PT pressiona por abertura de inquérito contra Demóstenes

Partido quer que PGR envie pedido ao STF para investigar senador por suposto envolvimento com máfia de caça-níqueis

FÁBIO FABRINI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2012 | 03h00

O PT e partidos aliados ameaçam representar contra o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, caso não encaminhe ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedido para investigar o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e outros parlamentares citados na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, por suposto envolvimento com a máfia dos caça-níqueis.

A investida para pressionar Gurgel foi acertada ontem e é o primeiro passo de uma articulação para a abertura de processo no Senado contra Demóstenes, que poderia resultar na cassação de seu mandato. A partir de uma denúncia formal ao STF, o PT e partidos aliados teriam fundamento para pedir ao Conselho de Ética da Casa que avalie a situação do senador.

O líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (PT), anunciou que enviará representação a Gurgel pedindo que denuncie os parlamentares. "Se não houver resposta, vamos representar contra o procurador. Ele precisa cumprir a parte dele", avisou ontem, acrescentando que só aguarda uma conversa com senadores do PSB e do PDT para preparar o documento. "De posse disso (as informações enviadas ao Supremo), a gente vai julgar se há quebra de decoro no caso de Demóstenes", adiantou.

O petista diz que, na última segunda-feira, o Ministério Público Federal em Goiás já denunciou, com base na operação da PF, 80 suspeitos de envolvimento com a máfia dos caça-níqueis no Estado. "Se isso já foi feito, não há mais nenhuma ação da Polícia Federal em relação à Monte Carlo. Não há mais motivo para não tocar isso adiante", cobrou.

Demóstenes é citado nas investigações por manter relações e receber presentes do empresário de jogos de azar, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, apontado pela PF como o chefe da organização criminosa. Ele teria trocado mais de 300 telefonemas com Cachoeira e admitiu ter recebido dele um celular especial para as conversas.

Também estariam envolvidos com o empresário, preso em 29 de fevereiro, os deputados Carlos Alberto Leréia (PSDB), Jovair Arantes (PTB), Rubens Otoni (PT) e Sandes Júnior (PP).

Grampos de uma operação mais antiga da PF revelaram que Demóstenes pediu ao contraventor que lhe custeasse despesas de táxi aéreo e vazou informações oficiais a ele. Apesar de ter recebido as gravações em 2009, a procuradoria não tomou providências a respeito, argumentando que aguardava a conclusão de investigações paralelas. Para Walter Pinheiro, o encaminhamento de uma denúncia ao STF também possibilitaria esclarecer se a demora de Gurgel foi "coisa normal do processo ou prevaricação".

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