PT instala conselho político para Haddad

A pedido da presidente Dilma Rousseff, o pré-candidato do PT à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, deve permanecer à frente do Ministério da Educação até janeiro, quando for concluída a reforma ministerial que o Planalto prepara. Isso não o impedirá, porém, de deslanchar a pré-campanha. O primeiro passo nessa direção foi dado ontem à tarde, com a instalação oficial de um conselho político que irá assessorá-lo nessa fase inicial.

ROLDÃO ARRUDA, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2011 | 03h02

Com 24 integrantes, o grupo terá um amplo leque de tarefas. Elas vão da articulação com outros partidos, em busca de coligações para o primeiro e segundo turnos da eleição, a esforços para manter a militância petista unida, passando pela costura de um primeiro programa de governo.

A preocupação com a unidade interna levou o partido a incluir no conselho representantes das principais tendências políticas em que se divide na capital paulista, além dos quatro ex-pré-candidatos à prefeitura: a senadora e ex-prefeita Marta Suplicy, os deputados federais Jilmar Tatto e Carlos Zaratini e o senador Eduardo Suplicy. Dos quatro, apenas a senadora não compareceu ao encontro de ontem, alegando ter assumido compromissos anteriores.

Para afagar a ex-prefeita, o conselho programou a realização de um seminário, entre janeiro e fevereiro, para discutir os efeitos da administração Marta, entre 2001 e 2004. Ao final também deverão ser apresentadas propostas para o programa de governo de Haddad.

O evento será coordenado pelo conselho instalado ontem e pelo escritório político da ex-prefeita - de onde partiu a ideia original de um seminário sobre a administração petista e políticas públicas urbanas. Na época, Marta ainda esperava contar com o apoio do PT para tentar a reeleição.

Ela foi vencida pela persistência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que acabou impondo o nome de Haddad ao partido. A influência de Lula voltou a se manifestar ontem, na instalação do conselho: um de seus integrantes, o prefeito de Osasco, Emidio de Souza, foi indicado diretamente pelo ex-presidente e deve atuar como seu porta voz direto.

Ao final da primeira reunião, o ministro e pré-candidato procurou demonstrar entusiasmo. "Já começamos a discutir a cidade e a maneira correta de nos conduzirmos no próximo período. Foi muito bom."

Segundo Haddad, o conselho vai buscar inspiração em outras administrações municipais petistas. "Vamos contar com a participação de especialistas e de representantes do movimento social organizado que se dedica a questões setoriais, como moradia, saúde, educação", disse.

Ubes. Pela manhã, ele participou em São Paulo de um congresso da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes). Diante de uma platéia de quase 500 representantes estudantis, falou das ações do governo na área educacional e leu uma carta da presidente Dilma, na qual ela promete a construção de quatro universidades federais até o final do mandato.

A Ubes é controlada pelo PC do B, que, no plano nacional, faz parte da base do governo federal e, em São Paulo, apoia a administração do prefeito Gilberto Kassab (PSD). O PT tenta conquistar o apoio da sigla, que na capital tem como pré-candidato o vereador Netinho de Paula.

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