PT do Maranhão ganha fôlego para romper com Sarney

Cúpula petista avalia ser difícil intervir por antiga aliança; integrantes do partido no Estado falam até em realizar plebiscito

PEDRO VENCESLAU, THAIS ARBEX, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2013 | 02h02

Iniciada na campanha presidencial de 2002, a até hoje inabalável relação de amizade e lealdade entre os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e José Sarney será colocada à prova em 2014. A cúpula nacional do PT considera remota a hipótese de promover uma nova intervenção no Maranhão para forçar o apoio ao candidato do clã que domina o Estado há décadas.

Só uma ação direta de Lula poderia mudar esse cenário e reprisar 2010, quando o diretório estadual petista decidiu apoiar Flávio Dino (PC do B) contra Roseana Sarney (PMDB), mas foi desautorizado pela direção nacional. Atual presidente da Empresa Brasileira de Turismo (Embratur), Dino já articula a formação de um palanque que inclui o PSDB, o PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e a Rede da ex-senadora Marina Silva.

Isso significa que o clã Sarney corre risco de entrar na campanha sem apoio de nenhum candidato a presidente. "Flávio Dino está abrindo espaço para o PDT, PSB e PSDB. Nossa condição é participar da chapa majoritária. Ainda estamos conversando se será na vice da chapa ou com candidato ao Senado" diz o deputado Carlos Brandão, presidente do PSDB no Maranhão.

Roseana não pode disputar a reeleição e, por isso, Sarney escolheu como candidato do grupo o secretário de Infraestrutura do Estado, Luís Fernando Silva. Para constranger a cúpula petista nacional a não interferir no processo, a ala anti-Sarney do PT maranhense protocolou no diretório da sigla uma proposta de plebiscito no Estado para resolver o dilema.

"Formalmente, o PT apoia o candidato do Sarney, mas a militância está com Flávio Dino. O plebiscito é para resguardar, blindar e preservar a direção nacional de pressões e até de chantagens do PMDB", afirma Márcio Jardim, membro da executiva estadual do PT. Mesmo que o plebiscito seja aprovado, a definição sobre a aliança, segundo regimento do partido, só sairá no encontro estadual da sigla, sem data definida. Ainda assim, não deixa de ser uma saia-justa para a cúpula do PT, Lula e a presidente Dilma Rousseff, que defenderam plebiscito para a reforma política.

Divisão. Após a intervenção em 2010, o PT indicou o vice de Roseana, Washington Luiz. Mas a divisão daquele ano permanece até hoje: um grupo apoia Dino e outro, que está na administração, prefere continuar ao lado do PMDB e do clã Sarney.

"O PC do B é aliado histórico do PT. Tivemos apoio dos petistas em 2010, mas infelizmente uma intervenção do PT nacional impediu a aliança. Conto que em 2014 essa aliança nacional do PC do B com o PT seja adequadamente valorizada", afirma Dino. Dos seis candidatos que disputam a presidência nacional do PT, cinco defendem o fim da aliança com os Sarney.

O PC do B nacional também atua para atrair o PT no Maranhão. O partido colocou o apoio a Dino como única exigência de contrapartida nas articulações nacionais com os petistas.

Apesar desse cenário, há quem duvide do rompimento dos petistas com o PMDB, como o deputado Domingos Dutra. "A interlocução do PT do Maranhão com o Sarney é feita diretamente pelo Lula." Ele já se despediu do PT criticando justamente a aliança com Sarney e deve ir para a Rede.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.