PT já traça estratégia para defender aliados e atacar oposição

Líder Jilmar Tatto (SP) assegura que partido não permitirá que Agnelo seja "cristianizado" na disputa política e mira em Perillo

DENISE MADUEÑO, EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2012 | 03h07

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira nem sequer foi criada e parte do PT já começou a traçar a estratégia para defender seus companheiros de partido e atacar a oposição. A tática petista foi evidenciada ontem pelo líder do partido na Câmara, Jilmar Tatto (SP), que saiu em defesa do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, identificado nas escutas da Polícia Federal como o "01" citado por integrantes do esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. De acordo com Tatto, o PT não vai permitir que Agnelo seja "cristianizado" em virtude da disputa política.

"Eu acredito na honestidade do governador Agnelo. Eu acredito no governador do PT e não acredito no governador do PSDB. O governador Perillo, este sim, tem coisa contra ele", afirmou Tatto.

Integrantes do governo tucano de Goiás, comandado por Marconi Perillo, fariam parte do esquema de Cachoeira, de acordo com investigação da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. "Ninguém tem compromisso com o malfeito. Se o agente público cometeu ilicitudes vai ter de pagar e isso serve para todos. Eu acredito no comportamento e na postura corretos do nosso governador. Nós não vamos aceitar que ele (Agnelo) seja cristianizado na disputa política", completou.

Na avaliação de Tatto, as duas operações da PF, a Vegas e a Monte Carlo, atingem, principalmente, políticos do DEM e do PSDB e, por isso, parlamentares dos dois partidos querem desviar o foco para o governador do DF e para o caso Waldomiro Diniz.

"A oposição está ferida e sangrando, porque construiu um discurso moralista que se voltou contra ela. As investigações pegam fortemente a oposição, o senador Demóstenes Torres e o governador Marconi Perillo, do PSDB. A oposição está preocupada", afirmou o petista.

Divisão. Apesar de ser irreversível a criação da CPI, parte da base aliada está dividida e insatisfeita com o funcionamento da comissão. Os peemedebistas, em sua maioria, estão certos de que a CPI será "um tiro no pé" do governo. A avaliação é a de que o governo Dilma Rousseff desfrutava de uma situação confortável no Congresso. Agora, com a CPI, o Planalto sairá da rotina e será obrigado a administrar uma situação política tumultuada por denúncias que poderão atingir os aliados.

As lideranças partidárias começaram a recolher anteontem as assinaturas para a criação da CPI mista. A expectativa é apresentar o requerimento com as assinaturas - são necessárias 171de deputados e 27 de senadores - na terça-feira. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), reafirmou ontem que irá determinar a criação da CPI e sua instalação tão logo receba o requerimento. A presidência da CPI ficará nas mãos de um senador peemedebista. O mais cotado para o cargo é Vital do Rego (PB). Já a relatoria da comissão caberá ao PT da Câmara.

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