Ricardo Stuckert/Divulgação
Ricardo Stuckert/Divulgação

PT diz que crise pode impulsionar 'aventuras autoritárias'

Lançamento de Lula terá slogan 'Mais amado a cada dia. Mais candidato do que nunca'

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

25 Maio 2018 | 20h46

BRASÍLIA - O PT aproveitou a greve dos caminhoneiros para criticar o governo de Michel Temer e defender a campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato, ao Palácio do Planalto. Em nota, o partido marca posição no jogo eleitoral e diz que a atual crise pode se transformar "em terreno fértil para aventuras autoritárias" porque o bloco político de centro - chamado no texto de "campo dos golpistas" - não consegue apresentar uma candidatura viável.

A referência indireta a "aventuras autoritárias" é ao deputado Jair Bolsonaro, presidenciável do PSL. No próximo dia 9, o PT promoverá um ato nacional de lançamento da pré-candidatura de Lula, em Belo Horizonte. "Mais amado a cada dia. Mais candidato do que nunca", dirá o slogan do evento.

Condenado em segunda instância no caso do triplex do Guarujá, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Lula cumpre pena de 12 anos e um mês de prisão, em Curitiba, desde 7 de abril. A estratégia do PT é registrar sua candidatura em 15 de agosto, mesmo sob risco de impugnação pela Lei da Ficha Limpa.

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Líder nas pesquisas de intenção de voto, o ex-presidente já teve o nome lançado outras vezes, em atos regionais. Trata-se de um movimento para mantê-lo em evidência.

Agora, o partido pegou carona na paralisação dos caminhoneiros para também defender seu maior líder. Assinada pela presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), e pelos líderes do partido na Câmara, Paulo Pimenta (RS), e no Senado, Lindbergh Farias (RJ), a nota sobre a greve afirma que a política adotada na Petrobrás trata a empresa "como se fosse uma bolha privada desconectada do interesse nacional".

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Para os petistas, o protesto contra a alta dos combustíveis é "justo", mas a população precisa ficar de olho em "tentativas de manipulação política da paralisação dos transportes e suas consequências". O texto não cita em nenhum momento os escândalos na Petrobrás. Sustenta, porém, que houve 229 reajustes no preço do diesel, nos últimos dois anos,  e "apenas 16" nos governos do PT (gestões de Lula e Dilma Rousseff).

"A reversão deste processo, em benefício do País e do povo, só será possível quando tivermos um governo eleito pela maioria, com legitimidade para enfrentar as pressões do mercado, ao invés de submeter-se a ele como fazem Michel Temer e Pedro Parente (presidente da Petrobrás). Esta é mais uma razão para lutarmos pela liberdade de Lula e pelo direito do povo de votar livremente", diz um trecho da nota do PT.

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