PT apoia petebista na terra de Campos

Partido oficializa aliança com Armando Monteiro Neto para tentar garantir um palanque forte para Dilma Rousseff em Pernambuco

Angela Lacerda / RECIFE, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2014 | 02h06

O PT anunciou ontem que apoiará o senador Armando Monteiro Neto (PTB), ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), na disputa pela sucessão de Pernambuco. Estado governado até a semana passada pelo pré-candidato ao Planalto Eduardo Campos (PSB). Os petistas ficaram com a vaga de candidato ao Senado, com o ex-prefeito do Recife João Paulo.

O anúncio ocorreu num evento marcado por críticas ao presidenciável, um ex-aliado tanto do PT quanto de Monteiro Neto. Os petistas integravam o governo local até o fim do ano passado. O petebista conquistou sua vaga de senador em 2010 dividindo "santinho" com Campos.

A aliança com o PTB é estratégica para o PT. Monteiro Neto é um nome conhecido em Pernambuco e dará palanque à presidente Dilma Rousseff. O petebista, que também tem o apoio do PROS e do PRB, enfrentará Paulo Câmara (PSB), ex-secretário estadual da Fazenda escolhido por Campos para a disputa.

Durante o evento dos petistas, o senador Humberto Costa (PT) ironizou, na sua fala, "a arrogância e a soberba dos adversários". "O PT retomará o antigo protagonismo estadual nestas eleições", disse Costa.

O partido de Dilma acabou atropelado pelo PSB de Campos na eleição municipal de 2012. O então governador estava disposto a apoiar os petistas, mas estes não se entenderam sobre quem seria o candidato e Campos acabou lançando um nome do PSB, Geraldo Júlio, que venceu as eleições.

Parados. Em entrevista após o evento, Monteiro Neto alfinetou Campos, ao avaliar a mais recente pesquisa de intenção de votos para a Presidência. "O importante é que os adversários não conseguem capitalizar, desde outubro não saem do lugar", afirmou, referindo-se ao fato de que a queda da preferência por Dilma não significou aumento de apoio a Campos ou ao outro candidato da oposição, o senador Aécio Neves (PSDB). "Eles não se colocam como alternativa real", disse o petebista.

O senador também fez provocações ao candidato de Campos ao governo estadual. "Não vamos fazer campanha na base de padrinhos, quem anda com as próprias pernas não precisa de padrinho", afirmou o petebista. "O povo vai avaliar os candidatos e não os padrinhos, por mais importante que eles sejam", disse Monteiro Neto.

Campos deixou o governo de Pernambuco na sexta-feira passada. Ele comandava o Estado desde 2007, quando foi eleito ainda como um aliado nacional dos petistas. O distanciamento começou a se acentuar em 2012, na sucessão municipal. Já no ano passado, o PSB entregou os cargos no governo federal e o PT fez o mesmo no governo pernambucano. No discurso de despedida do cargo, Campos criticou o governo Dilma e prometeu "unir o Brasil".

Na praia. Após a cerimônia de despedida do governo, o pré-candidato do PSB à Presidência foi para uma praia no litoral sul de Pernambuco. Em meio à maratona de mais de 70 compromissos e eventos do seu último mês à frente do governo estadual, ele prometeu à mulher, Renata, que ficaria uma semana com ela e os filhos, antes de voltar à pré-campanha presidencial.

A folga se encerra no domingo, quando ele viaja para Brasília. A ideia é anunciar a nova aliada Marina Silva como candidata a vice na sua chapa. Marina aderiu ao projeto de Campos após ver seu pedido de criação de um novo partido - a Rede - rejeitado pela Justiça Eleitoral por falta de assinaturas válidas.

Depois dos dias de descanso na praia, Campos vai se mudar para São Paulo, onde instala seu escritório de campanha.

"Assinei um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com Renata e vou cumprir", brincou ele, na semana passada, ao informar da "intimação" para ficar ao lado da família por alguns dias, diante da perspectiva de permanecer longe dos filhos até a eleição de outubro.

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