PT leva disputa paulista ao Planalto e Lula atua como cabo eleitoral de Haddad

Para não deixar dúvidas quanto à disposição do PT de eleger Fernando Haddad e derrotar o PSDB na corrida pela Prefeitura de São Paulo, o Palácio do Planalto transformou uma cerimônia de troca de ministros normalmente burocrática numa avant-première da campanha eleitoral, antecipando o papel dos protagonistas da disputa: a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

TÂNIA MONTEIRO, RAFAEL MORAES MOURA, VERA ROSA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2012 | 03h04

Convidado por Dilma para a solenidade de despedida de Haddad do Ministério da Educação, o ex-presidente saiu de uma sessão de radioterapia para combater um câncer na laringe e desembarcou ontem em Brasília. Foi recebido aos gritos de "olê, olê, olê, olá, Lula, Lula" e, mesmo sem discursar, mostrou que dará o tom da disputa.

A presença de Lula na cerimônia evidenciou a disposição do Planalto e do PT de usar o principal cabo eleitoral do partido na campanha pela sucessão do prefeito Gilberto Kassab (PSD), para a qual o comando petista quer dar contornos nacionais. Embora a substituição de Haddad seja a oitava mudança ocorrida no primeiro escalão do governo Dilma, foi a única que contou com a presença do ex-presidente.

Sentada ao lado de Lula, Dilma chamou Haddad de "grande ministro", defendeu o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) das críticas de adversários e elogiou a capacidade de gestão do pré-candidato do PT, que nunca disputou uma eleição.

"Nenhum de nós é soberbo de achar que um projeto que se faz nasce perfeito. Precisa do teste da realidade, da tentativa e erro", disse a presidente, numa referência ao Enem. "Agora, (...) para um processo que abrange milhões de pessoas, é inevitável que, nos primeiros tempos, haja alguns desvios. E os desvios nós temos a humildade de reconhecer e de corrigir. Quem não é capaz de fazer isso, não faz boa gestão e quero reconhecer que o Fernando é capaz de fazer isso."

Emocionado, Haddad negou que a concorrida e longa cerimônia tenha servido como palanque para sua campanha. "O presidente Lula é muito querido e o momento ainda não é esse. É uma honra ele ter prestigiado a posse dos novos ministros", comentou ele, tentando descaracterizar a estratégia montada pelo Planalto.

Marta. O pré-candidato do PT minimizou a ausência da senadora Marta Suplicy (PT-SP) na cerimônia. Marta foi pressionada por Lula e Dilma a desistir da candidatura em favor de Haddad e não esconde ter ficado frustrada. "É uma ilusão imaginar que a Marta estará ausente da campanha. Quem a conhece sabe que, no devido momento, ela vai mergulhar de cabeça. É uma pessoa que sabe da importância do nosso projeto de reconquistar a Prefeitura, inclusive para resgatar bandeiras caras à sua administração", disse o ex-ministro.

A assessoria da senadora, em São Paulo, afirmou que ela "estava descansando". No gabinete, porém, a informação era de que Marta teria reservado passagem para Brasília, mas não compareceu à despedida de Haddad porque o horário da cerimônia mudou da manhã para a tarde.

Ao contrário de Marta, o PMDB prestigiou Haddad. Estavam lá o vice-presidente Michel Temer e o presidente do Senado, José Sarney. O PMDB lançou o deputado Gabriel Chalita como candidato à Prefeitura.

Apesar do tratamento vip, Dilma trocou, mais uma vez, o nome do petista e o chamou de Paulo Haddad. / COLABOROU ROSA COSTA

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