PT dá aval a candidatura de aliados em 2012

Ordem é evitar conflitos com a base em nome de 2014; Dilma diz que será neutra

BRUNO BOGHOSSIAN, ESTADÃO.COM.BR, FERNANDO GALLO, ENVIADO ESPECIAL /PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2011 | 03h06

Para tentar manter coeso o apoio ao governo Dilma Rousseff até 2014, o Diretório Nacional do PT aprovou ontem uma resolução em que define as eleições de 2012 como prioritárias para fortalecer o "projeto nacional". Isso obrigaria os petistas a um pacto de boa convivência com as legendas aliadas quando houver mais de um candidato ligado à base ou mesmo a fazer concessões.

"É para sustentar e ampliar o apoio ao nosso projeto nacional que entramos na disputa eleitoral de 2012 (...) As eleições serão um momento de unidade programática com nossos aliados, compreendendo a necessidade de alianças que devem levar em conta a legítima aspiração de cada partido ao seu crescimento e a posição relativa de força de cada um na sociedade", diz trecho da resolução petista.

O texto é um aceno sobretudo ao PSB, que já anunciou a intenção de lançar candidaturas independentes em 2012, e ao PMDB, que estará em rota de colisão com o PT em várias cidades, sobretudo em São Paulo, onde pretende lançar o deputado Gabriel Chalita. A direção petista também manda recado aos "separatistas" de Belo Horizonte, que rejeitam a aliança PT-PSB-PSDB.

Ontem, em Porto Alegre, a presidente Dilma Rousseff deu sinais de estar em sintonia com a tese da direção petista. "Estou cada vez mais inclinada a não participar de eleições quando a minha base está envolvida. Eu tenho de ter responsabilidade com o País. Eu posso ter até aqui dentro (apontando para o coração), mas aqui dentro é outra coisa", afirmou a presidente, ao ser questionada sobre quem apoiaria em Porto Alegre.

A capital gaúcha foi citada na resolução - como em São Paulo, o partido evitou a realização de prévias. "A definição de candidaturas em São Paulo e Porto Alegre atesta a disposição da militância de entender a unidade como um instrumento para chegar à vitória nas urnas", diz o texto.

Reações. A posição adotada pelo PT agradou a cúpula do PSB. "Temos projetos de eleger, um dia, um presidente da República. Se isso vai acontecer em 2014 ou 2018, eu não sei. Não faremos nada que ameace a continuidade do atual projeto", disse o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral. "Se apoiarmos alguns dos candidatos do PT, também receberemos o apoio para nossas candidaturas. Tem que ser uma via de mão dupla", acrescentou.

"Essa convivência com os partidos da base e o respeito às postulações de seus candidatos ajuda a manter a aliança forte, inclusive mais à frente", afirmou o presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp (RO). Para ele, a postura do PT na capital paulista, ao aceitar a candidatura de Chalita, cria um cenário favorável à aproximação num eventual segundo turno. "É sempre bom manter todas as portas abertas."

A reação menos favorável à resolução veio do PT mineiro. "A orientação é formar alianças com partidos que apoiam Dilma. Vamos dialogar com o PSB, mas não concordamos com nenhuma aproximação com o PSDB", disse o vice-prefeito de Belo Horizonte, Roberto Carvalho (PT).

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