'Que tal o PT ceder uma vez?', provoca Skaf

Presidente da Fiesp molda discurso de candidato após aparecer em 2º lugar em pesquisas de intenção de voto

Entrevista com

Julia Duailibi - O Estado de S.Paulo

16 Junho 2013 | 02h04

Potencial candidato do PMDB ao governo do Estado na eleição de 2014, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, cobra o apoio dos petistas. "O PT deveria mostrar generosidade e apoiar o candidato do PMDB a governador em São Paulo", disse. Também mira o PSDB, do governador Geraldo Alckmin, candidato à reeleição e líder nas pesquisas de intenção de voto, ao defender mudança na segurança pública: "As pessoas querem resultados diferentes. Não creio que a população esteja satisfeita com a situação".

Garoto propaganda de comerciais de entidades ligadas à Fiesp, Skaf aparece hoje em segundo lugar nos cenários mais prováveis das pesquisas. Ele nega o uso político do órgão e diz que esse resultado é fruto do "reconhecimento" do seu trabalho.

O que levou o sr. ao segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto para o governo paulista?

Qualquer candidatura é precipitada neste ano, mas minha leitura é que a sociedade quer mudança, eficiência e gestão. Há reconhecimento também de um trabalho, ao longo dos anos, em busca da competitividade do País, da conta de luz ter preço justo, da eliminação da CPMF, do fim dos impostos das cesta básica e de tantas outras lutas.

Nos últimos meses, o sr. teve uma exposição na TV por causa de comerciais da Fiesp, do Sesi e do Senai. Usou a estrutura das entidades para fins políticos?

Não uso a estrutura politicamente, pelo contrário. Estou na presidência há 8 anos, temos campanhas há muito tempo, como a de energia a preço justo. Essas campanhas foram aprovadas por unanimidade pela diretoria. Não tem nada a ver com política. A gente não pode, porque está filiado a partido, ficar imobilizado, deixar de cumprir a obrigação. Essas participações fazem parte do meu trabalho.

As pesquisas tornam sua candidatura um fato consumado?

Candidatura consumada será em 2014. O que eu sinto que está consumado é que o PMDB terá candidato a governador.

Neste momento, manter a candidatura do PMDB interessa ao PT para forçar um 2º turno, já que Alckmin pode ganhar no 1º.

Se na área federal, Dilma e Temer já estão juntos, e na estadual é vontade da base do PMDB ter candidatura própria - e se para o PT isso é bom -, há todas as razões para minha percepção estar certa.

PT e PMDB mantém uma relação conflituosa, a exemplo do que ocorre no Rio. O PT deveria ser generoso com o aliado e apoiar o vice-governador Pezão no Rio em vez de lançar a candidatura de Lindbergh Farias?

O PT deveria mostrar generosidade e apoiar o candidato do PMDB a governador em São Paulo. O problema do Rio fica para o Rio. Se o PT quer que o PMDB ceda no Rio, também quer em Minas. Então, que tal o PT ceder uma vez? E se tiver de ceder, escolheria São Paulo. Mas não cabe a mim fazer essa negociação. Se em todos esses casos é para o PMDB ceder, uma hora pode ser o inverso. Existem três cargos: o de governador, o de vice e o de senador. Há possibilidade de haver composição, mas para isso depende da vontade do PT.

Quem seria um vice no PT para compor a chapa em São Paulo?

Ah, mas se eu falo isso, já desfaz a possibilidade de iniciar uma negociação.

E o PSDB? Alckmin ainda tem esperanças de fechar um acordo com o PMDB para a sua reeleição. Ofereceu inclusive cargos.

Fica estranho faltando um ano da eleição, e o governador sendo candidato à reeleição, e o PMDB já decidido a ter candidato, participar do governo.

O deputado Gabriel Chalita estava cotado para disputar o governo pelo PMDB, inclusive com o apoio do PT, mas foi dinamitado após aparecer em escândalo envolvendo empresário da educação. O sr. se beneficiou disso?

Vamos ter que ter uma bancada importante, e entendo que o Chalita terá o papel de candidato a deputado federal.

Num cenário de oposição entre PSDB e PT, qual espaço uma terceira candidatura deve ocupar?

As pessoas querem resultados diferentes. Não creio que a população esteja satisfeita com a segurança pública. Quando vejo esses índices de, como é o termo, de homicídios, o que interessa é que as pessoas não andam tranquilas. As famílias não estão satisfeitas com a qualidade das escolas públicas, principalmente do Estado. Não é diferente na saúde, na mobilidade urbana, na infraestrutura.

Segurança é o tema da eleição?

Hoje a segurança é uma grande preocupação, mas não podemos desprezar a saúde.

Como o sr. vê a ação do governador na área de segurança?

Aprendi na minha vida que tudo você vê pelos resultados. Quando o resultado é bom, quem está fazendo o serviço está fazendo certo. Se estivesse acertando, a sociedade teria tranquilidade e segurança. Não há dúvidas de que precisa de mudanças de critérios.

Setores do eleitorado paulista defendem a 'Rota na rua'.

"Rota na rua" é uma forma de expressar, de colocar a polícia mais presente na rua. A presença policial é um dos pontos. Serviço de inteligência, polícias bem integradas e integradas com outros órgãos, essa é a visão moderna para o simbolismo do "Rota na rua".

Como avalia a ação da polícia na manifestação contra o aumento da passagem de ônibus?

Essas manifestações fugiram da questão do preço do ônibus. Demonstram a sociedade de saco cheio, me perdoe o termo, mas a sensação é essa. Mas isso não dá direito a uma parte acabar criando confusões. Está faltando um pouco de planejamento no sentido de coibir as confusões de forma eficiente.

A polícia perdeu o controle?

Estava no exterior. Difícil fazer diagnóstico a distância. De um lado há uma manifestação legítima e, de outro, uma minoria abusando - e tem que haver reação policial. Agora, a reação tem que ser feita com estratégia. Existem formas de agir e reagir. Pelo que vi pela imprensa, houve um certo exagero.

O sr. mudou o visual por causa da campanha eleitoral de 2014?

Sinceramente, não pensei na campanha. O caso do transplante de cabelo. Estou me sentindo legal. De acordo com o médico, ainda não está na plenitude. A minha mulher se animou, então me animei.

 

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