PT estuda apoio ao PSB em Campinas para ajudar Haddad

Dirigentes do partido cogitam abrir mão de candidatura na cidade se sigla de Eduardo Campos fechar aliança na capital

O Estado de S.Paulo

25 de março de 2012 | 03h05

O PT cogita oferecer apoio ao PSB na eleição pela Prefeitura de Campinas em troca de uma aliança a favor de Fernando Haddad em São Paulo. Em fevereiro, o PSDB anunciou apoio à candidatura do deputado Jonas Donizette (PSB) em Campinas também para facilitar a negociação na capital. Pelo acordo, os tucanos indicariam o vice de Donizette.

Mas os petistas acreditam que podem ceder espaço à sigla em Campinas e outros municípios para aproximá-la da chapa de Haddad em São Paulo. "Já passou o prazo para decidirmos se vamos apoiar outro partido (em Campinas), mas ainda não há definição sobre nosso candidato", disse o presidente nacional do PT, Rui Falcão. "Se o Jonas Donizette jogar o (vice) do PSDB fora...", insinuou Falcão, dando brechas para uma negociação.

O objetivo da oferta seria "aplacar" a resistência do presidente estadual do PSB, Márcio França, a uma aliança com o PT na capital. França é secretário de Turismo do governador Geraldo Alckmin (PSDB). A avaliação dos petistas é que o acordo se resume à reeleição de Alckmin em 2014. Garantindo apoio ao PSB em Campinas, o PT quer tornar os planos eleitorais da sigla em 2012 menos dependentes dos tucanos.

A proposta de apoio ao PSB em Campinas será debatida pelo PT paulista. O partido pode realizar prévia entre o ex-secretário Sebastião Arcanjo e o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, para escolher seu candidato.

Lula. O presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, volta a se reunir com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre hoje e amanhã para negociar alianças para as eleições municipais. Um acordo em São Paulo está entre as prioridades do petista.

O governador Eduardo Campos resiste a uma coligação com o PSDB na capital, uma vez que o PSB é um dos principais aliados do PT no governo federal. O PT aponta como moeda de troca para o acordo seu apoio à reeleição do prefeito Marcio Lacerda (PSB) em Belo Horizonte.

O PT recorreu a Campos em fevereiro para tentar evitar o acordo do PSB com os tucanos. Desde então, o comando do PSDB de Campinas voltou a discutir uma candidatura própria.

Aborto e homossexualidade. Fernando Haddad disse ontem que os adversários do PT "fomentam a intolerância" no debate contra seu partido. Em um evento com militantes petistas, Haddad indicou que seus rivais pretendem levantar discussões sobre gênero e orientação sexual para criticá-lo. "Não se iludam sobre a força de nossos adversários. Eles estão agora fazendo um trabalho de fomento à intolerância", disse o ex-ministro. "Só há uma forma de eles nos derrotarem, que é fazer brotar algo que não é da nossa essência no plano da cultura. Por isso a discussão sobre gênero, sobre orientação sexual." Haddad tornou-se alvo de ataques depois que um kit didático contra a homofobia foi desenvolvido a pedido do Ministério da Educação, sob sua gestão. A distribuição do kit foi barrada pelo governo.

"Não adiantam campanhas fundamentalistas como as que foram feitas contra Dilma. Não vamos abrir mão de combater o preconceito, a discriminação e a homofobia", disse Rui Falcão.

O presidente do PT também criticou as disputas dentro do partido pela coordenação da campanha de Haddad. "Disputas de espaço são legítimas, mas elas têm de se dar nas instâncias do partido." / BRUNO BOGHOSSIAN

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