PT blinda Dilma e recua nas críticas aos aliados

Depois de embate entre correntes, direção do partido exclui de texto com análise sobre conjuntura do País os ataques à formação da base e à economia

Pedro Venceslau - O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2013 | 02h06

A direção nacional do PT promoveu uma "lipoaspiração" no documento oficial da sigla sobre a conjuntura nacional pós-manifestações de junho. Entre outros itens, foi eliminado o ponto mais polêmico - e que mais preocupava o Palácio do Planalto: a restrição à política de alianças para a campanha de Dilma em 2014.

Se fosse aprovada, essa passagem poderia causar estragos na já tensa relação entre PT e PMDB. Segundo dirigentes petistas, o documento original também causaria constrangimento para o PSD de Gilberto Kassab, que caminha para apoiar Dilma Rousseff em 2014.

A primeira versão do balanço, que foi debatida na semana passada durante um encontro do Diretório Nacional em Brasília e acabou vazando na imprensa, tinha também um tom crítico à condução econômica do governo Dilma, e previa a realização de segundo turno em 2014. A nova versão do documento, que deve ser divulgada amanhã, eliminou essas passagens, reduziu o espaço dedicado às manifestações e repactuou as articulações em curso para o pleito do ano que vem.

A elaboração do texto foi alvo de um embate interno entre as correntes petistas que disputam o comando da legenda no PED (Processo de Eleição Direta). O pleito será em novembro. "O texto sofreu uma lipoaspiração", reclamou Markus Sokol. Membro do Diretório Nacional, ele é dirigente da corrente O Trabalho e candidato à presidência do PT. "O PMDB sabota o governo Dilma. Eu defendo a ruptura da aliança nacional do PT com eles", disse o petista na saída do encontro.

O trecho que previa a realização de segundo turno em 2014 e as críticas à política econômica de Dilma também foram suprimidos. "O documento ficou mais leve", resume o deputado federal Paulo Teixeira, que disputa a presidência da sigla pela tendência Mensagem ao Partido, da qual fazem parte o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro.

Inflexões. Presidente nacional do PT, o deputado Rui Falcão minimizou a polêmica. "Havia uma proposta de rever alianças, mas ela não dizia em qual direção e com quem", afirmou.

O dirigente disse, ainda, que o trecho que tratava da condução da economia pedia de forma "genérica" que fossem feitas "inflexões na política econômica". O tratamento do PT aos réus do mensalão foi outro assunto que se transformou em causa de atrito entre as corrente que disputam o PED.

Questionado sobre a exclusão de Delúbio Soares, João Paulo Cunha, José Dirceu e José Genoino de sua chapa no PED, Rui Falcão lembrou que Delúbio já não está na chapa. E garantiu que Dirceu e Genoino não quiseram estar no direção do PT a partir de 2014. "O Genoino me disse de voz própria que não queria. E o Dirceu disse que não fazia questão", afirmou.

Sobre João Paulo Cunha ele não se pronunciou. Ambos estiveram na reunião de ontem. Já Genoino, internado no Hospital Sírio-Libanês, não teve como comparecer.

Em artigo publicado no site Brasil 247, o jornalista Breno Altman, amigo de Dirceu, afirmou que a exclusão dos réus do mensalão da chapa que apoia Falcão é uma "bomba de efeito imoral". Ao saber da exclusão, Markus Sokol convidou o grupo para sua chapa, que disputa o PED com pouca chance de vitória. Nenhum deles aceitou.

A reunião de ontem terminou com pelo menos uma vitória política da esquerda do PT. Ficou definido que 35% dos R$ 2 milhões destinados à campanha interna serão divididos por igual entre as correntes e o restante de forma proporcional, conforme a participação no diretório. Antes, apenas 20% seriam repartidos igualitariamente.

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