PT do Recife vai reagir à intervenção da cúpula nacional

O PT do Recife promete resistir à intervenção da executiva nacional do partido no processo sucessório da cidade. Nos próximos dias o grupo político do prefeito João da Costa vai se encontrar para discutir os rumos a serem tomados após a cúpula do PT impor o nome do senador Humberto Costa à eleição para prefeitura de Recife.

ANGELA LACERDA, Agência Estado

06 de junho de 2012 | 17h44

Buscar o diálogo; entrar com recurso na direção nacional em prol do direito à reeleição de João da Costa; buscar a justiça comum para restabelecer o direito do prefeito de postular um segundo mandato. Estas são algumas das alternativas que serão discutidas em um encontro ainda sem data e horário definidos. "Será depois do feriado", limitou-se a dizer o presidente do PT do Recife, Oscar Barreto, ao defender que o assunto deve ser tratado sem cabeça quente. A militância do prefeito se prepara para recebê-lo com festa nesta quinta à tarde, no Aeroporto dos Guararapes, onde ele desembarca, vindo de São Paulo.

"A decisão da executiva nacional abre um precedente perigoso para o partido no nível nacional e deve ser negada", afirmou o ex-presidente estadual do PT, Jorge Perez. "Assim, basta não concordar com o processo democrático, para intervir". Ele destacou que o processo de escolha do candidato petista à prefeitura vinha seguindo todos os trâmites regimentais. Primeiro, relembrou, foi feita uma primeira prévia, em que o prefeito ganhou por 52% dos votos de Maurício Rands. A prévia foi anulada, a partir de questionamentos de quem tinha ou não direto de votar, e uma outra começou a ser organizada pela executiva nacional. Rands desistiu de concorrer e o prefeito manteve a intenção de disputar a reeleição.

O problema, de acordo com os aliados do prefeito, foi a intervenção realizada pela executiva e não o nome de Humberto Costa, que seria tranquilamente acatado se ele aceitasse disputar e saísse vencedor de uma nova prévia. "Foi uma violência", resumiu o deputado federal Fernando Ferro.

O grupo político do prefeito está convicto de que a decisão da executiva nacional nada tem a ver com uma suposta negociação feita com o PSB - Humberto candidato no Recife em troca do apoio a Fernando Haddad na disputa pela prefeitura de São Paulo. "Isso não existe, é desculpa para justificar uma intervenção que o governador Eduardo Campos (presidente nacional do PSB) não exigiu".

"Esta história é apenas uma justificativa para a violência do PT neste processo", reforçou Fernando Ferro. "Pura especulação, o governador podia ter suas preferências, mas sempre deixou claro que acataria a decisão do PT do Recife", acrescentou a deputada estadual Teresa Leitão, apoiada pelo presidente do PT na capital, Oscar Barreto.

Tudo o que sabemos sobre:
eleições 2012RecifePT

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.