É CIENTISTA POLÍTICO, PROFESSOR DO INSPER , O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2013 | 02h07

A legislatura que se inicia veio à luz sob crítica, descrença e repúdio. Nasceu velha. Circula pelas redes sociais manifesto pelo impeachment do presidente do Congresso, senador Renan Calheiros. Na Câmara, Henrique Alves não fica atrás quando a matéria é desconfiança. Estamos todos cientes do desgaste.

Isto desperta a tentação pela pirotecnia, manobras espetaculares e saídas tão rápidas quanto inconsistentes cujo objetivo é "ficar bem na foto". Desengaveta-se a poção mágica da credibilidade instantânea. Desconfio de que esteja aberta a temporada de promessas e conversa mole. Discursos tipo "agora vai", manifestações de indignação e resoluta determinação sem objetividade. Moralismos para todos os gostos: reformas, cortes de salários, controle de presença, redução de custos, intransigência, autoridade e que tais. Agora vai, mesmo?

São temas que tantas vezes estiveram na iminência do desenlace. Mas não progrediram por falta de consenso ou por consenso de que não interessa nem sequer votá-los. Os novos dirigentes do Congresso Nacional vêm a público cientes disto, certamente. São inteligentes. E apresentam-se como se os tempos fossem outros, e o corpo legislativo e seu corporativismo não fossem os mesmos.

A cidadania deve ficar atenta.

No mais, mais uma vez iniciar o debate: quanto deve custar a democracia? Deve-se olhar para os custos ou pensar em preço? Custo é o inevitável, o que se arrasta inexoravelmente por uma atividade que nem sabemos se queremos. Preço diz respeito a valor: quanto se está disposto a pagar por determinado bem? Que vantagens que ele trará?

Há que discutir o preço da democracia numa relação com o bem e as vantagens que ela traz; seu custo, mas seu benefício. Para além das manobras diversionistas, a democracia é um bem em si. Mas, deve produzir bem-estar. Eis seu compromisso inescapável. Qual o preço disso? Depende do que se pretende ter e de onde se necessita chegar. Talvez, então, seja possível decidir sem emoção, nem tergiversação.

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