Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

'PV fez propostas para água, mas não o suficiente', diz Natalini

Para candidato do PV ao governo, embora sigla tenha chefiado pasta de Recursos Hídricos, responsável pela crise é Alckmin

Ana Fernandes e Roldão Arruda, O Estado de S. Paulo

06 de agosto de 2014 | 05h00

Concorrente ao governo de São Paulo pelo PV, o vereador Gilberto Natalini afirmou na última terça-feira que seu partido fez propostas para melhorar o abastecimento no Estado quando esteve à frente da Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos de janeiro de 2011 a abril passado, mas “não foram suficientes”. Para o candidato, segundo participante da série Entrevistas Estadão, a responsabilidade pela atual crise hídrica deve ser atribuída ao governador Geraldo Alckmin, do PSDB.

"O PV trouxe muitas propostas para aquela questão. Agora, não foram suficientes para encarar este estresse que a natureza colocou", disse Natalini, ao ser questionado sobre a passagem do deputado estadual Edson Giriboni (PV) na pasta de Recursos Hídricos. O parlamentar deixou o cargo a tempo de poder disputar a reeleição.

Natalini defendeu a atuação do correligionário. "Você sendo secretário em uma pasta, você não manda no governo. É mais um", afirmou. "Quem manda é o governante."

O candidato do PV discordou da declaração de Alckmin feita na segunda-feira, na abertura das Entrevistas Estadão, que disse haver "muita exploração política" em relação à crise hídrica. "Não é um problema de exploração política. A questão é que existe efetivamente o problema. Não adianta fugir."

Para ele, a oferta de desconto para quem economizar água é insuficiente e a melhor saída para a crise no abastecimento é reduzir o consumo. "Você vai ter que economizar. Uma das maneiras é ofertando menos água que o costume. A outra maneira é entrar na casa das pessoas. Não é dar bônus."

Costumes. Além de participar do governo Alckmin, o PV costuma apoiar os governos do PSDB na Assembleia Legislativa. O lançamento de candidatura própria neste ano corresponde a um esforço do partido para destacar no cenário estadual, segundo Natalini. Ele destacou que a decisão só foi tomada após o partido ter entregado o cargo no governo:

"Houve uma combinação política entre o PV e o governo, em que o PV deu governabilidade e teve espaço no governo. Isso é comum na democracia. É direito do PV ter candidato", defendeu. O atual secretário de Energia, Marco Mroz, é filiado ao PV, mas pediu licença do partido, segundo Natalini.

O partido também terá candidato à Presidência, o ex-deputado Eduardo Jorge, que tem defendido posições liberais em relação à legalização da maconha e do aborto e a políticas de diversidade sexual. Natalini destacou medidas que adotou a favor dos homossexuais como secretário municipal de Participação e Parceria, na gestão José Serra, mas não demonstrou a mesma afinidade com Eduardo Jorge em relação às outras bandeiras.

Ao falar sobre a proposta de legalização da maconha, Natalini primeiro disse que, como médico, é contra "o uso de droga, seja qual for", e apontou "hipocrisia" ao apontar que outros produtos, como cigarro e álcool, são lícitos, embora também sejam nocivos à saúde. Depois, afirmou: "Não acho que tem que tratar o usuário da maconha como bandido".

Sobre o aborto, Natalini também lembrou sua carreira profissional e disse que "defende a vida", mas que não ignora a realidade de quase 1 milhão de mulheres que, segundo ele, praticam aborto todo ano em condições desumanas. "O governo tem que ver como tratar isto. Não acho que essas mulheres devam ser tratadas como criminosas."

Transportes. Ao tentar mostrar o PV como único partido realmente preocupado com o meio ambiente, Natalini defendeu que o transporte coletivo tenha prioridade sobre o individual. "Nas nossas diretrizes de governo, achamos que o trem e os transportes sobre trilhos são a solução para as grandes cidades. Um trem que você faça vale por mil ampliações de marginal", afirmou.

Natalini propôs a construção de uma linha de trem de passageiros entre São Paulo e Campinas, cidade de 1,1 milhão habitantes a 100 km da capital: "Não tem mais como você conversar o transporte metropolitano sem trem. São Paulo não merece esse tipo de atraso. Viajei este interior inteiro e vi que tem trevo sendo feito que liga lugar nenhum a lugar nenhum. Por que não se racionaliza e coloca os trens para funcionar?"

Indagado se o seu projeto seria o mesmo do trem-bala, proposto pelo governo federal, respondeu: "Trem-bala é um sonho de uma noite de verão da presidente. Trem-bala é aquele trem maluco de R$ 60 milhões", afirmou. Como vereador, Natalini sempre atuou na oposição às gestões do PT. Seguindo essa verve, criticou o prefeito Fernando Haddad pela suspensão da inspeção veicular. "Isso foi um crime da administração", afirmou, prometendo sugerir a adoção da medida 

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