'PT pôs ex-diretor na Petrobrás para ‘assaltar’, diz Marina

Candidata do PSB vai para o ataque em embate com Dilma sobre o pré-sal; presidente afirma que adversária é ‘leviana e inconsequente’

Luciana Nunes Leal , O Estado de S. Paulo

11 de setembro de 2014 | 23h07

Assim como no debate sobre a autonomia do Banco Central, as candidatas ao Planalto Dilma Rousseff e Marina Silva, que lideram as pesquisas, bateram de frente ontem a respeito do pré-sal. O PT pôs no ar comercial que associa uma vitória da candidata do PSB à perda de R$ 1,3 trilhão nas áreas de educação e saúde em razão de sua proposta para exploração das reservas. Marina, por sua vez, disse que os ataques da rival são uma “cortina de fumaça” para encobrir denúncias envolvendo a Petrobrás. Ela acusou o PT de colocar um ex-diretor para “assaltar os cofres” da estatal. Dilma reagiu e classificou a declaração de “leviana e inconsequente”.

A presidente tem insistido em associar a ex-ministra do Meio Ambiente à redução de investimentos em saúde e educação por causa da partilha dos royalties do petróleo. O programa de Marina cita apenas uma vez o pré-sal e defende a redução da dependência da matriz energética brasileira em relação ao petróleo, mas admite que a mudança será lenta.

O comercial de TV petista que foi ao ar ontem usou a mesma linguagem da peça de terça-feira, que falava sobre a autonomia do BC. Na nova propaganda, divulgada na internet, o locutor narra a proposta de Marina e, enquanto isso, o conteúdo dos livros lidos por uma família vai desaparecendo.

Marina fez referência, em sabatina do jornal O Globo, ao ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, preso na Operação Lava Jato. “Não consigo imaginar que as pessoas possam confiar em um partido que coloca por 12 anos um diretor para assaltar os cofres da Petrobrás.”

Costa foi indicado para o cargo pelo PP, com aval do PMDB em 2004 durante o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele deixou a diretoria em 2012, já no governo Dilma.

A petista reagiu no Facebook. “Repudio com muita indignação a declaração da candidata Marina. Depois, eu considero que a candidata Marina tem que parar de usar suas conveniências pessoais para fazer declarações. Marina ficou 27 anos no Partido dos Trabalhadores. Todos os seus mandatos ela obteve graças ao PT”, escreveu. De acordo com Dilma, “uma frase dessas mostra uma posição extremamente leviana e inconsequente”.

‘Vergonha alheia’. Na sabatina, Marina também provocou a gestão da petista ao afirmar que o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, é motivo de “vergonha alheia” no governo.

De acordo com a revista Veja, o ministro é um dos políticos citados por envolvimento em suposto esquema de propina na Petrobrás por Costa em acordo de delação premiada.

“O Brasil tem ministro de Minas e Energia que não entende de energia, que é vergonha alheia quando fala de energia”, criticou a ex-ministra, que foi colega de Lobão no primeiro escalão do governo de Luiz Inácio Lula da Silva por poucos meses, em 2008. Marina disse que não vai reduzir investimento em saúde e educação. “Vamos explorar os recursos do pré-sal, vamos utilizar o dinheiro em saúde e educação e não em corrupção. O que ameaça o pré-sal é o que está sendo feito com a Petrobrás.”

Também para tentar neutralizar as críticas sobre sua posição em relação à exploração do pré-sal e à partilha dos royalties do petróleo - o que tem lhe causado desgaste especialmente no Rio de Janeiro - a candidata do PSB voltou a tratar do assunto ontem no horário eleitoral na TV e participou de um ato no Clube de Engenharia, no centro da capital fluminense. / COLABORARAM MARIANA SALLOWICZ e TIAGO ROGERO

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