PT determina 'sacrifício total' para ganhar eleições em SP

Para fortalecer Haddad, cúpula vai defender mais cessão de cargos e até de cabeças de chapa aos partidos da base aliada

Vera Rosa, de O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2012 | 03h09

BRASÍLIA - Enquadrada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a cúpula do PT chegou à conclusão de que todo sacrifício deve ser feito para eleger o ex-ministro Fernando Haddad em São Paulo, mesmo que seja necessário abrir mão de cargos no governo e ceder cabeças de chapa a partidos da base aliada, como o PMDB.

A análise será exposta nesta quinta-feira, 9, em reunião do Diretório Nacional. O encontro produzirá uma resolução política de exaltação ao governo Dilma Rousseff e ao PT, que completa 32 anos amanhã. O ato contará com a participação de Dilma, mas Lula não deve comparecer por causa do tratamento contra o câncer na laringe.

"Em 2012, faremos tudo para desmanchar o ninho tucano em São Paulo e é isso o que importa para Lula", resumiu o deputado José Guimarães (CE), que desistiu de disputar a liderança da bancada do PT na Câmara, a pedido do ex-presidente, para apoiar Jilmar Tatto (SP). Não sem motivo: com influência nas zonas sul e leste, Tatto é visto como fundamental para a campanha.

"O que está em jogo é a disputa com o PSDB, nosso principal adversário no projeto nacional", disse o secretário de Assuntos Institucionais do PT, Geraldo Magela. "Aliança eleitoral não é aliança ideológica, e o apoio do (prefeito Gilberto) Kassab ao Haddad é muito bem-vindo."

Tática. Na prática, a conveniência da aliança de Haddad com o PSD de Kassab divide os petistas, mas a direção do partido não vai fazer disso um cabo de guerra e está convencida de que será aprovado o que Lula quiser. Ele argumenta que a vitória na capital é essencial para conquistar o governo do Estado em 2014.

Com o mapa eleitoral sobre a mesa de trabalho, Lula se movimenta em duas direções: primeiro, quer convencer o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP) a não se lançar à sucessão de Kassab. Se isso não for possível, pretende atrair o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles (PSD), para vice de Haddad.

Levantamento do PT obtido pelo Estado mostra que em 74 das 118 cidades com mais de 150 mil habitantes - consideradas estratégicas - não deve haver prévia para a escolha dos candidatos a prefeito. Em 27 municípios, a decisão sairá em encontros partidários, previstos para março.

Na maioria, porém, a tendência é apoiar nomes do PMDB, do PDT e do PSB, como em Belo Horizonte (MG), onde Lula quer que o PT avalize a reeleição de Márcio Lacerda (PSB). O postulante do PT é o atual vice-prefeito, Roberto de Carvalho, em pé de guerra com Lacerda, afilhado do senador Aécio Neves (PSDB). "Vou até o fim", disse Carvalho.

Há também impasses em Curitiba, Recife, Fortaleza, João Pessoa, Manaus e Macapá. Na capital do Paraná, é provável que o PT apoie Gustavo Fruet (PDT). "Para mim, isso é um erro. A coligação tem de ser com o PT na cabeça", disse o deputado e pré-candidato Doutor Rosinha (PR).

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