PT vai afastar indicado a cargo em Campinas

Direção local rechaça nomeação de vereador para secretaria por ser contra aliança com PSB

RICARDO BRANDT / CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2012 | 02h02

O diretório municipal do PT de Campinas vai afastar por 60 dias o vereador Jairson Canário e abrir processo na Comissão de Ética para definir qual será sua punição. Seu erro: aceitou um convite para ser secretário de Trabalho e Renda do prefeito eleito, Jonas Donizette, do PSB.

Há 15 dias, o diretório campineiro aprovou resolução que proíbe filiados de ocuparem cargo no governo do PSB - que tem como maior aliado local o PSDB.

O presidente do PT municipal, Ari Fernandes, informou que, assim que for publicada a nomeação de Canário, ele será afastado. "O PT em Campinas reafirma que nosso papel será de oposição. Não há possibilidades na cidade de uma aproximação com o governo do PSB local, que representa o PSDB", justificou.

Canário foi o vereador mais votado dos quatro eleitos pelo PT na cidade. Sem dar entrevistas sobre sua nomeação, ele apenas deixou claro que não reconhece a decisão da executiva municipal e que pode até deixar a legenda.

Desde a campanha, o prefeito eleito usa a aliança do PSB com o PT, no Congresso, e com o PSDB, no Estado e na cidade, como estratégia para atrair o eleitorado das duas legendas.

"O Canário foi o vereador mais votado do PT. Sua participação no governo não compromete a postura que o partido vai adotar. Votei, como deputado federal, com o governo federal, mesmo depois das eleições. Acho contraditório ter uma postura lá e outra aqui, com o governo em Campinas", sustentou Jonas, ao explicar o convite ao petista.

Donizette foi eleito no 2º turno com 58% dos votos, derrotando o candidato do PT, Márcio Pochmann - indicado para a disputa pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Logo após o resultado, o partido anunciou que faria oposição ao governo municipal. "Nós temos uma composição de governo. E dentro desta composição de governo, eu acho importante ter uma parcela do Partido dos Trabalhadores representada", afirmou Donizette.

O cientista político Valeriano Mendes, da Unicamp, afirma que a estratégia do prefeito eleito, de se aproximar do governo federal e do governo estadual, é válida para compor ampla base, para poder colocar "a casa em ordem", mas tem prazo de validade. Depois de dois prefeitos cassados, por causa dos escândalos de corrupção na prefeitura, o prefeito assumirá uma máquina paralisada e com as relações com o Legislativo tensas. "O prefeito está tentando ampliar o máximo possível sua base de apoio, chamando até mesmo o PT para seu governo, para colocar a casa em ordem. Isso vai valer para 2013, mas no ano seguinte, com as eleições, ele vai ter que definir de que lado vai ficar, com o PSDB, do governador Geraldo Alckmin, ou com o PT, da presidente Dilma Rousseff", avaliou Mendes.

Reação. Membros do PT aliados a Canário afirmam que, caso seja aberto processo, eles vão pedir a intervenção nacional da legenda. "Não reconhecemos essa proibição", afirmou Geziel Santos, integrante do partido.

Um dos pontos a serem questionados será a validade do documento aprovado pela executiva municipal que proíbe a participação no governo do PSB. "Essa é uma questão a ser discutida considerando o contexto nacional. Não pode ser uma decisão isolada de Campinas", argumenta Santos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.