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PT, PSDB e PSB iniciam disputa por siglas aliadas

Aécio e ministra de Dilma cortejam PP em convenção; líder do PSB faz assédio a PPS

JOÃO DOMINGOS, O Estado de S.Paulo

12 Abril 2013 | 02h03

BRASÍLIA - O senador Aécio Neves (MG), pré-candidato tucano à Presidência, e a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, que representou a presidente Dilma Rousseff, aproveitaram ontem a convenção do PP para assediar o partido. No evento, o PP elegeu o senador Ciro Nogueira (PI) presidente da legenda, mas o cerco do presidenciável do PSDB e da ministra de Dilma chamaram mais a atenção. A cerimônia partidária realizada pela manhã mostrou como será acirrada a pré-campanha à Presidência, embora a eleição só vá ocorrer daqui a um ano e seis meses.

Nogueira substituiu o senador Francisco Dornelles (RJ) na direção da sigla. O ex-governador Paulo Maluf (SP), cujo apoio ao petista Fernando Haddad na eleição para a Prefeitura de São Paulo em 2012 gerou grande polêmica - e que teve os bens da empresa de sua família, até o limite de R$ 520 milhões, bloqueados nesta semana -, participou da convenção.

Ideli fez juras de amor ao partido. "Queremos continuar juntos, por bem do Brasil e por muito tempo", disse ela, logo após lembrar que o PP é um dos partidos mais fiéis nas votações difíceis no Congresso e que "faz um trabalho excelente" no Ministério das Cidades - pasta que garante o partido na base de Dilma.

Aécio chegou à convenção logo depois da saída de Ideli e não perdeu tempo no assédio ao partido, que até ontem foi presidido por Dornelles, seu tio.

"Não enxergo o Brasil justo e solidário sem o PP junto com o PSDB", afirmou. O tucano foi aplaudido, mas não obteve nenhuma garantia de uma futura aliança.

O ex-ministro Mário Negromonte, afastado da pasta das Cidades numa das "faxinas" feitas pela presidente da República contra ministros suspeitos de irregularidade, respondeu em seguida: "O senador Aécio Neves está fazendo uma verdadeira cantada. Nós, do PP, ficamos honrados em votar no Bolsa Família, PAC e Minha Casa, Minha Vida", programas do governo federal.

PPS. O assédio do presidenciável do PSDB continuou à tarde, durante seminário promovido pelo PPS, que atua na oposição de forma radical. Dessa vez, o governo não apareceu. Mas o líder do PSB na Câmara, deputado Beto Albuquerque (RS), foi representando o governador Eduardo Campos. Depois de enaltecer a união do PSB e do PPS, Albuquerque afirmou que seu partido não é candidato a sublegenda. "Também não está condenado à escravidão do governo."

Um pouco mais ousado do que de costume, Aécio anunciou que é candidato à presidência do PSDB e que deverá ser eleito no dia 19 de maio. E falou como pré-candidato ao Planalto: "Vamos disputar e vencer a eleição. Juntos, ao lado um do outro". "Nossa parceria existiu no passado, existe no presente e existirá no futuro, a depender do PSDB."

O ex-governador José Serra havia sido convidado a participar do evento, mas alegou que não poderia viajar por problemas de saúde.

No encontro do PPS, Aécio voltou a criticar o governo. Disse que a presidente Dilma "é leniente com a inflação" e que, para os que têm renda até dois salários mínimos e meio, a taxa já chegou a 14%. Acusou o governo de não ter seriedade nem firmeza, de viver num mundo virtual, sem compromisso com a ética e com o crescimento econômico.

"O Brasil da propaganda oficial, do ufanismo do governo, não tem correspondência na realidade das pessoas", atacou o senador tucano. "O governo tem hoje a maior base de apoio da história do Brasil, mas ela não avança em nenhuma questão estruturante. Portanto, o PSDB, o PPS, o DEM e outras forças de oposição têm o dever de apresentar ao Brasil um projeto alternativo a este que está aí."

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