Qualquer escolha acabará em rixa entre os grupos

CENÁRIO: Caio Junqueira

O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2013 | 02h09

Seja qual for a decisão que Marina Silva for anunciar hoje, o desafio imediato da vice-líder nas pesquisas eleitorais é tentar juntar os cacos de uma Rede dividida entre políticos que desejam sua candidatura já e "sonháticos" que a rejeitam. A tarefa é difícil. Qualquer passo pressupõe a vitória de um grupo sobre outro. Ou, sob outra ótica, a maior influência que um ou outro lado exerce sobre o destino de Marina.

Nesse sentido, a conhecida dificuldade da ex-senadora em conciliar interesses divergentes ganha outra dimensão. Não se trata de mais um antagonismo entre o meio ambiente e o agronegócio, situações nas quais Marina se acostumou a se posicionar sem dificuldades.

O embate entre seus aliados e suas consequências vão para além de 2014. Toda decisão feita agora, se não der certo à frente, será questionada pelo grupo derrotado. Como se comportarão os "sonháticos" se a escolha pela adesão a um partido tradicional culminar no esvaziamento do seu discurso e em uma derrota eleitoral? Os políticos permanecerão calados se ela não for candidata e desprezar o segundo lugar nas pesquisas e os quase 20 milhões de votos de 2010?

Na história política recente sobram exemplos de candidatos que foram às urnas com partidos divididos. Foi preciso que o PSDB perdesse três disputas para perceber que, desunido, amargaria nova derrota em 2014. O PSDB, porém, nasceu fechado contra um PMDB que perdera sua essência. A Rede nasce dividida quanto ao que deve ser sua essência. E sob ameaça de desaparecer após incorporação por um partido profissional.

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