PT dividido não vence, diz Haddad a Kassab

Ex-ministro defende unidade partidária um dia após prefeito ser vaiado em Brasília e ouve protestos em São Paulo contra a aliança com o PSD

Fernando Gallo, de O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2012 | 03h05

Um dia após as vaias ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), na festa de 32 anos do PT em Brasília, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad (PT) afirmou ter dito ao potencial aliado que o maior trunfo de que dispõe na eleição é a união de seu partido. Minutos depois da declaração, o pré-candidato ouviu de cerca de 600 militantes do PT paulistano o coro de "Ei, Haddad, não queremos o Kassab".

"Eu disse a ele, na conversa que tive com ele, que o patrimônio que tenho para disputar essa eleição é o PT unido e com vontade de ganhar as eleições", sustentou Haddad em outra festa de 32 anos do partido, na noite de sábado, organizada pelo diretório paulistano. "Qual a força que o PT tem na cidade? A sua unidade. Se não a preservarmos não temos chance de vitória."

Haddad avaliou que a ida de Kassab a Brasília "não foi bem compreendida", uma vez que, segundo o ex-ministro, o prefeito mantém o PT em terceiro lugar na sua ordem de preferência da composição de chapas. Ele disse ter ouvido de Kassab que "não lhe interessa o PT desunido".

O ex-ministro ainda minimizou as vaias recebidas pelo prefeito em Brasília. "Depois de 11 anos de vida pública, já vi muito aplauso e muita vaia. É próprio da democracia as pessoas se manifestarem. Já passei por isso, vi pessoas que passaram por isso e depois foram celebradas. Como já vi o oposto também".

Kassab, não. Minutos após as declarações, subiu ao palco e fez um breve discurso para a militância petista. Ao final, ouviu quase todo o salão de festas do Clube Tramontano - cerca de 600 pessoas, segundo os organizadores -, protestarem seguidas vezes contra a aliança com Kassab.

Desconcertado, o presidente do PT-SP, vereador Antonio Donato, puxou um grito petista e depois um Parabéns a Você, no que foi acompanhado pelo salão. Ao fim, no entanto, a grita antikassabista soou novamente.

Em seu primeiro ato de pré-campanha desde que deixou o Ministério da Educação, Haddad viu, além do coro da militância, outras manifestações contra a aliança com o prefeito. Ouviu de eleitores que lhe cumprimentaram que um acordo com Kassab era uma traição à história do PT e chegou a tirar fotos com militantes que ostentavam em suas roupas um adesivo que dizia "Haddad sim, PSD não", acompanhada de uma imagem de veto ao atual prefeito.

Um líder petista disse que a manifestação contra Kassab na festa de São Paulo era mais importante do que a vaia de Brasília, porque ali a maioria dos presentes era composta por membros de diretórios zonais que, em sua maior parte, são também delegados no encontro municipal que ocorrerá em 2 de junho e decidirá sobre temas como as alianças.

No discurso para a militância, Donato manifestou o desconforto de parte dos petistas da capital com o movimento pró-aliança, afirmando que as decisões serão tomadas pela militância. "Não vai ser uma imposição de cima pra baixo. É a garantia que a direção pode dar", afirmou.

Marta, sim. Instado a comentar a ausência da senadora Marta Suplicy (SP) na festa do PT em Brasília, o pré-candidato assegurou com veemência a presença dela em sua campanha. "Sou capaz de te garantir com 120% de certeza que a senadora Marta Suplicy vai, como todas as vezes, se engajar nessa campanha. Mesmo quando a Marta perdeu prévias, ela se engajou na campanha daquele que venceu".

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