PT deve se aliar à base de Kassab para tentar comando da Câmara

O primeiro passo político do prefeito eleito, Fernando Haddad (PT), será articular, a partir de hoje, uma aproximação com a base kassabista na Câmara Municipal. Coordenadores da campanha petista calculam que Haddad precisa do apoio de pelo menos 30 vereadores para conseguir a presidência da Casa na eleição do dia 1.º de janeiro.

DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2012 | 03h05

Ter o comando do Legislativo é visto como fundamental por Haddad no primeiro ano de governo, quando terá de aprovar mudanças relevantes, como as previstas no novo Plano Diretor. Para isso, Haddad decidiu buscar o apoio do PSD do prefeito Gilberto Kassab, que tem a terceira maior bancada, com sete vereadores.

O grupo fiel ao atual prefeito tem pelo menos 17 integrantes, muitos reeleitos com o apoio de Kassab. O atual presidente, José Police Neto (PSD), de 40 anos, aliado de Kassab, já avisou que vai apresentar seu projeto de reeleição ao novo prefeito petista. Kassab também quer usar a força de seu grupo para manter Police Neto no poder - ou pelo menos para negociar um cargo importante da Mesa Diretora.

No rearranjo das forças políticas no Legislativo, a composição entre PT e PSD, adversários nas urnas, será "inevitável e rápida", segundo líderes ouvidos pelo Estado. Resta saber se o PT vai ter um candidato próprio ou vai apoiar Police Neto, o que selaria uma aliança entre dois partidos que já caminham juntos em Brasília. Kassab disse a vereadores aliados, em reunião no seu apartamento, no dia 21, que pode ganhar "até dois ministérios" se fechar como base da presidente Dilma Rousseff no Congresso, onde o PSD tem 47 deputados.

Candidatos. Além de Police Neto, há também o vereador Antonio Carlos Rodrigues (PR), de 60 anos. Ele adiantou ao Estado que poderá não assumir a vaga no Senado para disputar a presidência da Câmara Municipal, com aval do PT. Rodrigues é o primeiro suplente de Marta Suplicy (PT), nomeada ministra da Cultura. Parte da cúpula do PT defende o apoio a Rodrigues em São Paulo para que a vaga no Senado seja ocupada por Paulo Frateschi (PT), o segundo suplente.

Rodrigues foi reeleito vereador e ocupou a presidência da Câmara de 2007 a 2010. É o articulador político do grupo conhecido como "centrão", que comandou a Casa por seis anos, e foi da base da ex-prefeita Marta Suplicy entre 2001 e 2004.

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