PT diz rechaçar ‘ilações’ e prepara medida judicial

Partido repudia acusações ‘com veemência’; secretaria comandada por Vaccari afirma que vai entrar na Justiça contra os delatores

Fábio Brandt e Ricardo Galhardo, O Estado de S. Paulo

09 de outubro de 2014 | 16h32

Atualizada às 22h34

O presidente nacional do PT divulgou nota nesta quinta-feira, 9, na qual afirma repudiar “com veemência e indignação” as acusações do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef na audiência na Justiça Federal de Curitiba. “O PT desmente a totalidade das ilações de que o partido teria recebido repasses financeiros originados de contratos com a Petrobrás”, afirma a nota. 

Falcão disse lamentar a “repetição de vazamentos de depoimentos no Judiciário, tanto mais quando se trata de acusações sem provas”, e afirmou que o PT “analisa a adoção de medidas judiciais cabíveis”.

Em nota, a Secretaria de Finanças do PT, comandada por João Vaccari Neto, rechaçou as acusações de Costa segundo as quais Vaccari seria o responsável por repassar os 3% de propina dos contratos da Petrobrás ao partido. A secretaria disse que vai “processar civil e criminalmente aqueles que têm investido contra sua honra e reputação”.

Na nota, a Secretaria de Finanças sustenta ainda que o depoimento de Costa à Justiça está “carregado de afirmações distorcidas e mentirosas”. “O secretário João Vaccari Neto nunca tratou sobre contribuições financeiras do partido, ou de qualquer outro assunto, com o sr. Paulo Roberto Costa”, diz o texto. “Reiteramos que as contribuições financeiras recebidas pelo PT são transparentes e realizadas sempre de acordo com a legislação em vigor”, conclui.

O ex-ministro José Dirceu, por meio de sua assessoria de imprensa, rebateu a informação de Costa de que ele fez indicação para a diretoria de Serviços da Petrobrás. “O ex-ministro afirma que não indicou Renato Duque para a diretoria de Serviços da Petrobrás”, destacou a assessoria de Dirceu.

O presidente do PP, senador Ciro Nogueira, afirmou que seu partido não abrirá nenhum procedimento interno para apurar as acusações feitas por Costa. Nas respostas que deu às autoridades, Costa disse que PP, PMDB e PT ficavam com um porcentual dos contratos fechados por diretorias da Petrobrás comandadas por apadrinhados. “Não temos instrumento para isso. Temos que confiar na Polícia Federal, no Ministério Público e na própria CPI”, disse Nogueira ontem.

Contas aprovadas. O presidente do PP disse ainda que, na época em que teriam ocorrido os fatos relatados por Costa, ele não presidia o partido. Afirmou que recebeu, ontem, um telefonema de seu antecessor, o senador Francisco Dornelles (RJ). “Ele me disse que todas as prestações de contas do partido estão aprovadas pelo TSE.” 

Questionado sobre as irregularidades atribuídas por Costa a indicados pelo PP para ocupar cargos na Petrobrás, Nogueira disse que quem fez essas indicações não foi Dornelles, mas sim o falecido deputado federal José Janene. “Infelizmente, ele não está aqui. Faleceu.”

O presidente do PP considera o vazamento do depoimento de Costa parte de uma estratégia para atingir determinados políticos e proteger outros. “Vaza só o que quer. Deveriam investigar o vazamento. E quem não foi vazado? Está protegendo alguém? Defendo que se abra logo tudo”, disse. 

Em nota, a Petrobrás afirmou que vem acompanhando as investigações e colaborando com os trabalhos das autoridades.

PMDB. O vice-presidente da República, Michel Temer, que é presidente nacional do PMDB, afirmou, por meio de sua assessoria, que a legenda não vai comentar o caso. 

O Estado falou ao telefone com o primeiro-vice-presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), que comandou a legenda nos últimos anos, enquanto Temer estava afastado das atividades partidárias. 

Valdir Raupp afirmou não ter lido as notícias sobre o depoimento do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa e que não teria nada para dizer sobre o assunto.

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