Puxadores de votos rendem R$ 94 mi em recursos públicos para os partidos

Fundo Partidário cresce e ganha importância como fonte de receita para as siglas em 4 anos; no período, cada voto para deputado rende R$ 12

Daniel Bramatti e Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2014 | 02h02

Os chamados "puxadores de voto" nunca valeram tanto para seus partidos. Ao final dos quatro anos entre 2011 e 2014, os 20 deputados federais mais votados na última eleição terão rendido R$ 94 milhões em cotas do Fundo Partidário, alimentado com recursos do governo federal.

Celebridades, ex-governadores ou parentes de detentores do poder, os "puxadores de voto" sempre foram cortejados pelos partidos porque os ajudavam a ampliar suas bancadas - pelas regras do sistema eleitoral brasileiro, um candidato pode eleger a si próprio e também a outros colegas de legenda ou de coligação. O assédio aos campeões de votos tem, no entanto, uma segunda motivação: dinheiro.

Quanto mais votos uma legenda obtém na disputa pela Câmara, mais recebe do Fundo Partidário - fonte de recursos públicos que terá R$ 313 milhões em caixa em 2014 e que cresceu 135% acima da inflação desde 1996.

O PR, por exemplo, emplacou em 2010 os deputados mais votados em São Paulo (Tiririca) e no Rio (Anthony Garotinho). Apenas com os 2 milhões de votos desses dois, o partido conseguiu engordar sua conta bancária em quase R$ 25 milhões entre 2011 e 2014.

Na prática, ao votar em um candidato a deputado, o eleitor faz uma doação indireta - e quase sempre ignorada - a seu partido. Nos últimos quatro anos, somados, essa contribuição compulsória foi de R$ 12 por eleitor - no período, o Fundo Partidário distribuiu R$ 1,2 bilhão.

Nem sempre o fundo teve tantos recursos. Entre 1996 e 2010, seu valor médio (corrigido pela inflação) ficou em torno de R$ 160 milhões. Desde 2011, saltou para R$ 303 milhões. Isso aconteceu porque, naquele ano, o Congresso decidiu ampliar em R$ 100 milhões a dotação orçamentária do fundo. Na prática, como o Estado noticiou na época, houve uma "estatização" de dívidas da campanha de 2010, que acabaram pagas com recursos públicos.

Mesmo bancando parte das campanhas, a siglas costumam ter "lucro" com os principais candidatos. Tiririca, por exemplo, recebeu R$ 664 mil do PR na campanha eleitoral de 2010, e seus votos renderam R$ 16,3 milhões em quatro anos - 2.358% a mais.

Nomes. Em 2014, Tiririca repete o papel de "puxador de voto" do PR paulista. No Rio, a aposta é na filha de Garotinho, Clarissa. Em São Paulo, o PSDB pode ter como destaque na lista de candidatos à Câmara o ex-governador e ex-presidenciável José Serra. O partido aposta ainda em nomes do secretariado do governador Geraldo Alckmin, como Bruno Covas e José Aníbal. Em outros Estados, a expectativa é eleger estrelas do voleibol - o técnico Bernardinho, no Rio (que chegou a ser sondado para disputar o governo fluminense), e os ex-jogadores da seleção Giba e Giovani, no Paraná e em Minas, respectivamente.

Florisvaldo Souza, secretário de Organização do PT, disse que a sigla não costuma investir em nomes de celebridades, e sim nos quadros já firmados. Segundo ele, deputados que disputam a reeleição costumam ser os maiores puxadores de voto.

O PSB espera que o ex-jogador Romário faça sucesso nas urnas do Rio. O partido também acredita que João Campos, filho do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, vai ter uma votação expressiva no Estado. / COLABORARAM DIEGO RABATONE e VALMAR HUPSEL FILHO

Tudo o que sabemos sobre:
Fundo PartidárioTiririca

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.