PT conversa com PSD em 18 centros

Além de São Paulo, petistas negociam divisão de palanque com sigla de Gilberto Kassab em municípios com mais de 150 mil eleitores

VERA ROSA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2012 | 03h06

A nove meses das eleições municipais, o PT poderá abrir mão de candidaturas próprias e apoiar concorrentes de partidos da base do governo Dilma Rousseff em metade das capitais. Documento produzido pela Secretaria de Organização do PT indica ainda que o PSD do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, deve estar no palanque de candidatos petistas em no mínimo 18 cidades com mais de 150 mil eleitores.

Além da capital paulista, onde Kassab propôs apresentar um nome para vice na chapa do ex-ministro Fernando Haddad, a lista inclui cidades como Salvador e Feira de Santana (na Bahia), Fortaleza e Juazeiro do Norte (Ceará), São Luís (MA), Aracaju (SE), Recife e Petrolina (Pernambuco) e Campo Grande (MS).

Ao comemorar o 32.º aniversário do PT, ontem, cerca de 400 prefeitos e deputados estaduais do partido se debruçaram sobre as alianças municipais. A estratégia é justamente focar nas 118 cidades do País com mais de 150 mil eleitores. Deste total, o PT administra 33 e já definiu que terá candidato próprio em 68, apoiando aliados em pelo menos 10 localidades.

"Nossas alianças buscarão consolidar o bloco político que apoia o governo federal e nossa força local", diz o texto intitulado Carta de Brasília. "Crescer, preservar, incluir será o lema que nos une e identifica com o governo da presidenta Dilma."

No rol das capitais em que o PT deverá ceder a cabeça de chapa estão Rio, Belo Horizonte, Florianópolis, Curitiba, Cuiabá, Maceió, João Pessoa, Teresina, Manaus e Boa Vista. Na Bahia, o PT conta com o PSD para crescer e avançar sobre o carlismo, o DEM e o PMDB de Geddel Vieira Lima. A meta é conquistar pelo menos 100 prefeituras no Estado. Uma articulação operada pelo vice-governador baiano, Otto Alencar (PSD), desidratou ainda mais o DEM e o PMDB.

Oposição. Embora o 4.º Congresso do PT, em 2011, tenha proibido formação de chapas com PSDB, DEM e PPS, o Resumo da Situação do PT a 9 Meses das Eleições - documento a que o Estado teve acesso - revela namoro com a oposição. Em Barueri (SP), por exemplo, parte do PT quer apoiar a candidatura do deputado Gil Arantes (DEM).

O secretário de Organização do PT, Paulo Frateschi, disse que a decisão será cumprida. "Não vamos fazer chapa com PSDB, DEM e PPS." Na prática, porém, essas siglas podem estar com o PT nas coligações.

Um caso ilustrativo é Belo Horizonte. Apesar do racha na cidade, tudo indica que o PT vai aderir à campanha à reeleição de Márcio Lacerda (PSB). O problema é que o PSDB do senador Aécio Neves (MG) quer estar na chapa. Em 2008, o PSDB fez a chamada "aliança branca" com o petismo para apoiar Lacerda.

O estudo da Secretaria de Organização diz que mais da metade dos prefeitos das cidades com mais de 150 mil eleitores tentarão se reeleger - 20 são petistas. O texto "chama a atenção" para a força do PMDB, o crescimento do PDT - que ultrapassou o PSDB e governa 16 dessas cidades - e para a desidratação do DEM.

"Nós não apresentaremos candidatos em todas as capitais porque temos compromissos com partidos aliados e agora vamos esperar a próxima vez", argumentou Frateschi.

"De qualquer forma, vamos ter que compor as alianças em cima do programa dos partidos", avisou Eduardo Pereira, prefeito de Várzea Grande (SP) e um dos coordenadores das prefeituras petistas no Estado. / COLABOROU RICARDO BRITO

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