Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

PT agora tenta ligar Marina a privatização

Partido alega que programa econômico e energético abre espaço para vender Petrobrás

Ricardo Galhardo e Carla Araújo, REUTERS

05 de setembro de 2014 | 19h57

Atualizada às 21h10

Reunida nesta sexta-feira, 5, em São Paulo para avaliar o cenário eleitoral após a morte de Eduardo Campos, no dia 13 de agosto, a cúpula petista decidiu pôr em prática a estratégia de tentar colar na candidata do PSB, Marina Silva, a pecha de privatista e antinacionalista. Para o presidente nacional do PT, Rui Falcão, Marina abre caminho para a privatização da Petrobrás. Segundo ele, a ex-ministra defende redução do papel do pré-sal na matriz energética brasileira e promete mudar o atual sistema de partilha na exploração de petróleo.

“Vamos lembrar que não faz muito tempo que isso foi proposto. Se você substituir o regime de partilha do petróleo e trocar a metade por concessões, (isso) fortalece as petroleiras estrangeiras e enfraquece a Petrobrás. E a empresa que se debilita o passo seguinte é vender”, afirmou Falcão.

O programa de governo do PSB fala em reduzir a dependência do País em relação ao petróleo e traz poucas referências ao pré-sal. Nesta sexta-feira, no Rio, Marina disse que está sendo vítima de uma campanha de “difamação e destruição” movida pelos adversários. De acordo com as pesquisas mais recentes, a candidata do PSB e a petista estão em situação de empate técnico no primeiro turno, mas Marina vence num eventual 2º turno. 

O presidente do PT defendeu a mobilização marcada pela Federação Nacional dos Petroleiros, ligada à CUT, contra o programa de Marina para a área. 

Ao carimbar Marina com a pecha de privatista o PT tenta repetir a tática bem sucedida aplicada contra Geraldo Alckmin (PSDB) na disputa presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva em 2006.

Conforme Falcão, o programa de governo da candidata do PSB será o principal alvo da campanha petista nas próximas semanas. Trata-se de uma orientção para os diretórios do partido em todo País. “É um projeto antipopular, antinacional, ortodoxo do ponto de vista da economia, conservador do ponto de vista dos direitos individuais, regressivo do ponto de vista da reforma política e prejudicial aos trabalhadores”, disse o presidente do PT, repetindo termos de uma resolução aprovada nesta sexta pelo diretório nacional da sigla.

Outros pontos a serem explorados pela campanha de Dilma Rousseff são as propostas do PSB de reduzir o papel dos bancos públicos na economia, acabar com o sistema de crédito direcionado e dar independência ao Banco Central. “Enfraquecer a Caixa e o Banco do Brasil pode mais tarde abrir campo para a privatização”, afirmou.

Ajuste. As críticas ao programa de governo do PSB representam um ajuste no tom da campanha de Dilma depois de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter reclamado da propaganda no horário eleitoral da TV que comparava a adversária aos ex-presidentes Jânio Quadros e Fernando Collor (PTB-AL), que não concluíram seus mandatos.

A reunião da cúpula petista foi palco de críticas à condução da campanha de Dilma tanto nas ruas quanto na TV. Dirigentes do partido reclamaram da falta de material para a militância ir para as ruas, da carência de agendas externas de Dilma, pediram mais a presença de Lula na campanha e, principalmente, sugeriram mudanças no programa de TV. “Não há necessidade de tantos números. Precisa é fazer a relação destes números com a situação política”, disse o ex-prefeito de Porto Alegre Raul Pont.

Para o deputado estadual Durval Angelo (PT-MG), que também usou a palavra durante a reunião partidária, a campanha terá que sanar erros cometidos por Dilma durante o governo. “A gente está colhendo um pouco do que plantou. Faltou durante o governo da Dilma uma relação melhor com a sociedade.”

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