Dida Sampaio/AE
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'PT exaure herança de FHC', diz Aécio

Ao criticar dez anos de gestão petista, presidenciável tucano afirma que adversários deveriam 'revisitar própria trajetória' sem narcisismo

Eugênia Lopes e Ricardo Brito, de O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2013 | 02h07

BRASÍLIA - Pré-candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves (MG) afirmou nessa quarta-feira, 21, na tribuna do Senado que Dilma Rousseff governa o País sob a "lógica da reeleição". O discurso na tribuna do Senado teve objetivo de ser um contraponto às comemorações do PT, em São Paulo, de dez anos no comando do País. Aécio listou o que chamou de os "13 fracassos" do partido adversário, em uma referência ao número eleitoral usado pelos petistas.

"A verdade, senhoras e senhores, é que hoje seria um ótimo dia para que o PT revisitasse a sua própria trajetória, não pelo espelho do narcisismo, (...), mas pelos olhos da História, até porque, ao contrário do que tenta fazer crer a propaganda oficial, o Brasil não foi descoberto no ano de 2003", afirmou o senador.

Aécio leu o discurso, que durou 20 minutos e foi acompanhado pela cúpula do PSDB da Câmara e do Senado, por aliados políticos e até integrantes do PSB, que estuda lançar seu próprio candidato a presidente em 2014, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

O senador tucano mencionou a queda da atividade industrial no País, a perda de credibilidade internacional por causa de manobras fiscais no final de 2012 para fechar as contas do superávit primário, a "destruição de empresas nacionais", como a Petrobrás, as tentativas de "cerceamento da liberdade de imprensa" e a "complacência com os desvios" como os do mensalão.

O pré-candidato do PSDB afirmou que a presidente "chega à metade de seu mandato longe de cumprir as promessas da campanha de 2010". Segundo ele, o País está estagnado e o Programa de Aceleração do Crescimento, uma das vedetes do governo federal, é "o PAC da propaganda e do marketing". Na fala, Aécio citou quatro vezes o nome de Dilma e nenhuma a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O tucano disse que o governo escapou de um "apagão" de energia por duas razões: a economia teve um "péssimo desempenho" e as termoelétricas da época do governo FHC, "tão combatidas" à época por petistas, operaram na sua "capacidade máxima".

Aécio defendeu o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Ele afirmou que "a grande verdade é que nos 10 anos o PT está exaurindo a herança bendita" do ex-presidente,

O senador fez ainda um aceno ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), ao citar sua política de tratamento de viciados em crack. Foi elogiado em aparte pelo colega de Senado Aloysio Nunes Ferreira (SP), aliado de José Serra, tucano que mantém pretensões presidenciais. Aécio foi aplaudido em dois momentos do discurso. No primeiro, logo no início da fala, quando disse que o PT se sentiu ameaçado pela blogueira cubana e colunista do Estado, Yoani Sánchez. No outro, no momento em que falou que Dilma está em campanha à reeleição.

O presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN), disse que o discurso foi uma espécie de "toque de reunir" dos oposicionistas. "Foi um discurso estimulante, verdadeiro e convoca a união da oposição", afirmou.

Presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE) disse que Aécio não fez um discurso de candidato a presidente, mas sim de um líder de oposição. O senador mineiro deverá assumir o comando do partido em maio para ganhar mais um palanque pré-eleitoral.

O deputado Julio Delgado (PSB-MG) comentou o discurso: "O PSB já vem marcando o seu espaço. O PSDB talvez tenha ficado aquém do processo e a simbologia da fala é marcar posição."

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