PT quer assinaturas para o plebiscito antes do recesso

Partido tem até terça para juntar 171 adesões e apresentar à Câmara pedido para o decreto que convoca consulta popular

DAIENE CARDOSO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2013 | 02h02

A bancada do PT na Câmara começará a recolher na próxima terça-feira, último dia de atividades antes do recesso parlamentar, as 171 assinaturas necessárias para levar ao plenário a proposta de plebiscito para a reforma política.

Ao mesmo tempo em que faz a coleta de assinaturas para aprovação do decreto parlamentar convocando a consulta popular, o PT pretende discutir com a bancada, já na segunda-feira, qual será o seu representante no grupo de trabalho criado pelo presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e destinado a estudar e apresentar à Casa uma proposta de reforma política.

A instalação do grupo foi adiada para a próxima semana depois de um "curto-circuito" justamente entre dois deputados petistas - Henrique Fontana, do Rio Grande do sul, e Cândido Vaccarezza, de São Paulo. Os dois estão empenhados em conseguir a coordenação do grupo - Fontana indicado pelo partido e Vaccarezza convidado por Henrique Alves.

"Uma comissão que quer resolver não pode começar não resolvendo ela própria", criticou ontem o presidente da Câmara. Alves disse esperar que o partido se decida e entre num acordo e seja pacificado até o final da semana para que o grupo inicie os trabalhos e apresente uma proposta de reforma no prazo já definido de 90 dias.

O líder do PT, José Guimarães (CE), evitou polemizar o incidente entre os dois petistas e disse que o impasse só será resolvido na segunda-feira. "É uma questão interna do PT", limitou-se a declarar.

Artigo. Ontem, a assessoria da bancada do PT divulgou um artigo em que Guimarães defende o plebiscito enterrado pela Câmara e diz que os partidos não podem "ter medo de ouvir o povo".

"É preciso ficar claro que ouvir a população é o meio mais legítimo para chegar à reforma política. Não é um caminho meia sola como defende a oposição PSDB/DEM e PPS, que a limita a um referendo", argumenta o parlamentar.

Guimarães recorda que o tema está em discussão há 15 anos no Congresso e não avança por falta de consenso sobre os pontos polêmicos.

"O plebiscito é a saída, é o diferencial da reforma que tantas vezes já foi discutida no Congresso Nacional. É a melhor forma de destravar o debate e instituir uma reforma política duradoura e que oxigene nossa democracia", prossegue o deputado em seu artigo.

Para ele, o Parlamento não pode "ficar surdo às vozes das ruas" e a proposta da presidente Dilma Rousseff retrata o sentimento da população insatisfeita. "O plebiscito vai ao encontro dessas expectativas. A sociedade deve ser ouvida sempre, pois é dela que emana o poder que exercem os seus representantes", conclui.

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