PT aprova resolução para garantir PSB na coligação de Haddad

Documento transfere à cúpula nacional decisão de alianças com socialistas em cidades como Mossoró (RN) e Duque de Caxias (RJ)

FERNANDO GALLO, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2012 | 03h10

Em um esforço para fortalecer a candidatura de Fernando Haddad (PT), estagnado nos 3% de intenções de voto, o PT aprovou ontem uma resolução que, na prática, significa uma intervenção da cúpula nacional nos diretórios municipais de Mossoró (RN) e Duque de Caxias (RJ), duas das principais cidades nas quais o PSB coloca como condição para dar apoio na capital paulista.

O documento transfere à Executiva Nacional da sigla a decisão sobre coligações em cidades com mais de 200 mil eleitores e em municípios considerados polos econômicos regionais. A resolução determina que, nessas cidades, as chapas devem ser homologadas pelo PT nacional antes de registro na Justiça Eleitoral.

"Não há intervenção", sustentou o presidente do PT, Rui Falcão. "(A resolução) É justamente para, se tiver que fazer cumprir a tática nacional, não ter que provocar intervenção. Hoje é o único caminho que tem, o que suscita dissolução do diretório, nomeação de comissão provisória, uma confusão grande do ponto de vista político e organizativo."

Além de abrir mão de Mossoró e Duque de Caxias, o PT está na iminência de anunciar que em Macapá (AP) e Boa Vista (RR) apoiará os candidatos socialistas. "Em Macapá havia um acordo anterior de apoiar o candidato do PT, e nós estamos abrindo mão disso em nome de uma aliança mais forte com o PSB", declarou Falcão.

'Recall'. O presidente do PT refutou qualquer desconforto no partido com os 3% de intenção de voto em Haddad, apontados em pesquisa Ibope. Chamando as enquetes eleitorais feitas no período de "pesquisas de recall", sustentou que um crescimento de Haddad agora "seria inexplicável, dado o nível de desconhecimento que há no eleitorado".

O petista afirmou também que Haddad tem "amplo potencial de crescimento". "Nosso candidato não é conhecido por mais do que 30% da população, ao passo que os outros candidatos têm 90%, 100% de conhecimento."

Segundo Falcão, o pré-candidato crescerá nas pesquisas quando tiver seu nome exposto nas mídias eletrônicas e associado ao do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da presidente Dilma Rousseff e à própria sigla partidária.

Com a resolução de ontem, o PT está em vias de finalizar o atendimento aos pleitos do PSB, postos na mesa após um almoço em janeiro entre o governador Eduardo Campos (PE), presidente do partido, e Lula. Na ocasião, Campos indicou que não se aliaria ao PSDB em São Paulo.

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