PT usa mesmo expediente de Collor, afirma Marina em comício

Candidata do PSB à Presidência da República afirmou, em Caruaru, que 'Brasil não merece ser governado na base da mentira'

Angela Lacerda, O Estado de S. Paulo

29 de setembro de 2014 | 22h09

CARUARU - A candidata à Presidência da República, Marina Silva (PSB), disse, na noite desta segunda-feira, 29, em comício na cidade de Caruaru, a 130 quilômetros do Recife, nunca ter podido imaginar que o PT e a presidente Dilma viessem a usar contra ela o mesmo expediente utilizado pelo então presidenciável Fernando Collor contra o ex-presidente Lula, então seu adversário na eleição de 1989 - a mentira.

Aos gritos de "Fora Dilma", Marina lembrou que Collor dizia que Lula ia destruir a indústria brasileira, que a agricultura brasileira seria invadida, que os pastores deviam esconder suas bíblias, que seriam confiscadas. Agora, disse ela, o PT e a presidente mentem dizendo que ela acabará com o Bolsa Família e outras conquistas da população.

"Pela primeira vez uma candidatura é combatida a ferro, a fogo, a água a vento e a sal grosso que é para arder mais", disse ela. "Nunca vi uma violência tão feroz de calúnias, de mentiras contra nós".  Frisou ainda que quando se defende, é criticada por se fazer de vítima. "Massacra e ainda pede ao massacrado que fique calado, dizendo sim senhor. O Brasil não merece ser governado na base da mentira", frisou.

Ao lado da viúva do ex-presidenciável e ex-governador Eduardo Campos, Renata Campos e dos seus três filhos mais velhos - Maria Eduarda, de 22 anos, João, de 20, e Pedro, de 18 -, Marina lembrou ter percebido o valor de Campos depois dos pernambucanos, mas antes do Brasil, que só descobriu a potencialidade e o valor do ex-líder político com a sua morte, no dia 13 de agosto, em um acidente aéreo, em Santos (SP).

Ela prometeu levar para o Brasil várias políticas implantadas por Campos em Pernambuco e ouviu a multidão entoar "Eduardo, guerreiro do povo brasileiro" e o refrão do "vira, vira, vira virou" em referência à subida de Paulo Câmara nas pesquisas. Indicado por Campos, desconhecido, no início da campanha ele aparecia em franca desvantagem em relação ao adversário Armando Monteiro Neto (PTB), apoiado pelo PT. Nas últimas rodadas, Câmara já ultrapassou o petebista.

Sobre Dilma. Antes do comício, em entrevista coletiva, Marina afirmou que "a presidente Dilma sempre que uma coisa dá certo, diz que o mérito é dela, é só ver o que acontece na política econômica e tantas outras questões". "Quando algo dá errado ela trata de culpar os outros - os prefeitos, seus ministros, os governadores - ou seja, ela gosta de se apropriar dos feitos alheios quando dão certo e não assume suas responsabilidades quando algo dá errado".

Acrescentou que no seu governo, a Petrobrás, que hoje tem metade do seu valor, voltará a ser eficiente e competitiva com a função de explorar petróleo e pré-sal. "Os diretores não ficarão mais sujeitos à lógica fisiológica do toma lá dá cá". 

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