar à prisão por 15 dias, porque teria infringido o regulamento disciplinar.
Com o protesto, Bolsonaro ganhou simpatia das esposas dos oficiais e do baixo clero do Exército. Já em 87, o capitão se viu encurralado depois que a mesma revista Veja divulgou um suposto plano em que o militar e um colega planejavam explodir bombas em unidades militares.
Bolsonaro e Fábio Passos faziam parte da Escola Superior de Aperfeiçoamento de Oficiais (ESAO) e tinham divergências com o comando do Exército. Quando a revista publicou a matéria, com o título de “Pôr bomba nos quartéis, um plano na ESAO”, no dia 25 de outubro de 1987, os militares foram convocados a dar explicações, mas negaram participar do plano, assim como o contato com a revista.
Na edição seguinte, a revista publicou uma reportagem que mostrava um suposto desenho de onde as bombas seriam detonadas. Os croquis teriam sido desenhados por Bolsonaro. Depois dessa matéria, foi aberta uma sindicância na Escola, que se desenrolou em um Conselho de Justificação eem julgamento no Superior Tribunal Militar.
Depois de meses de investigação, Bolsonaro saiu inocentado. Não estava claro, mesmo depois de quatro exames grafotécnicos, que os desenhos eram do punho do militar. Dois exames indicaram que era impossível determinar a autoria e outros dois confirmaram como do punho de Bolsonaro.
Já era junho de 88 quando o militar foi considerado inocente, por 8 ministros que acompanharam o relator, dentro de um colegiado de 13. Seis meses depois, o capitão vai para a reserva e se elege como vereador da cidade do Rio de Janeiro, pelo Partido Democrata Cristão (PDC), com 11.062 votos. Na época, o político buscava representar as causas das famílias de militares.
Atividade parlamentar em Brasília
Depois de Fernando Collor ser eleito na eleição de 1989, a primeira presidencial com voto direto depois da ditadura militar, os eleitores voltaram às urnas em 1990 para escolher os parlamentares e governadores. Entre os 514 deputados, Jair Bolsonaro foi eleito - ainda pelo PDC - com 67.041 votos, pelo Rio de Janeiro.
Segurando coturnos dos soldados, o deputado Jair Bolsonaro discursa sobre os contratos de licitação do Exército no Plenário da Câmara. Brasília, DF. 28/10/1991. Foto: Protásio Nêne/Estadão
Durante o processo de impeachment de Fernando Collor, Bolsonaro votou contra o presidente, assim como 441 deputados. Em 1993, trocou pela primeira vez de partido, uma prática que se tornaria comum em sua carreira política. O capitão reformado foi para o Partido Progressista Reformador (PPR), que era uma fusão do PDC e do Partido Democrático Social (PDS).
O deputado Jair Bolsonaro responde cartas de elitores no seu gabinete em Brasília, DF. 02/8/1995. Foto: José Varella/ Estadão
Nas eleições de 2018, Bolsonaro foi o candidato que mais trocou de partido: atualmente, está na nona sigla diferente (PDC, 1989-1993; PP, 1993; PPR, 1993-1995; PPB, 1995-2003; PTB, 2003-2005; PFL, 2005; PP, 2005-2016; PSC, 2016-2018; PSL, 2018-). Impulsionado pela popularidade do presidente eleito, o atual partido saiu de 8 para 52 deputados federais e deverá ser uma das principais forças do Congresso Nacional na próxima legislatura.
Polêmicas
As primeiras polêmicas do candidato começaram ainda no seu primeiro mandato. Em discurso no dia 24 de junho de 1993, o político defendeu a volta de um regime de exceção com tempo determinado e o fechamento do poder legislativo.
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Os graves problemas do Brasil jamais serão resolvidos em uma democracia irresponsável
Jair Bolsonaro, discurso no plenário da Câmara em 1993
Na época, o discurso rendeu diversas críticas de outros parlamentares e do então presidente da Câmara, Inocêncio Oliveira (PFL), que pediu a abertura de um processo contra o deputado.
Apesar das críticas, Bolsonaro também recebeu apoios, que se transformam em votos nas eleições do ano seguinte.
Em 1994, os votos recebidos pelo ex-capitão aumentaram. Bolsonaro foi reeleito para a Câmara com 111.927. No primeiro ano da nova legislatura, trocou de partido mais uma vez: foi para o PPB.
Em 1998, Bolsonaro defendeu que os sequestradores do empresário Abílio Diniz, presos e condenados no Brasil, deveriam ser torturados antes de sofrer pena de morte.
JORNAL O ESTADO DE S. PAULO. EDIÇÃO DE 18 DE ABRIL DE 1998 - PAG. 24 Foto:
Em 1999, o deputado teve dois grandes momentos de polêmica. No mês de maio, ele participou do programa Câmara Aberta, da então TV Bandeirantes, e disse mais uma vez que o Congresso deveria ter sido fechado e que a ditadura militar deveria ter matado mais pessoas, incluindo o presidente da República.
JORNAL O ESTADO DE S. PAULO - EDIÇÃO DE 25 DE MAIO DE 1999 - PAG. 6 Foto:
No período da ditadura, deviam ter fuzilado uns 30 mil corruptos, a começar pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, que era das esquerdas, o que seria um grande ganho para a nação
Jair Bolsonaro, programa Câmara Aberta, na TV Bandeirantes, em 1999
Apesar das reações do presidente da República, da Câmara, e de outros parlamentares, Bolsonaro não respondeu a processo por quebra de decoro.
No mês seguinte, o político deu mais uma declaração polêmica sobre o ex-padre José Antônio Monteiro, que havia sido internado com pressão alta em Brasília. José Antônio Monteiro foi torturado por lutar contra a ditadura pelo PCdoB.
Jornal O Estado de São Paulo, 17 DE JUNHO DE 1999, P. 6. Foto:
Na última legislatura, Bolsonaro foi membro titular das comissões de Direitos Humanos e Minorias, de Relações Exteriores e Defesa Nacional, de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, e de Educação.
O julgamento do mensalão, a operação Lava-Jato e a condução econômica do governo Dilma Rousseff desgastaram a imagem do Partido dos Trabalhadores. Em 2014, o PT ganhou as eleições presidenciais com a menor vantagem desde 2002: foram apenas 3,4 milhões de votos de diferença, cerca de 3%.
Jair Bolsonaro dentro do avião com destino ao Rio de Janeiro após receber alta Foto: REUTERS/Leonardo Benassatto
Naquela eleição, Bolsonaro recebeu 464.572 votos, conquistando seu sétimo mandato como deputado federal, pelo Estado do Rio de Janeiro.
Com o esfarelamento do governo de Dilma Rousseff pós-eleições 2014 e a abertura do processo do impeachment, em 2016, Bolsonaro ganhou mais projeção. Na votação para autorizar ou não a abertura do processo contra a presidente, no dia 17 de abril de 2016, o presidente eleito voltou a ser o centro de uma polêmica.
Ao declarar o voto a favor do afastamento de Dilma, o então deputado homenageou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, torturador na ditadura reconhecido pela Justiça.
Em discurso, Jair Bolsonaro evocou torturadores da presidente Dilma durante a ditadura Foto: reprodução