'Quando se criam capitanias partidárias, fica difícil fiscalizar'

Deputado prega reforma ministerial com redução de cargos e fixação de metas e defende que PDT 'pare e avalie os estragos'

Entrevista com

ALFREDO JUNQUEIRA / RIO, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2011 | 03h04

As denúncias e o processo que culminou na demissão de Carlos Lupi fizeram o deputado Miro Teixeira (RJ) comparar a situação do PDT à da Alemanha pós-Segunda Guerra Mundial. "Com a nação destruída, eles começaram a pegar os tijolos que sobraram e iniciaram a reconstrução. O fundamental agora é parar e avaliar os estragos."

Pedetista histórico, com dez mandatos na Câmara e ex-ministro das Comunicações no primeiro governo Lula, Miro sugere que a presidente Dilma Rousseff promova uma reforma administrativa simultânea às mudanças no ministério, acabando com o que chamou de "capitanias partidárias" e estabelecendo como premissa o princípio da eficiência.

Como fica o PDT depois da queda de Carlos Lupi?

Ainda é cedo para avaliar. O PDT vive o mesmo que outros partidos que foram de oposição e, de repente, foram participar do governo, cometendo erros de mandar quadros dirigentes para os postos da administração. Mas o que se vive hoje é algo mais preocupante do que a situação de um partido.

Como assim?

O problema é o tipo de presidencialismo que temos. Um presidencialismo de cooptação. Quando se criam capitanias partidárias, você dificulta a fiscalização interna.

Mas o que deve ser feito?

A presidente Dilma tem condições de acabar com isso na reforma ministerial. Tem de acabar com esse número exagerado de ministérios. É preciso fazer uma reforma administrativa por cima. É preciso definir as áreas de atuação e o número mínimo de ministérios para administrar essas áreas. E compor esses ministérios a partir do princípio da eficiência. É preciso ainda reduzir o número de cargos de livre provimento e estabelecer metas em cada área.

Haveria espaço para indicações dos partidos nos ministérios a partir dessa reforma?

A solução exclusivamente técnica ou exclusivamente política é inadequada. Tem de se preencher os lugares a partir da percepção da eficiência. Não se exclui alguém por simplesmente pertencer a um partido.

Como mudar o rumo do PDT depois de semanas de exposição negativa?

Nesse tipo de situação, o que manda o bom senso é parar tudo. Até porque vamos entrar no período de festas. Tem de parar e conversar antes de brigar.

O senhor assumiria uma posição de conciliador no partido? Seu nome já foi citado para assumir o comando do PDT.

É a primeira vez que estou ouvindo isso. O fundamental agora é parar e avaliar os estragos. Como aconteceu na Alemanha no pós-guerra. Com a nação destruída, eles começaram a pegar os tijolos que sobraram e iniciaram a reconstrução. Não existe situação que seja incontornável. É preciso ver de que maneira podemos trabalhar todos para reconstruir o que foi o PDT.

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