PT mantém apoio a candidato aliado de Bolsonaro em Belford Roxo

PT mantém apoio a candidato aliado de Bolsonaro em Belford Roxo

Após votação, direção da nacional referenda aliança da sigla com prefeito de cidade fluminense que disputa reeleição, apesar de reação de ex-presidentes do partido, contrários ao apoio

Ricardo Galhardo, O Estado de S. Paulo

17 de agosto de 2020 | 20h10

Mesmo depois de um inédito pedido feito por todos os seis ex-presidentes vivos do partido, a direção nacional do PT decidiu nesta segunda-feira, 17, manter o apoio à reeleição do prefeito de Belford Roxo (RJ), Wagner Carneiro, o Waguinho (MDB), aliado do presidente Jair Bolsonaro. A aliança foi mantida por 40 votos a 36 e uma abstenção. A corrente majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB) garantiu a maioria dos votos para a manutenção do apoio ao aliado de Bolsonaro.

O principal defensor da proposta foi o ex-prefeito de Maricá Washington Quaquá, hoje um dos vice-presidentes do PT. O diretório nacional do partido já havia autorizado a aliança na reunião anterior, dia 7. Nos dias seguintes à decisão, Quaquá e Valter Pomar, líder da corrente minoritária Articulação de Esquerda, trocaram alfinetadas por meio de textos publicados na internet. 

No dia 10, os seis ex-presidentes do PT ainda vivos assinaram uma carta endereçada à presidente do partido, Gleisi Hoffmann, pedindo a suspensão da aliança. “As resoluções de nosso VII Congresso e da direção partidária são inequívocas: nenhuma aliança pode ser estabelecida com o neofascismo, com os partidos e candidatos que o representam em qualquer espaço do território nacional. O PT deve ser exemplo de coerência e firmeza, por todo o País, refutando qualquer concessão na batalha que trava nosso povo contra o autoritarismo”, dizem os ex-presidentes petistas. 

A iniciativa inédita no partido teve as assinaturas de José Dirceu, José Genoino, Rui Falcão, Tasso Genro, Ricardo Berzoini e Olivio Dutra. Lideranças petistas lembram que, além de contrariar as resoluções do VII Congresso, a aliança vai no sentido contrário da orientação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pediu ao PT que lance candidatos próprios no maior número possível de capitais e cidades com segundo turno. 

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