Quem é Jair Bolsonaro? Conheça a história do novo presidente eleito do Brasil

Como um capitão reformado do Exército, deputado por sete mandatos, desbancou os principais partidos do País para chegar à Presidência

Igor Moraes e Victor Sena - especial para O Estado de S. Paulo

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Sem tempo de TV, candidato por um partido nanico e vítima de um atentado com faca no meio da campanha eleitoral. Nenhuma destas adversidades foi capaz de impedir que Jair Bolsonaro (PSL) se elegesse, aos 63 anos de idade, o 38º presidente da República da história do Brasil neste domingo, 28. Bolsonaro é o terceiro militar eleito pelo voto

Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência da República Foto: Wilton Junior/Estadão

Em seu sétimo mandato consecutivo, o deputado federal bateu Fernando Haddad por uma margem de 55% dos votos válidos. A vitória quebra a hegemonia de vitórias do PT e PSDB nas urnas, partidos que desde 1994 dominavam as eleições para o Palácio do Planalto.

Campanha vitoriosa

Com 13 candidatos, a campanha deste ano começou com uma pulverização dos votos, mas as pesquisas mantinham Bolsonaro à frente nos cenários sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso e condenado pela Lava Jato em Curitiba.

Galeria: presidentes do Brasil, de Deodoro a Bolsonaro

Presidentes do Brasil: de Deodoro a Bolsonaro

1 | 45 Acervo Estadão relembra a história das sucessões presidenciais e todas as eleições desde 1891. Confira Foto: Marcos Arcoverde/Estadão
2 | 45 O marechal Deodoro da Fonseca proclamou a República e chefiou o governo provisório até janeiro de 1891, quando foi eleito indiretamente o primeiro Presidente do Brasil.  Foto: Acervo/Estadão
3 | 45 O marechal Floriano Peixoto assumiu a Presidência após a renúncia do marechal Deodoro da Fonseca. Foto: Acervo/Estadão
4 | 45 Prudente de Morais foi o primeiro presidente eleito diretamente no País. Foto: Acervo/Estadão
5 | 45 Ex-governador de São Paulo, Campos Sales teve seu mandato marcado pelo combate à inflação e à desvalorização da moeda. Sob o seu governo aconteceu o reescalonamento da dívida brasileira.  Foto: Acervo/Estadão
6 | 45 Governo do paulista Rodrigues Alves foi marcado pelo plano de valorização do café e pelo plano de reurbanização e saneamento da capital da República.  Foto: Acervo/Estadão
7 | 45 Afonso Pena foi o primeiro presidente mineirodo País.  Foto: Acervo/Estadão
8 | 45 Com a morte de Afonso Pena, seu vice Nilo Peçanha assume o governo e completando o mandato em meio à campanha sucessória entre São Paulo e Minas Gerais. Foto: Acervo/Estadão
9 | 45 O gaúcho, marechal Hermes da Fonseca foi o primeiro militar a chegar à Presidência pelo voto direto. Foto: Acervo/Estadão
10 | 45 A vitória do mineiro Venceslau Brás representou o restabelecimento da política dos governadores. Sob seu governo o Brasil declarou guerra ao Império Alemão e entrou na Primeira Guerra Mundial.  Foto: Acervo/Estadão
11 | 45 O paulista Rodrigues Alves teria sido o primeiro presidente a voltar ao posto, pois chegou a ser eleito para um novo mandato. Mas morreu antes de tomar posse, vitimado pela gripe espanhola. Foi substituído pelo vice Delfim Moreira. Foto: Acervo/Estadão
12 | 45 Eleito vice-presidente nas eleições de 1918, o advogado mineiro, Delfim Moreiraassumiu a Presidência, como interino, devido à enfermidade do  presidente eleito, Rodrigues Alves. Com a morte de Rodrigues Alves, Moreira assumiu o cargo até a realização de novas eleições em abril de 1919.   Foto: Acervo/Estadão
13 | 45 O paraibano Epitácio Pessoa foi eleito em 1919. Seu governo promoveu certo desenvolvimento do Nordeste, mas fo período foi crítico, sinal do desgaste das forças política no poder. Exemplos disso foi a Revolta do Forte de Copacabana e a ascensão do Movimento Tenentista que deram início a uma série de levantes militares nos anos 1920. Foto: Acervo/ Estadão
14 | 45 O mineiro Artur Bernardes enfrentou as revoltas tenentistas e o movimento operário e reprimiu violentamente sua oposição e governou os quatro anos de seu mandato sob estado de sítio.  Foto: Acervo/Estadão
15 | 45 Washington Luís, ​candidato único nas eleições de 1926, ​foi último presidente da chamada República Velha. Foto: Acervo/Estadão
16 | 45 Após vencer uma eleição marcada por fraudes, Júlio Prestes não chega a tomar posse. A Revolução de 1930 depõe Washington Luís da Presidência e dá início ao período histórico conhecido como Segunda República Brasileira.   Foto: Acervo/Estadão
17 | 45 Durante a Revolução de 1930, o general Mena Barreto, juntamente com o general Tasso Fragoso  e almirante José Isaías de Noronha, formam a junta militar governativa provisória que assumiu o Poder Executivo por 10 dias até a posse de Getúlio Vargas como chefe do governo provisório. Foto: Acervo/Estadão
18 | 45 Getúlio Vargas assume o governo. Acusado de ser contra a ordem constitucional, enfrenta oposição de paulistas durante a Revolução Constitucionalista de 1932. A revolta paulista é derrotada, mas Vargas assume o compromisso de promulgar uma nova constituição e convoca uma constituinte para 1934. É, então,  eleito presidente indiretamente pelo Congresso para o quatriênio de 1934 a 1938.  Foto: Acervo/Estadão
19 | 45 Em 1937, sob a alegação de um plano comunista para tomar o poder, o Congresso decretaa Estado de Guerra e suspender direitos constitucionais.Getúlio Vargas dá um golpe de estado, dissolve o Senado e a Câmara Federal e outorga uma nova constituição. Autoritária e centralizadora, a carta concedia largo poder ao executivo, era o início da ditadura do Estado Novo. Sob o comamndo de Vargas o País entra na Segunda Guerra Mundial, desenvolve sua indústria siderúrgica e amplia sua legislação trabalhista com a criação da CLT. Foto: Acervo/Estadão
20 | 45 José Linhares, presidente do Supremo Tribunal Federal, assumiu a Presidência após a renúncia de Vargas com a tarefa de realizar eleições gerais do País. Ficou três meses no poder. Foto: Acervo/ Estadão
21 | 45 O marechal Eurico Gaspar Dutra foi o único presidente mato-grossense. Seu governo representou a consolidação dos políticos conservadores. Ele instituiu a democracia representativa por meio da Constituição de 1946 e, já no contexto da Guerra Fria, aproximou o País dos Estados Unidos e  colocou o PCB na ilegalidade.   Foto: Acervo/Estadão
22 | 45 Getúlio Vargas retorna à Presidência pelo voto direto. Seu governo foi marcado por investimentos na industrialização, combate à inflação e por turbulências econômicas, sociais e políticas. Vargas perde apoio político e, após o atentado fracassado contra Carlos Lacerda, seu maior opositor. Recebe ultimato das Forças Armadas que pedem sua renúncia e se suicida com um tiro no peito nos seus aposentos no Palácio do Catete. Foto: Acervo/Estadão
23 | 45 Vice de Getúlio Vargas, Café Filho assumiu a Presidência após o suicídio de Getúlio Vargas, durante um período de grande comoção e instabilidade. Em meio à turbulência política provocada pela vitória de JK nas eleições de 1955, sofre um enfarte que o afastou do poder. Foto: Acervo/Estadão
24 | 45 Carlos Luz,então presidente da Câmara dos Deputados, assumiu a Presidência após o enfarte de Café Filho. Foi impedido de governar após o 11 de novembro, movimento legalista cujo objetivo era assegurar a posse de Juscelino Kubitschek e João Goulart, presidente e vice-presidente eleitos nas eleições de 1955. Foto: Acervo/Estadão
25 | 45 Na qualidade de 1º vice-presidente do Senado Federal, Nereu Ramos assume a Presidência após o impeachment de Carlos Luz e durante o afastamento de Café Filho. Até a posse de JK, Ramos governa sob estado de sítio convocado pelo Congresso, a pedido dos ministros militares. Foto: Acervo/Estadão
26 | 45 Vencedor nas eleições de 1955, Juscelino Kubitschek governou num período de estabilidade política. Ancorado no Plano de Metas, JK conduziu importantes reformas sociais, criou a Sudene, construiu Brasília, abriu o País para o capital estrangeiro e investiu no setor automobilístico. O progresso e prosperidade vivenciados no período vieram a um alto custo, com o aumento da dívida externa. A economia sofreu com uma crise financeira provocada por elevadas taxas de juros, desvalorização da moeda e alta da inflação. Foto: Acervo/Estadão
27 | 45 Eleito em 1960, com uma plataforma que prometia varrer a corrupção do País, Jânio Quadros conduziu um governo marcado pelo conservadorismo dos costumes e pela guinada na diplomacia brasileira, marcada pela aproximação com países socialistas no contexto da Guerra Fria. Em agosto de 1961, com o apoio político reduzido e declarando-se perseguido, Jânio renuncia.  Foto: Acervo/Estadão
28 | 45 Na ausência do vice-presidente João Goulart, o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, assume a Presidência interinamente após a renúncia de Jânio Quadros. Os ministros militares tentam impedir a posse de Jango, mas o movimento pela legalidade ganha força no País. O Congresso, então, instituiu o parlamentarismo, cuja manutenção seria definida por meio de plebiscito antes do final do mandato de Goulart. Foto: Acervo/Estadão
29 | 45 Em 1961, João Goulart assume a Presidência dentro do provisório sistema parlamentarista. Em 1963, após  plebiscito em que o presidencialismo obteve ampla vitória, recupera os poderes do cargo. Seu governo foi marcado por uma grave crise política, econômica e social. Jango foi deposto pelo golpe militar de 1964. Foto: Acervo/Estadão
30 | 45 Com o golpe militar e a deposiçã João Goulart, Ranieri Mazzilli assumiu mais uma vez a Presidência. Uma junta militar formada pelos três ministros militares detém o comando do País. Tem início o período da ditadura militar que duraria 21 anos.. Foto: Acervo/Estadão
31 | 45 O marechal Humberto Castelo Branco foi o primeiro presidente da ditatura militar. Escolhido pelos militares, o Castelo Branco teve seu nome referendado pelo Congresso. Durante o mandato foi criado o Serviço Nacional de Informações, foram extinguidos os partidos políticos, editados os Atos Institucionais número 2, 3 e 4 e uma nova Constituição foi promulgada.   Foto: Acervo/Estadão
32 | 45 O marechal Artur da Costa e Silva deu início ao período linha-dura do regime, com violenta repressão às manifestações estudantis e operárias e a aprovação do AI-5,  que autorizava o fechamento do Congresso Nacional, a cassação de mandatos políticos e a censura. Nesse período se intensifica a repressão e a tortura de pessoas contrárias à ditadura. Em 1969,  Costa e Silva sofre um derrame e é afastado do governo. Foto: Acervo/Estadão
33 | 45 Os ministros do Exército Aurélio Lyra Tavares, da Marinha Augusto Rademaker e da Aeronáutica Márcio de Souza Mello assumiram o poder após o derrame de Costa e Silva. Nos dois meses que ficaram no poder, baixaram diversos atos institucionais, tiveram que administrar o sequestro do embaixador dos EUA por guerrilheiros e instituíram nova Lei de Segurança Nacional. Foto: Acervo/Estadão
34 | 45 O general Emílio Garrastazu Médici foi indicado pelo Alto Comando das Forças Armadas para suceder Costa e Silva. Sob seu governo a ditadura endureceu, foi instituíada a censura prévia a livros e periódicos e delegada aos DOI-CODI a tarefa de perseguir os que se opunham ao regime. Durante seu mandato, a prática da tortura, ainda que condenada em público, aumentou.  Foto: Acervo/Estadão
35 | 45 Eleito indiretamente por votação no Congresso Nacional, o general Ernesto Geisel deu início ao lento processo de abertura política durante a ditadura militar. No seu governo foi criada a Lei Falcão, implementado o Pacote de Abril e lançado o programa Proálcool. O movimento operário do ABC ganhou força e a mobilização pela retomada da democracia cresceu após a morte do jornalista Vladimir Herzog por agentes do regime. Foto: Acervo/Estadão
36 | 45 O governo do general João Baptista Figueiredo encerrou o período da ditadura militar no Brasil. Figueiredo conduziu o processo de abertura política. Decretou a anistia aos punidos pelos atos de exceção do regime militar, efetivamente libertando presos políticos e permitindo o retorno de exilados. Realizou a reforma partidária que acabou com o bipartidarismo e enfrentou uma série de atentados - o principal deles, no Riocentro - que ameaçaram o processo.  Foto: Plínio Santos/ Estadão
37 | 45 Um dos principais líderes do movimento Diretas JáTancredo Neves foi eleito presidente da República pelo Colégio Eleitoral. Sua eleição representou a chegada da oposição ao poder e a esperança da volta da democracia ao País. Tancredo morreu antes de assumir a Presidência. Foto: Acervo/Estadão
38 | 45 Indicado pelo Colégio Eleitoral como vice, José Sarney assumiu a Presidência interinamente durante a convalescença de Tancredo Neves e em definitivo após sua morte. Seu governo foi marcado pelo respeito às liberdades democráticas. Símbolo maior desse esforço foi a promulgação da Constituição de 1988. O período também foi marcado por casos de violência no campo, alta da inflação e denúncias de corrupção.  Foto: Joveci de freitas/ Estadão
39 | 45 Fernando Collor de Mello foi o presidente mais jovem do País e o primeiro a ser eleito pelo voto direto depois da ditadura militar. Seu mandato  por controversos planos econômicos que envolveram o confisco das cadernetas de poupança e a mudança da moeda. Na política externa, capitaneou a criação do Mercosul e abriu o País para as importações. O escândalo de corrupção envolvendo seu tesoureiro de campanaha PC Farias fizeram seu apoio político ruir, culminando no seu processo de impeachment e em sua renúncia. Foto: Agliberto Lima/ Estadão
40 | 45 O mineiro Itamar Franco foi eleito para a vice-presidente em 1989, com o impeachment de Collor, assume o posto mais alto da República. Itamar promoveu ajustes fiscais e privatizações para aliviar as despesas da máquina, estabeleceu políticas para estabilizar a inflação e lançou o Plano Real, que  deu início a um novo ciclo de desenvolvimento econômico. Foto: Carlão limeira/ Estadão
41 | 45 Eleito na esteira do sucesso do Plano Real,  Fernando Henrique Cardoso fez um primeiro mandato focado no combate à inflação e na consolidação da estabilidade da economia. Instituiu programas de transferência de renda e de combate à fome, avanço nos processo de privatização de estatais e realizou a uma série de reformas do Estado. Conseguiu aprovar a Lei da Reeleição e venceu a eleição de 1998. No segundo mandato, FHC viu sua popularidade cair pouco depois da posse, desgastada pela deterioração da economia, por escândalos envolvendo a base aliada e por uma crise energética. Entre os avanços estão a criação dos medicamentos genéricos e a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal. Foto: José Paulo Lacerda/Estadão
42 | 45 Com um discurso centrado no combate à miséria, Lula foi eleito presidente em 2002. No início do seu primeiro mandato lançou o Programa Fome Zero, criado para garantir a segurança alimentar de milhões de brasileiros e o Bolsa Família que ajuda milhares de famílias de baixa renda. Com alta popularidade, resistiu a escândalos de corrupção em seu governo, como o mensalão, enfrentou o "apagão aéreo" e a cisão interna do PT. Durante sua Presidência o Brasil vivenciou um período de prosperidade e crescimento econômico. Em seu segundo mandato, manteve a política econômica vigente e lançou o PAC - cuja administradora mais visível tornou-se sua sucessora, Dilma Roussef. Foto: Ed Ferreira/Estadão
43 | 45 Dilma Rousseff foi a primeira mulher eleita presidente do Brasil. Seu governo, o quarto do Partido dos Trabalhadores no comando do Executivo, centrou esforços em torno dos programas sociais e de infraestrutura como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). No seu primeiro mandato, Dilma retirou de sua administração figurars envolvidas em casos de corrupção e enfrentou as conturbações sociais produzidas pelas manifestações de junho de 2013. Foi reeleita. Mas viu a base de apoio de seu governo minguar diante da crise econômica e das revelações da Operação Lava-Jato, que apontaram o envolvimento do PT no esquema de corrupção investigado. Acusada de realizar manobras no Tesouro para engordar contas públicas, sofreu impeachment por crime de responsabilidade, mas não perdeu seus direitos políticos. Candidatou-se ao Senado em 2018. Foto: Wilton Júrinor/ Estadão
44 | 45 Com o impeachment de Dilma Rousseff, Michel Temer assume a Presidência da República e chega ao Planalto com a promessa de tocar uma agenda reformista e voltada para cortes dos gastos públicos. Com maioria no Congresso, consegue a aprovação da PEC do Teto, que limita o crescimento dos gastos públicos à variação da inflação, aprova a reforma Trabalhista e leva à pauta a da Previdência. No decorrer da Operação Lava- Jato, importantes ministros e políticos da base aliada são atingidos por escândalos. Em maio de 2017, a crise atinge em cheio o governo com a divulgação de áudio onde Temer é  implicado em caso de obstrução de justiça e  corrupção. Sua popularidade despencou. No mesmo, ano  o governo Temer registra um dos mais baixos níveis de aprovação.  Foto: Gabriela Biló/ Estadão
45 | 45 O deputado Jair Bolsonaro (PSL ) vence Fernando Haddad (PT) e se torna o presidente eleito do País nas eleições de 2018. Clique aqui para conhecer a história de Jair Bolsonaro nas páginas do jornal.  Foto: Marcos Arcoverde/Estadão

Após a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que negou o registro da candidatura do líder petista, Bolsonaro assumiu a primeira posição corrida presidencial. Os escassos oito segundos de tempo de televisão não foram um problema para o deputado. Nem mesmo os ataques constantes de Geraldo Alckmin (PSDB) por meio de seus mais de cinco minutos de propagandas na TV conseguiram atingir a estratégia bem planejada do capitão reformado na internet. Bolsonaro liderou as intenções de voto de ponta a ponta.

Sua campanha presidencial – que contou com um tempo mais curto de propaganda eleitoral em 2018 – se transformou completamente após o atentado sofrido em Juiz de Fora, no dia 6 de setembro. Ferido por uma facada de Adélio Bispo de Oliveira, Bolsonaro passou por duas cirurgias e ficou três semanas internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Jair Bolsonaro (PSL), após ser vítima de atentado em Juiz de Fora (MG) Foto: Fabio Motta/Estadão

Na Unidade de Tratamento Intensivo, no entanto, continuou usando sua principal arma de campanha: as redes sociais. Sem poder promover atos de campanha na rua, gravou vídeos, postou fotos e não interrompeu a bem sucedida estratégia online de campanha.

Deixar de comparecer aos debates na televisão também não gerou efeitos negativos. Ao contrário, o presidente eleito evitou desgastes das discussões com adversários e assistiu seu índice de intenções de votos subir a cada pesquisa eleitoral. Com 46,03% dos votos válidos, quase venceu a eleição no primeiro turno.

Jair Bolsonaro no Hospital Albert Einstein.  Foto: Flavio Bolsonaro/Twitter

Biografia e trajetória no Exército

Nascido no dia 21 de março de 1955 na cidade de Glicério - município do interior de São Paulo com 4,8 mil habitantes - e registrado em Campinas (SP), Bolsonaro tem seis irmãos e é filho de Olinda Bonturi e Percy Geraldo Bolsonaro. O nome de batismo Jair é uma homenagem ao jogador Jair da Rosa Pinto, meia que atuou pelo Palmeiras e pela seleção brasileira nos anos 50.

O presidente eleito entrou na carreira militar ao passar no concurso da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em Resende (RJ), no ano de 1974, com 19 anos. Depois da formação como oficial, Bolsonaro fez o curso de paraquedismo militar e deixou a Academia.

De lá, foi para o Rio de Janeiro, onde fez o curso de formação em educação física do Exército e participou do 8º Grupo de Artilharia de Campanha Paraquedista, entre 1983 e 1986.

Foi nesta época que o futuro político de Bolsonaro começou a se desenhar. Em 86, o então capitão protestou contra o valor dos salários dos cadetes da Aman em um artigo na revista Veja. A publicação do artigo levou o militar à prisão por 15 dias, porque teria infringido o regulamento disciplinar.

Com o protesto, Bolsonaro ganhou simpatia das esposas dos oficiais e do baixo clero do Exército. Já em 87, o capitão se viu encurralado depois que a mesma revista Veja divulgou um suposto plano em que o militar e um colega planejavam explodir bombas em unidades militares.

Bolsonaro e Fábio Passos faziam parte da Escola Superior de Aperfeiçoamento de Oficiais (ESAO) e tinham divergências com o comando do Exército. Quando a revista publicou a matéria, com o título de “Pôr bomba nos quartéis, um plano na ESAO”, no dia 25 de outubro de 1987, os militares foram convocados a dar explicações, mas negaram participar do plano, assim como o contato com a revista.

Na edição seguinte, a revista publicou uma reportagem que mostrava um suposto desenho de onde as bombas seriam detonadas. Os croquis teriam sido desenhados por Bolsonaro. Depois dessa matéria, foi aberta uma sindicância na Escola, que se desenrolou em um Conselho de Justificação e em julgamento no Superior Tribunal Militar.

Depois de meses de investigação, Bolsonaro saiu inocentado. Não estava claro, mesmo depois de quatro exames grafotécnicos, que os desenhos eram do punho do militar. Dois exames indicaram que era impossível determinar a autoria e outros dois confirmaram como do punho de Bolsonaro.

Já era junho de 88 quando o militar foi considerado inocente, por 8 ministros que acompanharam o relator, dentro de um colegiado de 13. Seis meses depois, o capitão vai para a reserva e se elege como vereador da cidade do Rio de Janeiro, pelo Partido Democrata Cristão (PDC), com 11.062 votos. Na época, o político buscava representar as causas das famílias de militares.

Atividade parlamentar em Brasília

Depois de Fernando Collor ser eleito na eleição de 1989, a primeira presidencial com voto direto depois da ditadura militar, os eleitores voltaram às urnas em 1990 para escolher os parlamentares e governadores. Entre os 514 deputados, Jair Bolsonaro foi eleito - ainda pelo PDC - com 67.041 votos, pelo Rio de Janeiro.

Segurando coturnos dos soldados, o deputado Jair Bolsonaro discursa sobre os contratos de licitação do Exército no Plenário da Câmara. Brasília, DF. 28/10/1991. Foto: Protásio Nêne/Estadão

Durante o processo de impeachment de Fernando Collor, Bolsonaro votou contra o presidente, assim como 441 deputados. Em 1993, trocou pela primeira vez de partido, uma prática que se tornaria comum em sua carreira política. O capitão reformado foi para o Partido Progressista Reformador (PPR), que era uma fusão do PDC e do Partido Democrático Social (PDS).

O deputado Jair Bolsonaro responde cartas de elitores no seu gabinete em Brasília, DF. 02/8/1995.  Foto: José Varella/ Estadão

Nas eleições de 2018, Bolsonaro foi o candidato que mais trocou de partido: atualmente, está na nona sigla diferente (PDC, 1989-1993; PP, 1993; PPR, 1993-1995; PPB, 1995-2003; PTB, 2003-2005; PFL, 2005; PP, 2005-2016; PSC, 2016-2018; PSL, 2018-). Impulsionado pela popularidade do presidente eleito, o atual partido saiu de 8 para 52 deputados federais e deverá ser uma das principais forças do Congresso Nacional na próxima legislatura.

Polêmicas  

As primeiras polêmicas do candidato começaram ainda no seu primeiro mandato. Em discurso no dia 24 de junho de 1993, o político defendeu a volta de um regime de exceção com tempo determinado e o fechamento do poder legislativo. 

Foto:

Seta Aspas EsquerdaOs graves problemas do Brasil jamais serão resolvidos em uma democracia irresponsávelSeta Aspas Direita

Jair Bolsonaro, discurso no plenário da Câmara em 1993

Na época, o discurso rendeu diversas críticas de outros parlamentares e do então presidente da Câmara, Inocêncio Oliveira (PFL), que pediu a abertura de um processo contra o deputado.

Apesar das críticas, Bolsonaro também recebeu apoios, que se transformam em votos nas eleições do ano seguinte.

Em 1994, os votos recebidos pelo ex-capitão aumentaram. Bolsonaro foi reeleito para a Câmara com 111.927. No primeiro ano da nova legislatura, trocou de partido mais uma vez: foi para o PPB.

Em 1998, Bolsonaro defendeu que os sequestradores do empresário Abílio Diniz, presos e condenados no Brasil, deveriam ser torturados antes de sofrer pena de morte.

JORNAL O ESTADO DE S. PAULO. EDIÇÃO DE 18 DE ABRIL DE 1998 - PAG. 24 Foto:

Em 1999, o deputado teve dois grandes momentos de polêmica. No mês de maio, ele participou do programa Câmara Aberta, da então TV Bandeirantes, e disse mais uma vez que o Congresso deveria ter sido fechado e que a ditadura militar deveria ter matado mais pessoas, incluindo o presidente da República.

JORNAL O ESTADO DE S. PAULO - EDIÇÃO DE 25 DE MAIO DE 1999 - PAG. 6 Foto:

Seta Aspas EsquerdaNo período da ditadura, deviam ter fuzilado uns 30 mil corruptos, a começar pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, que era das esquerdas, o que seria um grande ganho para a naçãoSeta Aspas Direita

Jair Bolsonaro, programa Câmara Aberta, na TV Bandeirantes, em 1999

Apesar das reações do presidente da República, da Câmara, e de outros parlamentares, Bolsonaro não respondeu a processo por quebra de decoro.

No mês seguinte, o político deu mais uma declaração polêmica sobre o ex-padre José Antônio Monteiro, que havia sido internado com pressão alta em Brasília. José Antônio Monteiro foi torturado por lutar contra a ditadura pelo PCdoB.

Jornal O Estado de São Paulo, 17 DE JUNHO DE 1999, P. 6. Foto:

Apesar de ter sido eleito com conselhos do economista liberal Paulo Guedes e reproduzir discursos a favor de controle nas contas públicas e de mudanças nas regras da aposentadoria - medida destacada como prioritária pelo seu candidato a vice, general Hamilton Mourão (PRTB), neste domingo - Bolsonaro votou contra as propostas de reforma da previdência de Fernando Henrique Cardoso e Lula na Câmara dos Deputados.

Na última legislatura, Bolsonaro foi membro titular das comissões de Direitos Humanos e Minorias, de Relações Exteriores e Defesa Nacional, de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, e de Educação.

Em 2014, no seu mandato anterior, Bolsonaro também foi titular da comissão responsável pelo projeto de lei conhecido como estatuto da família, que definia como união familiar apenas o casamento entre homem e mulher. Em 2011, o Supremo Tribunal Federal reconheceu o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.

Ascensão política entre 2014 e as eleições 2018

O julgamento do mensalão, a operação Lava-Jato e a condução econômica do governo Dilma Rousseff desgastaram a imagem do Partido dos Trabalhadores. Em 2014, o PT ganhou as eleições presidenciais com a menor vantagem desde 2002: foram apenas 3,4 milhões de votos de diferença, cerca de 3%.

Jair Bolsonaro dentro do avião com destino ao Rio de Janeiro após receber alta Foto: REUTERS/Leonardo Benassatto

Naquela eleição, Bolsonaro recebeu 464.572 votos, conquistando seu sétimo mandato como deputado federal, pelo Estado do Rio de Janeiro.

Com o esfarelamento do governo de Dilma Rousseff pós-eleições 2014 e a abertura do processo do impeachment, em 2016, Bolsonaro ganhou mais projeção. Na votação para autorizar ou não a abertura do processo contra a presidente, no dia 17 de abril de 2016, o presidente eleito voltou a ser o centro de uma polêmica.

Ao declarar o voto a favor do afastamento de Dilma, o então deputado homenageou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, torturador na ditadura reconhecido pela Justiça.

Em discurso, Jair Bolsonaro evocou torturadores da presidente Dilma durante a ditadura Foto: reprodução

A fala gerou repercussões contrárias da Associação de Juízes pela Democracia, de partidos como Rede e Psol, e do Instituto Vladimir Herzog.

Da polêmica fala até as eleições de 2018, a popularidade de Bolsonaro só aumentou. A confirmação de que seria candidato só veio em 2016, mas em 2014 Bolsonaro já dizia que seria o “candidato da direita em 2018”.

Clique aqui para ver como foi a evolução de cada candidato nas pesquisas de intenção de voto eleições 2018.

PARA ENTENDER

O passado dos presidenciáveis nas páginas do Estadão

Clique aqui para ver curiosidades das vidas dos candidatos à presidência nas eleições 2018 garimpadas no Acervo Estadão em meio a outras notícias de suas trajetórias políticas.

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