Nacho Doce / Reuters
Nacho Doce / Reuters

PT lançará candidatura de Lula em ato no dia 9 de junho, em Belo Horizonte

Partido pedirá autorização judicial para ex-presidente gravar pronunciamento da prisão

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

23 Maio 2018 | 20h21

BRASÍLIA - O PT vai lançar a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto no dia 9 de junho, em Belo Horizonte (MG). A estratégia foi acertada nesta quarta-feira, 23, em almoço da presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), com quatro dos cinco governadores do partido. No encontro, Gleisi cobrou a defesa pública de Lula – que está preso há 47 dias, em Curitiba –, procurando sepultar de uma vez por todas as articulações sobre um “Plano B” para substituí-lo.

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A  reunião ocorreu seis dias depois de o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), dizer ao Estadão/Broadcast que o PT “não pode apostar no isolamento suicida”. Para Santana, a sigla deveria indicar o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad como vice em uma chapa liderada pelo ex-ministro Ciro Gomes, pré-candidato do PDT.

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O Estado apurou que o governador do Ceará manteve a posição no encontro quarta-feira, mas ele deixou a sede do PT sem dar entrevistas. Camilo é afilhado político de Ciro. O governador da Bahia, Rui Costa - que também já havia manifestado publicamente simpatia por uma dobradinha com Ciro –, não compareceu.

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“Não houve enquadramento. Todos reafirmaram apoio à candidatura do presidente Lula”, disse Gleisi. “Nossa prioridade é buscar um vice de outro partido e vamos trabalhar para isso.” A portas fechadas, no entanto, dirigentes do PT e até governadores afirmam que Haddad acabará sendo o vice e, portanto, a opção petista para a campanha ao Planalto, caso Lula seja barrado pela Justiça com base na Lei da Ficha Limpa.

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Condenado em segunda instância no caso do triplex do Guarujá, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Lula cumpre pena de 12 anos e um mês de prisão desde 7 de abril. A estratégia do PT é registrar a sua candidatura em 15 de agosto, mesmo sob forte risco de impugnação. Até lá, porém, a cúpula do partido fará vários movimentos para manter o ex-presidente em evidência.

PT quer gravar vídeo com Lula candidato

A ideia é que Lula, encarcerado, grave um pronunciamento para ser exibido no ato de lançamento de sua campanha, em Belo Horizonte. Líder nas pesquisas de intenção de voto, o petista já teve o nome lançado outras vezes, até mesmo em atos regionais. Trata-se de uma articulação combinada para que os holofotes da eleição continuem sobre Lula. Na "pajelança" do dia 9 será apresentada uma nova versão da Carta ao Povo Brasileiro, agora voltada para a classe média. O primeiro documento desse tipo foi lançado na corrida eleitoral de 2002, para acalmar o mercado financeiro.

Advogados do PT já preparam um pedido de autorização judicial para a gravação do vídeo. “Não é possível que ele não tenha direito de se comunicar”, afirmou o governador do Piauí, Wellington Dias, um dos quatro chefes de Estado que participaram do encontro desta quarta-feira com Gleisi. Os outros foram Fernando Pimentel (Minas Gerais), Camilo Santana (Ceará) e Tião Viana (Acre).

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Candidato à reeleição, Wellington foi escolhido por seus pares como interlocutor de Lula nas conversas com os governadores do PT e também nas negociações com antigos aliados, como o PSB e o PC do B. Além disso, ele foi  encarregado de viajar pelo País para traçar o mapa político dos Estados e identificar possibilidades de atrair lideranças para palanques do PT, mesmo onde não houver coligação nacional.

“Vamos fazer um “esquenta”, no próximo domingo, em todos os municípios onde o PT está organizado, com participação dos movimentos sociais, falando da situação do Lula e da necessidade de disputar eleições”, anunciou Gleisi.

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Na quarta, após muita polêmica, os petistas intensificaram a discussão de estratégias para a montagem da chapa e abriram o cronograma de diálogo com antigos aliados. “Não estamos falando apenas de candidato a presidente e a vice. Queremos trabalhar um campo político com PC do B, PSB e PDT, respeitando as candidaturas postas e também discutindo os palanques nos Estados, mas sempre ouvindo o presidente Lula”, disse a presidente do PT.

Antes do almoço com os governadores, Gleisi participou de uma reunião com presidentes do PDT, PSB, PC do B e PSOL. A conversa não girou, porém, em torno de uma coligação ao Planalto. Sem acordo nacional, os partidos de esquerda se juntaram mesmo para escrever uma nota com críticas aos dois anos do governo de Michel Temer.

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