PT determina defesa de Lula no horário eleitoral de candidatos na TV

Partido vai elaborar nota padrão com aproximadamente 30 segundos; embora se trate de uma orientação formal do partido, a divulgação não será obrigatória

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2016 | 05h00

SÃO PAULO - O Diretório Nacional do PT determinou que todos os candidatos a prefeito do partido em capitais, cidades com possibilidade de 2.º turno e municípios onde existe geração de rádio e TV, usem seus espaços no horário eleitoral gratuito para fazer a defesa de Luiz Inácio Lula da Silva após o ex-presidente ser alvo de denúncia por corrupção e lavagem de dinheiro na Lava Jato. 

Segundo o presidente nacional do PT, Rui Falcão, a direção do partido vai elaborar uma nota padrão com aproximadamente 30 segundos de duração que será distribuída a todos candidatos nos próximos dias. Embora se trate de uma orientação formal do partido, a divulgação não será obrigatória.

“Não vamos ficar discutindo com cada prefeito. Vamos remeter a nota e dizer que esta é uma orientação do Diretório Nacional, mas não é obrigatória. Estamos fazendo a disputa eleitoral. Existem visões diferentes”, disse Falcão. 

A orientação é o primeiro sinal do impacto negativo da denúncia de Lula sobre o PT. A defesa do petista soterrou todos os demais temas que deveriam ser discutidos na reunião ampliada da cúpula partidária realizada anteontem em um hotel na região central de São Paulo. 

Originalmente, a direção do partido esperava que a reunião do diretório funcionasse como uma plataforma para alavancar os movimentos “Fora, Temer” e “Diretas-Já”, marcar a data do congresso nacional da legenda e dar a largada para a reformulação da direção partidária – bases para o projeto de reconstrução do PT depois do impeachment de Dilma Rousseff.

“O congresso cumpre essa estratégia de fechamento de um ciclo e abertura de um novo ciclo no PT”, disse o tesoureiro do partido, Márcio Macedo.

A defesa de Lula, no entanto, ofuscou todos os demais temas. A decisão sobre a reformulação das direções foi adiada para o dia 7 de outubro, quando o partido também vai definir data e o formato do congresso nacional do PT. Os dois temas foram objetos de debates intensos entre a corrente majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB) e as demais forças do partido. 

O único consenso é o de que o mandato da atual direção, que iria até o final do ano que vem, será abreviado, e a escolha da nova cúpula acontecerá no primeiro semestre de 2017. As definições sobre a forma de eleição (direta ou por delegados) e o alcance do congresso foram engolidos pela defesa de Lula.

Nos momento em que o encontro foi aberto à imprensa, não se ouviu um único grito de “Fora, Temer” ou “Diretas-Já”, embora o assunto tenha sido incluído na curta resolução política aprovada pelo diretório. 

“A reunião do diretório, vocês praticamente acompanharam, a maior parte dela foi tomada pela nossa solidariedade ao presidente Lula e pelo pronunciamento dele”, disse Falcão.

‘Golpe continuado’. A resolução, redigida por Marco Aurélio Garcia e Breno Altmann, reafirma a tese do “golpe continuado”, segundo a qual a ofensiva da Lava Jato contra Lula faz parte do mesmo movimento que levou ao impeachment de Dilma e tem como objetivo final impedir o ex-presidente de disputar a eleição de 2018 e banir o PT da política.

“O que pretendem as elites é incriminar Lula, ilegalizar o PT e destruir a esquerda para realizar, sem a sustentação de votos, um dos mais regressivos e selvagens programas de orientação neoliberal”, diz o texto.

Mobilizações. Falcão admite que a denúncia da Lava Jato contra o ex-presidente é prejudicial ao partido, mas acredita que a forma como o Ministério Público Federal anunciou a medida tem o potencial de reforçar as mobilizações de rua. 

“Embora seja ruim para nós porque o Lula tem de cuidar da sua defesa, o primeiro impacto aparece como uma coisa negativa, por outro lado reforça as mobilizações porque todo mundo viu um exagero”, afirmou o presidente nacional do PT.

As frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo marcaram para domingo mais um ato contra Temer na Avenida Paulista.

Adesão.  Até a quinta-feira passada, quando virou alvo de denúncia da Lava Jato por causa do triplex no Guarujá, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravou 435 vídeos com mensagens de apoio a candidatos a prefeito do PT e outros partidos aliados. 

Em um estúdio montado especialmente para esta tarefa em São Paulo, Lula recebeu até candidatos de pequenas cidades onde nem sequer existe propaganda eleitoral na TV, em busca de apoio. Nestes casos os vídeos são divulgado na internet.

É o caso da pequena Picuí, na Paraíba, onde a mensagem de Lula em apoio a Olivanio Remigio, teve 13 mil visualizações. A cidade tem 14 mil eleitores. 

Em São Paulo, onde a rejeição ao PT é maior, a campanha de Fernando Haddad vai aderir à orientação do PT nacional. “A campanha está aberta a Lula sempre, principalmente neste momento”, disse Paulo Fiorilo, presidente municipal do PT.

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