PT quer estender apoio evangélico à reeleição de Dilma

Líderes de 13 igrejas assinam manifesto de apoio a Haddad, mas estratégia do partido visa a manter aliança até a disputa de 2014

ADRIANA CARRANCA , BRUNO LUPION, VERA ROSA, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2012 | 03h05

A estratégia articulada pelo PT para trazer o apoio de líderes evangélicos a Fernando Haddad na reta final da campanha à Prefeitura de São Paulo não visa somente à disputa municipal, mas a eleição presidencial de 2014. Pastores afirmaram ao Estado que dirigentes do PT também pediram aval à campanha para um segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, em dois anos.

O apoio a Haddad foi selado ontem, com a divulgação de um manifesto assinado por 13 líderes de igrejas evangélicas, após reunião com a cúpula do partido no diretório do PT na capital.

"A estratégia é formar esse grupo (de lideranças evangélicas) agora para trazer mais pastores nos próximos dois anos e fortalecer o apoio ao PT na corrida à Presidência da República em 2014", disse o pastor Renato Galdino, do Ministério Santo Amaro da Assembleia de Deus, que assina o manifesto. Galdino, que representa 269 igrejas na capital, apoiou Celso Russomanno no 1.º turno. Ele diz que foi procurado pelo PT no 2.º turno e decidiu apoiar a legenda após garantia de diálogo e da revisão de processos de que as igrejas são alvo na Prefeitura por irregularidades. "O PT nos procurou, solicitaram o nosso apoio e estamos aqui. Se o partido cumprir o prometido, o apoio em 2014 será natural."

Segundo ele, a conversa sobre o apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014 ocorreu a portas fechadas com os deputados petistas Cândido Vaccarezza e Devanir Ribeiro. O deputado Cândido Vaccarezza (SP) negou o pedido de apoio à reeleição de Dilma. "O que ocorreu foi uma manifestação religiosa contra a visão oportunista do (José) Serra de usar a religião para ludibriar o povo e capitalizar votos."

Mas a articulação na esfera federal foi confirmada por outro dirigente ouvido pelo Estado. "Está sim sendo articulada uma reaproximação agora com os evangélicos e isso contribui para o projeto político do PT no longo prazo, para cicatrizar as feridas", admitiu o petista. Ele se refere a ataques contra Dilma em 2010, quando boatos de que a então candidata legalizaria o aborto, se eleita, o que provocou a reação dos evangélicos e quase custou a eleição ao PT.

À ocasião, Dilma foi obrigada a assinar um manifesto em que se comprometia a não apoiar o projeto ou a união civil de homossexuais. Em troca, os pastores assinaram documento nos moldes do divulgado ontem. O manifesto em apoio a Haddad traz elogios ao governo federal. "Os governos do PT - com o presidente Lula e a presidente Dilma - tem se constituído em exemplos extraordinários de uma saudável relação entre o Estado e as religiões", diz o documento.

O presidente da Ordem dos Ministros Evangélicos do Brasil e Exterior, pastor Luiz Florentino, também falou sobre o apoio em 2014. "Acho natural esse apoio na medida em que a parceria firmada agora com a campanha à Prefeitura avança", disse.

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