PT e PSDB rechaçam terceira via do PSB nas eleições em São Paulo

Sigla de Eduardo Campos enfrenta saia-justa entre pedido de Lula e preferência local por Serra

Julia Duailibi, Daiene Cardoso e Elizabeth Lopes

23 de março de 2012 | 03h05

A terceira via que começou a ser discutida pelo PSB na eleição pela Prefeitura de São Paulo desperta a resistência de petistas e tucanos, que querem o tempo de televisão dos socialistas no horário eleitoral e veem com ceticismo a ideia de uma candidatura independente na eleição paulistana.

Pressionada pelo PT para apoiar o pré-candidato Fernando Haddad, a direção nacional do PSB tenta buscar uma saída para a questão em São Paulo, onde a direção regional prefere uma coligação com o PSDB, que deve lançar como candidato o ex-governador José Serra.

O presidente nacional do partido, governador Eduardo Campos (PE), tem encontro com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no começo da semana que vem para falar da aliança com Haddad. Levará um levantamento da executiva do PSB sobre as capitais em que o PT pode apoiar os socialistas, facilitando a costura em São Paulo.

O lançamento da candidatura avulsa começou a ganhar força. Campos já falou com interlocutores sobre essa saída, que é vista com mais simpatia em São Paulo, onde o apoio a Serra pode ser vetado pela direção nacional, que tem a prerrogativa de dispor sobre as alianças nas capitais. As direções nacional e estadual do PSB atuam, por enquanto, juntas para encontrar uma solução.

Na segunda-feira, o presidente do PSB estadual, Márcio França, esteve com o presidente do PDT paulista, o pré-candidato Paulinho Pereira da Silva, da Força Sindical. Conversaram sobre uma aliança entre as siglas.

Mas, apesar dos sinais pró-candidatura própria, aliados do governador pernambucano dizem que ainda é difícil Campos não atender a um pedido de Lula. A pré-candidatura petista enfrenta problemas com o PR e o PC do B, que ameaçam não apoiar Haddad, reduzindo os minutos do petista na propaganda gratuita. Os vereadores do PSB também resistem a uma candidatura própria alternativa. A ampliação da bancada na Câmara tem relação com o desempenho do candidato a prefeito apoiado pela sigla.

Para o PT, a terceira via do PSB é rechaçada e vista como traição a Lula. Os tucanos acham pouco provável uma candidatura independente. Mas, se a pressão pró-PT for grande, vão atuar para que, pelo menos, o PSB não apoie Haddad no 1.º turno.

No ano passado, Campos chegou a se reunir com o governador Geraldo Alckmin para articular a aliança com o PSDB em São Paulo, tendo como contrapartida cidades pelo interior do Estado. Na época, a candidatura de Serra não estava colocada. Campos considera ruim apoiar um dos principais adversários do PT, partido com quem mantém boa relação e do qual é cotado para ser candidato a vice-presidente na eleição de 2014.

TV. Defensores da aliança com o PSDB alegam que o PSB precisa crescer na Região Sudeste e que o apoio aos tucanos fortalece a relação com o PSD, de Gilberto Kassab, que fechou um acordo eleitoral com Campos para o futuro. A legenda do prefeito pede na Justiça tempo na propaganda gratuita na TV. Se ganhar, dará combustível a uma candidatura de Campos à Presidência em 2014, que disputaria contra a polarização entre PT e PSDB.

Em disputas recentes em São Paulo, o PSB chegou a ensaiar independência eleitoral. Em 2004, lançou Luiza Erundina, tendo Michel Temer, do PMDB, como vice. Em 2010, também lançou candidatura avulsa ao governo do Estado, com Paulo Skaf.

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