Foto: Werther Santana/Estadão
Foto: Werther Santana/Estadão

‘PT tem de superar estratégia de fazer eleitor olhar para trás’, diz analista

Para o cientista político Rafael Cortez, sócio da Tendências Consultoria Integrada, partido precisa se contrapor ao presidente eleito

O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2018 | 03h00

O cientista político Rafael Cortez, sócio da Tendências Consultoria Integrada, diz que o PT precisa voltar a ser a caixa de ressonância dos interesses da sociedade e se contrapor ao presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), para voltar ao protagonismo político. A seguir, principais trechos da entrevista:

Como fica o PT após a derrota?

O partido precisa superar essa estratégia de fazer o eleitor olhar para o passado, revisitar os anos Lula como base para mobilizar esse eleitor. No fundo, todo esse esforço que o PT fez de centralizar a campanha no Lula deu ao partido, digamos, o seu patamar mínimo natural. Ele conseguiu um desempenho mais significativo, a ponto de fazer uma campanha razoavelmente acirrada contra Bolsonaro quando trouxe novos elementos, seja apoio de lideranças de outros partidos, seja de o começo de um discurso de autocrítica que não aparecia no início da campanha. Ou seja, o petismo em si mesmo já não é mais suficiente para o partido manter o patamar de protagonismo que ele teve nos últimos anos.

O que o PT precisa fazer para se reinventar?

São dois elementos. Superar a estratégia de resgatar o legado e a narrativa em torno do ex-presidente Lula, incorporando novos elementos a essa visão do partido, fazendo de fato um discurso mais forte e revisitando criticamente os erros da legenda no governo. O segundo ponto é mobilizar os setores sociais de oposição à agenda que Bolsonaro trouxer para o debate.

Como fica a questão do Lula no governo Bolsonaro?

Não há dúvida de que Lula sempre vai ter esse simbolismo em relação à agenda do combate à corrupção, que é uma agenda importante por trás do movimento que elegeu Bolsonaro. No tocante ao Poder Executivo, sempre vai fazer sinais na direção contrária a essa agenda. A questão do Lula é com o Judiciário.

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