PT vai pagar cursos e projetos para prefeitos

Direção nacional da sigla quer auxiliar cidades menores a driblar a burocracia e emplacar convênios com a União

João Domingos / Brasília, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2013 | 02h06

A direção nacional do PT vai oferecer aos 635 prefeitos do partido cursos de gestão e os diretórios estaduais vão pagar especialistas, como engenheiros, para preparar projetos exigidos para firmar convênios com o governo federal nas mais diversas áreas, desde saneamento básico e habitação a creches e programas esportivos. O partido estuda a possibilidade de usar recursos do dízimo (a contribuição dos filiados) para arcar com os custos da contratação de projetos.

Os cursos de gestão serão ministrados pela Fundação Perseu Abramo e os projetos ficarão a cargo de equipes de especialistas contratadas pelos diretórios nacional e estaduais.

A ideia é transformar os prefeitos, principalmente das cidades menores, em máquinas políticas e eleitorais, tornando-os favoritos à reeleição em 2016.

Desse modo, a direção do PT acredita que o partido crescerá a partir das bases, porque um prefeito forte ajudará na eleição de vereadores, deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente.

Embora tenha sido o partido que mais reelegeu prefeitos, a sigla que mais cresceu em números proporcionais e absolutos foi o PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, provável adversário petista em 2014 no campo da centro-esquerda.

"O PT fez um grande esforço para eleger os prefeitos. A responsabilidade pela administração deles é também das direções nacional e estaduais. Tivemos o melhor índice de reeleição em outubro e queremos chegar em 2016 em condições de reeleger o máximo, a partir de gestões integradas com todas as instâncias partidárias", disse ao Estado o secretário nacional de Assuntos Institucionais do PT, Vilson Oliveira. "No final do ano sobra dinheiro em praticamente todos os ministérios, porque os prefeitos não apresentam projetos que possam se candidatar a essas verbas. Vamos atrás desse dinheiro."

"Um projeto de engenharia pode custar até R$ 30 mil. Um prefeito de cidade pequena não tem condição de pagar isso. A direção pode contratar um engenheiro ou uma equipe e fazer os projetos para 50, 60 cidades com características administrativas muito próximas", acrescentou.

Quanto aos cursos de gestão, a Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, deverá selecionar especialistas, para que passem as orientações aos prefeitos.

"Garantir um bom desempenho do prefeito tem reflexo no partido, levando-o a eleger mais candidatos em todos os níveis", justificou o secretário petista. Ele afirmou ainda que o fato de o PT estar à frente do governo federal não vai influenciar nas assinaturas de convênios. "O dinheiro federal é para todos. O que nós vamos fazer é criar os melhores projetos para nossos prefeitos. Os de outros partidos podem fazer o mesmo."

Por enquanto o PT não tem uma avaliação de quanto vai custar a contratação de equipes de especialistas.

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