PT já traça estratégia para conter ataques diretos a Kassab na eleição

Ao apostar em ruptura do prefeito com PSDB, sigla quer aliança com PSD em outras cidades e deixar a porta aberta na capital

Malu Delgado, de O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2011 | 03h01

A direção do PT já começa a articular uma estratégia eleitoral na capital paulista que evite confrontos diretos com o prefeito Gilberto Kassab e deixe as portas abertas para uma eventual aliança com o PSD num segundo turno. A hipótese foi discutida neste fim de semana por dirigentes petistas e leva em conta um cenário de ruptura entre o PSDB e o partido de Kassab.

 

O tom da campanha, porém, já divide o PT. Correntes do partido que concordaram em apoiar a candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad, à Prefeitura de São Paulo exigiram que o petista critique a atual gestão de Kassab na capital. A saída para o imbróglio seria atacar programas e ações da Prefeitura sem mencionar diretamente o nome de Kassab nos ataques.

 

A preocupação da direção do PT é preservar alianças com Kassab em todo o Estado de São Paulo, sobretudo no ABC paulista. Em cidades como Osasco e Guarulhos, consideradas estratégicas para a sigla, a aliança entre os dois partidos já foi acertada.

 

Além da preocupação com o segundo turno, os petistas deram largada às negociações para as alianças que vão garantir a Haddad o maior tempo de TV possível na propaganda eleitoral. A prioridade, no momento, é assegurar o apoio do PR e evitar qualquer proximidade do partido com os tucanos.

 

Em relação ao PC do B, o senso comum petista aposta que uma intervenção do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode levar à desistência da candidatura do vereador Netinho de Paula. A condição seria oferecer ao partido a vaga de vice e fechar alianças em capitais exigidas pelo PC do B, como Porto Alegre (RS).

 

"Estamos abertos às alianças", frisou o presidente nacional do PT, Rui Falcão, para em seguida emendar: "O PT não abre mão de ter candidato próprio, temos candidato".

 

Apesar de ter contornado os problemas internos e ter definido o candidato antecipadamente, o PT vive um momento desconfortável para a formação de alianças. O PMDB lançará a candidatura do deputado federal Gabriel Chalita. "No PT, a única pessoa que acredita que o Chalita não será candidato é o Lula", disse um parlamentar petista.

 

Para não melindrar as relações com o PMDB, a ordem no PT é tratar com seriedade a candidatura de Chalita. "Há um esforço de aproximação com o PMDB em todo o Estado, mas respeitamos a decisão (da candidatura). A presidente Dilma já disse que considera Chalita uma importante liderança", afirmou Edinho Silva, presidente do PT estadual. / COLABOROU TOMAS OKUDA/AE

 

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