'Que bom' que ministros caem, diz Gilberto Gil

Ex-titular da Cultura elogia Dilma por afastar auxiliares e afirma que 'sabia da capacidade dela'

ROBERTA PENNAFORT / RIO , O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2011 | 03h09

Ministro da Cultura do governo Lula entre 2003 e 2008, Gilberto Gil disse que a presidente Dilma Rousseff "está indo muito bem, respondendo às questões da economia, às questões permanentes de malfeitos e corrupção. "Que bom (que os ministros suspeitos foram afastados)! Pior é se não tivessem sido", avaliou.

Ontem, em entrevista em sua produtora, no Rio, durante o lançamento de seu acervo digital, Gil falou de sua percepção da atual gestão federal. "Eu gosto do governo Dilma. Não parti de posição desconfiada, porque trabalhei com ela por seis anos. Eu sabia da capacidade dela."

Gil acompanha o governo Dilma e o desempenho de sua sucessora na pasta da Cultura, Ana de Hollanda, pelo noticiário, sem dar declarações que possam soar intrometidas. De personalidade conciliadora, o músico preferiu se manter de fora das polêmicas que se sucederam na pasta neste primeiro ano - da reforma da Lei dos Direitos Autorais à aprovação controversa de projetos na Lei Rouanet, passando pelas diárias recebidas (e devolvidas) pela ministra por dias de folga.

Adepto da máxima de que "ex precisa entender que é ex", ele vê os ataques sucessivos à ministra como reações à descontinuação de políticas iniciadas por ele e por seu sucessor, Juca Ferreira (no cargo de 2008 a 2010). "Havia uma massa de programas em andamento que as pessoas queriam que continuasse. Na medida em que houve, aqui e ali, recuo por parte do ministério novo, houve insatisfação."

Gil disse ainda que a intensidade das críticas à administração de Ana foi menor do que a que ele teve de enfrentar em 2003: "Não é nada diferente do que foi comigo. Num certo ponto, foi mais, porque a minha presença era mais escandalosa".

Comparação. Ainda sobre o governo Dilma, Gil demonstra considerar injustas as comparações com era Lula. "É um governante que saiu ungido, nos braços calorosos da opinião pública. É substituído pela primeira mulher a ocupar a Presidência da República e sem nenhuma possibilidade de repetir o desempenho do governo Lula. Porque é outro momento histórico, a economia está numa outra situação, o jogo das forças nacionais e internacionais está em outro plano."

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