PT vai tentar evitar intervenção nos Estados

Falcão diz que respeitará decisões locais que contrariem tática nacional, apesar da prioridade à reeleição de Dilma e de impasses com os aliados

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2013 | 02h07

Atual presidente do PT e favorito para ser reconduzido ao cargo na eleição interna da legenda, o deputado estadual Rui Falcão (SP) disse nesse domingo, 10, que respeitará eventuais decisões locais que contrariem a estratégia nacional para reeleger a presidente Dilma Rousseff. "Não cogitamos nenhum tipo de intervenção (nos diretórios estaduais)", disse o parlamentar, depois de votar na capital paulista.

Apesar da afirmação, Falcão disse que o partido terá no máximo 12 candidaturas próprias a governador em 2014. "A nossa orientação nacional é reeleger a presidente Dilma Rousseff e aumentar o número de deputados e senadores", argumentou. Principal aliado da presidente no plano nacional, o PMDB fala em lançar 22 nomes, o que inviabilizaria a capilarização da parceria. Depois de concluída a apuração das urnas do Processo de Eleições Diretas (PED) do PT, o que deve ocorrer até amanhã, a primeira missão da nova cúpula petista será reconstruir pontes com os caciques regionais peemedebistas.

Durante a campanha do PED, os candidatos adversários de Falcão criticaram a decisão de dar prioridade às alianças locais com o PMDB em detrimento do lançamento de candidaturas próprias. Foi a demora da cúpula petista em intervir nos diretórios "rebeldes" que levou o aliado a anunciar voo próprio em quase todos os Estados brasileiros. "Entendo esse processo (de candidaturas próprias) como natural. Cada um vai ter que se virar com as armas que tem", disse recentemente ao Estado o presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp (RO).

Segundo o peemedebista, as conversas com os petistas sobre os palanques regionais serão intensificadas depois do PED. Pelo cenário atual, PT e PMDB têm chances concretas de estarem unidos apenas em cinco Estados: Pará, Amazonas, Rondônia, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Ainda assim, não existe consenso fechado nesses locais. Para ampliar esse número, Falcão teria de convencer os petistas de Estados como Goiás, Espírito Santo e Maranhão a abrirem mão de seus planos locais para apoiar o PMDB.

Efeito Sarney. O caso do Maranhão, base política do senador José Sarney (AP), é considerado o mais emblemático. Em 2010, o PT apoiou a candidatura de Roseane Sarney, mas saiu do processo rachado.

Três anos depois, o partido está novamente dividido entre seguir com o clã Sarney ou apoiar a candidatura do presidente da Embratur, Flávio Dino (PC do B), ao governo estadual. "Tenho posição pessoal de apoiar a candidatura de Roseana ao Senado. Acho que a maioria da nossa militância tende apoiar a candidatura do Flávio Dino para o governo", disse Falcão.

Outro Estado problemático é o Espírito Santo. A cúpula nacional do PT tenta costurar uma aliança em torno de uma candidatura do PMDB, mas o diretório local insiste em apoiar a reeleição do atual governador, Renato Casagrande (PSB), que é do mesmo partido de Eduardo Campos, provável adversário de Dilma em 2014.

"É uma possibilidade estar com o PSB, mas também podemos formar um palanque mais forte. O Casagrande já disse que ficará neutro na campanha, mas estamos buscando mais que a neutralidade. Nós queremos o apoio."

O maior problema nesse caso é que a direção do PSB nacional não admite neutralidade no Espírito Santo e exige apoio de Casagrande a Eduardo Campos na campanha presidencial do ano que vem.

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