PT teme isolamento de Haddad e revê exigências do PSB

Partido decide apoiar candidatos socialistas em três capitais e quatro cidades estratégicas para facilitar a composição em São Paulo

Bruno Boghossian, do estadão.com.br

09 de abril de 2012 | 03h07

Ao diagnosticar um risco de isolamento da candidatura de Fernando Haddad em São Paulo, a direção nacional do PT decidiu ceder espaço ao PSB nas eleições de até três capitais e quatro municípios estratégicos em troca de apoio antecipado da sigla ao ex-ministro. Os petistas podem desistir de candidatura própria e se aliar aos socialistas em cidades como Boa Vista (RR), Cuiabá (MT), Franca (SP), Mossoró (RN) e Duque de Caxias (RJ).

O PT dá como certo o apoio do PSB a Haddad, mas quer adiantar a definição da aliança para abril ou maio - e não junho, como quer a cúpula socialista. Com o objetivo de "melhorar o clima" da negociação, os petistas abririam mão de candidaturas para apoiar o PSB em grandes cidades do Sudeste e capitais do Norte ou Nordeste.

A decisão do PT de abrir espaço para os socialistas foi tomada após encontro entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente nacional do PSB, o governador Eduardo Campos (PE). Para os petistas, um acordo em São Paulo é considerado fundamental, pois agregaria 1 minuto e 20 segundos a cada programa de TV da campanha de Haddad. "Há uma parcela do PT com medo de ficar sem apoio em São Paulo", admite um líder petista.

Os dois partidos negam que Campos tenha imposto condições para apoiar o ex-ministro e declaram que as concessões aos socialistas são apenas um "gesto" de aproximação. "Não há chantagem. Há um esforço comum para que os dois partidos se aproximem em algumas cidades", afirma o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral (leia entrevista nesta página).

A boa relação entre as duas legendas no governo federal transformou o PSB em um parceiro frequente do PT nas eleições deste ano, mas as negociações minguaram nos últimos meses.

Até o fim de 2011, os petistas estudavam apoiar candidatos do PSB em até 11 capitais e cidades com mais de 150 mil eleitores. O plano, no entanto, só se concretizou em dois casos: Belo Horizonte e São Vicente (SP). Em contrapartida, o PSB apoia petistas em 22 municípios e estuda aderir à chapa do partido em outros 15.

São Paulo. A negociação entre PT e PSB em grandes cidades paulistas enfrenta dificuldades.

O único acordo fechado até agora ocorreu em São Vicente, onde o PT prometeu apoiar a candidatura do socialista Caio França - filho do presidente estadual do PSB, Márcio França, secretário de Geraldo Alckmin (PSDB).

Os socialistas pedem que os petistas abram mão da candidatura em Franca e esperam a oficialização do pacto em Campinas em favor de Jonas Donizette.

Norte e Nordeste. A direção petista realizou um "check-up" de suas candidaturas nas 118 capitais e cidades com mais de 150 mil eleitores - apelidadas de "joias da coroa". O partido quer identificar locais onde candidaturas próprias ainda não ganharam corpo e podem ser abandonadas em favor do PSB.

O PT está mais disposto a ceder nas Regiões Norte e Nordeste. Em Boa Vista, o partido pode desistir da candidatura da senadora Ângela Portela para apoiar Maria Helena Veronese (PSB). Os petistas também dão como certo o apoio à deputada estadual socialista Larissa Rosado, em Mossoró (RN).

O interesse dos socialistas, porém, deve ser contrariado em João Pessoa (PB). Os petistas aceitavam apoiar a reeleição de Luciano Agra (PSB), mas decidiram lançar a candidatura do deputado estadual Luciano Cartaxo depois que o prefeito desistiu de entrar na disputa.

O apoio aos socialistas no Norte e no Nordeste é visto pelo PT como um "plano B" caso fracassem negociações em Campinas (SP) e outras cidades do Sudeste - prioridade do PSB nas eleições. Em contrapartida, petistas cogitam apoiar os socialistas Alexandre Cardoso em Duque de Caxias (RJ) e Audifax Barcelos em Serra (ES), municípios com mais de 250 mil eleitores.

PCdoB. O ex-presidente Lula também assumiu negociações nos últimos dias para atrair o PC do B à chapa de Haddad. Passou a conversar diretamente com o presidente do partido comunista, Renato Rabelo.

O PT vai apoiar o comunista Renildo Calheiros em Olinda (PE), mas nenhuma outra parceria foi firmada até agora. O PC do B, por outro lado, é a sigla que mais fez alianças com petistas: 32 acordos fechados e 17 em negociação.

As duas siglas estão próximas de uma aliança em Florianópolis, onde o PT pode apoiar a deputada estadual comunista Ângela Albino. Os petistas também cogitam apoiar o partido em Foz do Iguaçu (PR), caso não se concretize a candidatura do diretor-geral da Itaipu, Jorge Samek.

Há divergências na discussão sobre um apoio do PT à candidatura da comunista Manuela D'Ávila em Porto Alegre. Parte do PT defende aliança pela reeleição de José Fortunati (PDT).

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